Talvez
Talvez a justiça seja a arte impossível de equilibrar liberdade, igualdade, segurança, dignidade e responsabilidade sem permitir que nenhuma delas devore as demais.
O maior triunfo do Iluminismo jurídico talvez seja este: nenhum poder deve estar acima da razão, da liberdade e da dignidade humana.
Se Deus não existisse, talvez o homem o tivesse inventado para que o universo não parecesse tão indiferente.
Talvez a verdadeira fé não esteja em possuir respostas, mas em conservar a dignidade diante do que não compreendemos.
Talvez Deus seja uma pergunta que o universo deixou dentro do homem para que ele jamais deixasse de procurar.
Fé religiosa é a arte de acreditar que encontrará em um quarto escuro, um gato preto que talvez nunca tenha existido
Entre o silêncio do universo e a necessidade humana de encontrar um sentido, talvez a dúvida seja a forma mais honesta de liberdade.
Talvez os deuses sejam apenas espelhos antigos nos quais a humanidade contemplou, com assombro, a própria imagem.
Deus pode ser a resposta que a humanidade inventou para uma pergunta que talvez o universo nunca tenha feito.
Quando uma crença precisa de medo para sobreviver, talvez já tenha perdido aquilo que pretendia salvar.
A humanidade ergueu templos diante do desconhecido; talvez a ciência tenha aprendido a entrar neles sem precisar ajoelhar-se.
Talvez Deus exista; talvez o universo seja apenas matéria, tempo e silêncio. Em ambos os casos, nossa certeza é pequena demais para julgar o absoluto.
