Talvez

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Talvez a humanidade tenha inventado tantas explicações para a existência apenas porque admitir que não sabe seria intelectualmente constrangedor.

O destino talvez não tenha plano algum; somos nós que odiamos tanto o acaso que transformamos coincidências em narrativa.

Talvez a humanidade não esteja perdida; talvez apenas esteja ocupada demais para perceber onde está indo.

Levar a vida excessivamente a sério talvez seja a forma mais sofisticada de não perceber que ela está passando.

Talvez o maior talento humano seja transformar nossas próprias contradições em uma narrativa suficientemente convincente para continuar dormindo em paz.

O senso comum talvez seja a mais celebrada das virtudes e uma das menos distribuídas entre os homens.

O preconceito é uma sentença proferida antes do processo; por isso, talvez seja a forma mais primitiva de injustiça.

Talvez a maior conquista da razão não seja descobrir respostas, mas impedir que homens armados de certezas transformem dúvidas em crimes.

O homem civilizado aprendeu a esconder a violência sob palavras elegantes; talvez seja por isso que algumas injustiças chegam ao tribunal usando gravata.

Talvez a verdadeira liberdade seja isto: possuir convicções suficientemente profundas para defendê-las e inteligência suficientemente humilde para abandoná-las quando a verdade exigir.

Conhecer os limites do próprio conhecimento talvez seja a primeira forma de honestidade intelectual.

O maior perigo para a liberdade talvez não seja o tirano que proíbe, mas a multidão que exige proibições em nome da própria virtude.

A verdade não precisa de polícia; quem precisa de polícia para proteger uma verdade talvez possua apenas uma crença.

Talvez a maturidade de uma civilização possa ser medida pela quantidade de dúvidas que ela consegue suportar sem recorrer à violência.

Talvez Deus seja uma resposta; talvez seja a pergunta que a humanidade ainda não aprendeu a formular.

O último território da liberdade talvez não seja o mundo, mas aquilo que ainda conseguimos pensar sem autorização.

A humanidade passou séculos tentando descobrir se estava sozinha no universo; talvez a pergunta mais difícil seja descobrir se ainda está sozinha dentro de si.

Se algum dia estas palavras parecerem antigas, talvez tenham cumprido sua finalidade: pertencer ao tempo sem pertencer inteiramente a ele.

Talvez a questão mais importante sobre aquilo que não identificamos no céu não seja o que está lá, mas quem possui o direito de decidir o que podemos saber sobre isso.

A objetividade completa talvez permaneça fora do alcance de criaturas situadas no mundo.