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SONETO: CORTINAS DA ALMA
Quando eu Olho para o triste passado,
Mesmo Com os meus olhos fechados ,
Eu me atrevi, abri uma pequena brecha,
e vi minh'alma a caminhar com pressa.
Ela quer sorrir, e que nada lhe impeça,
apresentar no teatro da vida; tal peça,
Ainda ouço seu descontentamento,
Triste a chorar, instantes em silêncio.
Mesmo com os meu olhos fechados,
Ou que estejam eles semi abertos,
Escuto o ruído da alegria a rondar por perto !
Com amor em demasiada calma,
Sem saber para onde ir,
Abro as cortinas da alma só pra vê-la sorrir !
A natureza bela, perfeita,
A nos trazer tanta beleza,
a esse mundo em prosas,
Traz o cheiro de rosas.
E lá no alto, no meio das matas
As belas cachoeiras, cascatas
Trazem as belezas dos floridos ipês.
Quem vê, impossível esquecer!
Mas o homem é um ser traiçoeiro
Destrói tudo no universo
Na ganância nunca está satisfeito.
Em meio as aflições, terremotos, maremotos
A lua se mostra e celebrarmos a vida.
O que o ser humano precisa é amor e empatia.
Noutro dia...
Num verso sentido, na poética, figura
Sussurrado da emoção em um talvez
A saudade que sente a dor sem cura
De outrem. Uma sensação de nudez
Enquanto na prosa ao acaso procura
O otimista verso suspirado, e que fez
Dantes a poesia sem aquela tristura
Incessante agrura e sem ter a rudez
Então, surge a madrugada, ritmada
A ilusão, sobre o chão, desfolhada
Guiando a trova, criando-a especial
Ó esperança de atraente formosura
E, ante ao escrito vazio de aventura
Traz noutro dia, inspiração virginal...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27 agosto, 2023, 13’26” – Araguari, MG
" OLHAR DE "
O que ela está pensando? Não sei, não…
Parece que já tem bem definida
(por conta, em tudo, do que deu-lhe a vida)
a sua mais secreta opinião!...
Mas, esse olhar a parecer perdida
não deixa de expressar-me que ela, então,
compôs, pra si, sua própria conclusão
da qual não me dará qualquer medida.
Como a poesia estende liberdade,
me sinto livre e estou bem à vontade
pra dar aqui, pra tal, minha impressão…
É, todo, o olhar de quem bem gostaria
de que o rapaz se declarasse, um dia,
e lhe cobrisse, inteira, de paixão!
" DESSA MANEIRA "
Quando ela lança o olhar desta maneira
me sinto a própria presa na emboscada
sentido o abate ali, sem escapada,
chegando de surpresa, na cegueira…
É fera, nesse lance, acostumada
a preparar a carne pra fogueira
e se eu vacilo, caio, dou bobeira,
me janta até o raiar da madrugada!
Tem ela, nesse olhar, o seu feitiço
que, ao seu querer, me faz ser submisso
e acabo que desperto em sua cama…
Assim, dessa maneira, o olhar me dado
me põe, a tal desejo seu, atado
até que eu me consuma em sua chama!
" TOLO "
Então, me diga aqui sem fingimento,
sem medo, sem censura, sem pudor,
se é fato ou se é mentira que o amor
não passa do mais tolo sentimento!...
Eu sei que ele te queima em seu calor
e que não te dá chance a livramento,
mas já te acostumaste a tal tormento
de forma a dar-se, assim, a seu favor.
Como é que podes, tú, amar enfim
se o sofrimento imposto não tem fim
e te acorrenta até a eternidade?...
Sem fingimentos, pois, peço: me diga…
É sábio o sentimento que ele abriga
ou tolo, mera cruz e insanidade?!…
Um Soneto para o Dia
Um bom Dia começa com um café
Seja na minha ou na sua casa
Uma boa conversa que acalanta a alma
Coisas simples da vida, que alegram o Dia
Um bom Dia começa com um café
Pode chover ou fazer sol, o Dia continua belo
O olho no olho sempre é sincero
Um bom Dia começa com um café
Todas as tardes são novas oportunidades
Para que aquilo que se diz no olhar
Enfim, possa se concretizar
Um bom Dia começa com um café
Um beijo, um abraço e sua companhia
Um soneto dedicado para o Dia
Quando eu partir
Quando eu partir, encontre - me no Google,
no Facebook, no Instagram ou no Twitter,
estarei nas nuvens postada no meu blogue
em milhares de poemas, se quiseres ler...
Quando eu partir não precisa me curtir,
afinal a morte não se curte, se lamenta,
mas, talvez minha falta não possa sentir
e diga que fui tão ardida feito a pimenta!
Quando eu partir o que importa o que diz,
deste tudo que sou, ou nada que mais ser...
Ser...ou não ser, eis a questão que não fiz,
por não ser igual a ninguém no meu viver
sendo apenas eu mesma! Este ser feliz!
Depois é vida eterna no alcance ao morrer.
II
Depois, na vida eterna no pleno existir
estarei na ar, no mar, no céu e no luar,
estarei no movimento: no ato de ir e vir;
quem sabe serei uma estrela a brilhar!
Depois, na vida eterna verei tudo de lá
estarei junto de Deus que tudo pode ver;
que sabe o tudo quanto é, foste ou será
e numa incógnita apenas o eterno viver!
Depois, na vida eterna o ser sem corpo,
o viver sem matéria, plena só para amar,
Espírito eterno de luz, um ser no Olimpo...
Depois, na vida eterna sem Cruz da vida,
vida de Jesus Cristo o pregador do campo
depois na vida eterna, a vida sem dúvida!
III
Quando eu ressurgir a viver a ressurreição,
reencarnação do Espírito que prega o amor
poderia ser quem reconhecer a alucinação
ou a verdade na remissão de ser pecador...
Aquele que vem buscar o seu polimento
pagar seu débito carmático e carismático
porque foste reivindicador de pensamento
na pregação de um sábio ou um lunático!
Caso eu não ressurgir, então reze por mim
faça orações e preces em minha memória
porque santificada será a alma deste fim,
em que alcancei a perfeição e toda a Glória!
Mas, se eu ressurgir, outra vez partirei enfim
e outra vez morrerei até ser eterna memória!
Um proposta de amor
Somos parte da natureza divina,
crescer continuamente é natural,
porém se há deserto e há ruína...
é porque falta - lhe bem espiritual!
Bem espiritual é semente de amor,
é evolução e crescimento virtuoso
em que tudo nasce com resplendor,
floresce e germina pleno e glorioso!
Viva de acordo com a natureza viva,
porque viver é ser feliz, pleno e total
tendo gratidão ao sol e a doce chuva!
Não enfureça na seca e pela tristeza
nem vá contra o lançar de uma ogiva,
pois, o desequilíbrio desfaz a natureza!
À SOMBRA DUM SONETO
Penso no amor e fico, com receio
De ser uma lembrança rejeitada
Dessas que ao sentimento veio
E que na estória foi descartada
E nesta poética largado. Creio
Ser emoção na poesia pousada
E no haver o sentimento alheio
Passa, nas pegadas de ser nada
Choro, desejo, também há medo
De o meu versar tornar obsoleto
Ou me perceber vazio e quedo
Porém, não tenho algum amuleto
Confesso que nem algum segredo
Só espero, à sombra dum soneto!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
26/10/2020, 05’46” – Triângulo Mineiro
SONETO LÉS A LÉS
Ainda que não seja, assim, poético
Que falte o olhar, o afago, a beleza
És tu, poetar, ao meu olhar estético
Bem, sem importar com a grandeza
Não temo se me acharem cético
Cada verso tem a minha certeza
Das rimas e do cântico profético
Do amor, a mais pura candideza
Outras vezes soneteio sem preito
Ah, tão em vão, tão sem emoção
Tão fantasiosos e, tão imperfeito
Mas, certo é que na sensação
Tudo se torna o versar estreito
Quando se é ausente de paixão
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
26/10/2020 – Triângulo Mineiro
Soneto do Confronto
Estava travado mais um confronto
Desta vez quem irá ganhar
Quem fica assistindo mais parece um tonto
Mas sempre não há motivos a festejar.
Um sempre pensa no amor
Mas sempre sem pensar
Outro sempre pensa na dor
Mas sentimento não há.
Este confronto sempre existirá
O coração cego por amor
E o cérebro com a razão questionará.
Feliz é aquele onde o confronto não há
O coração sem dor
O cérebro com amor.
Não quero ser a vodka
Não sou seu remédio
Só quero ser seu futuro
Não o pretérito.
Não sou a vodka.
Não me tome como tal,
Não a farei esquecer
Não o apagarei
O que lhe oferecerei
É que apenas no seu futuro estarei
Um futuro em que você fará o que desejar
Um futuro que sonhar
Como já disse não sou vodka
Não me use pra esquecer,
Pois o que me lembro da vodka
É o que não quis fazer ontem
E essa tremenda dor de cabeça.
Que ainda hoje me resta.
SONETO JUNINO
Terreiro ornado, junho desponta
Tem bandeira, fogueira e rasta pé
Canjica, - é bão demais da conta!
No pé do ouvido, forró e cafuné
Sanfona, quadrilha, muito quentão
Busca-pé, moça bonita na janela
Caminho da roça cheio de sensação
E o casamento caipira na capela
Costume que canta e encanta
Viva São João! Enraizada fé, como não!
Tem terço que os males espanta
Junho em soneto junino, oração
Santo Antônio, São Pedro, tanta
Celebração e poética, trem bão!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
31 maio, 2025, 19’14” – Araguari, MG
Soneto do Fascínio:
Meu xuxu amado, eu te amo muito
Amo-te eternamente, como uma princesa encantada
Suas lembranças vão sempre ser lembradas
E eu vou sempre ficar com nostalgia
Minha linda princesa, eu te amo
Você não imagina o fascínio que eu tenho por você
Amo-te intensamente, o que me traz o belo
É tão intenso, que a minha cabeça explode com dinamites alegres
Minha linda leoa, você é o meu coração
Amo-te verdadeiramente, sempre fui fiel
E vou seguir meu desejo maciço de te amar infinitamente
Sempre te amei humildemente
Nosso amor é algo profundo, repito isso várias vezes e amiúde
Que pode trazer um desejo cítrico de uma grande princesa
Soneto de Amizade:
Depois de tantas tentativas
Nos encontramos em uma linha
Algo que surge como uma raiz
Que cresce e vira amizade
Enfim, os momentos são preciosos
É preciso saber que a preciosidade é importante
Porque uma amizade é a chave de uma vida
Sem ela, o ser vivo não existe
A amizade é tudo em nossas vidas
Sem elas, tudo vira lágrimas e poço
Porque elas definem muita coisa nas nossas vidas
A definição de amigo: alguém que te ajuda, te dá conselhos
Isso que transforma a verdadeira amizade
A conexão pode ser tão grande, que pode ser um o espelho do outro
Soneto de Divórcio:
Algo que não estava nos planos
Começou a entrar em pensamentos, um looping qualquer
Parecia que o pálido voltava ao corpo
De tanto desespero que foi as reações
De repente, o amor virou uma poça de lágrimas
O divórcio chegou, a chuva ácida de um relacionamento
A paixão acabou desaparecendo, o amor ficou numa areia movediça
E o divórcio chegou, dominando o centro
Algo que não se esperava aconteceu
Eu realmente não tinha ideia
Do livro que o futuro preparava
O amor ficou pálido, ficou abandonado
Do prédio que se desmoronou, restou apenas pedaços
Pedaços de memórias e recordações do passado
Soneto de Sinceridade:
Faço mil coisas pra te agradar
Com zelo, o fruto de meu relacionamento
Você pode estar cercada
Mas você me encanta por telepatia
Quero ficar com você em cada momento
Falo em todas as letras sobre sua sinceridade
Nesse vendaval, meu peito acelera
Mas mostra o peso de sua sinceridade
Quando você me procura
A angústia, a solidão, se derramam como sorvete
Porque o seu amor me traz o belo de volta
Eu afirmo dizer que o amor é único
Principalmente, quando se trata de sinceridade
Mas no infinito, tudo pode acontecer
SENTIMENTO DE CRISTAL (soneto)
Num soneto amoroso, a poesia pura
esquecida de sua encabulação
sente nos versos o afago e ternura
suspirado da angelical emoção
Enquanto espalha a formosura
nas entrelinhas, aquela sensação
tímido, se modela da ventura
e romântico, o amor, doce razão
Quando surge, por fim, encantada
a prosa, cheia de rima apaixonada
sussurrada em uma trama especial
E o poema, apaixonado, feliz, seduz
os versos consoantes e divina luz
murmurando sentimento de cristal.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 junho, 2025, 16’46” – Araguari, MG
TEMPO REMOTO (soneto)
É bom que eu prose ao léu, assim acostumo
na solidão, da privação de um amor passado
pois a lembrança surrara no pesar suspirado
perdendo no versejar aquele rítmico prumo
Terá, e virá, um certo dia, então, presumo
um sentido para o verso, o mais sonhado
talvez o que mais mime, o mais encantado
que anuncie juras, e sensação para o rumo
E, se ao chegar a hora de um verso absorto
que não se apague o ardor, seja conforto
poético, velando a minha aflitiva soledade
Ouvidos não darei a inspiração sem alento
pois, poesia de saudade tem padecimento
mesmo que de boa lembrança, a saudade.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 junho, 2025, 15’09” – Araguari, MG
Soneto da Esperança:
Hei de lhe esperar à qualquer momento
Não vou ficar como estátua em vosso nicho
Eis a questão mais importante desse poema
Nós não somos enfeites para esperar alguma célula
Sou cauteloso o quanto possível
Dessa vez com zelo, nesse momento, o vegetal de um passo
Mesmo com tudo isso, não sei se tu esperastes por mim
Irremediavelmente, isso não pode ser comprovado
Por obséquio, me dê alguma resposta
Tente mitigar minha situação com algo qualquer
Antes de dizer: Aconteceu algo grave
E o fim desse soneto
Acontece na última estátua deste nicho
Onde ele espera a outra parte de seu axônio
MEUS VERSOS SÃO UM SONETO
Meus versos são um soneto... bem sei
Provida no sentimento e muita poesia
Momentos, sensações, assim, os rimei
Também, os choros, suspiros e magia
Cantei no versejar aos que romanceei
Chorei em cada estrofe com nostalgia
A alegria, como não, então, eu exaltei
E, em cada tom aquela exata sintonia
Gabei nos versos a carícia tão amada
Segredei sigilos em noite enluarada
E na madrugada sussurrei na solidão
Na sentimental simbiose, o trovador
E a trova, sempre tão cheio de amor
Soneteando os sucedidos do coração.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08 julho 2025, 17’22” – Araguari, MG
O Soneto de Jaci
No jardim da paixão, tu floresces,
Seus olhos, estrelas que brilham à noite,
Seu sorriso, doce mel que me aquece,
Em seu abraço, o mundo se faz perfeito.
És musa dos meus versos ardentes,
Teço rimas e sonhos em teu nome,
Cada sílaba é um beijo que me mente,
E a poesia flui como um rio sem fome.
Nossos corações, entrelaçados na dança,
Como folhas ao vento, girando sem fim,
E nas noites serenas, sob a lua que avança,
Tu és a inspiração que me faz assim.
Que este soneto alcance teu coração,
E que nosso amor floresça em perfeição.
Soneto
Quando Fílis as lágrimas bebia,
em um fio de pérolas brilhante
da matutina luz, bela, e flamante
precursora do sol, e mãe do dia,
uns dentes se lhe partem à porfia
para a união das pérolas amante,
que sendo a qualidade semelhante
os quis conglutinar a simpatia.
Bem que ao beber as pérolas luzentes
se lhe quebrem os dentes, julga e toca
não serem as matérias diferentes,
pois sem se conhecer mudança, ou troca
enfiados por pérolas os dentes
têm por dentes as pérolas na boca.
MEU SONETO
Meu soneto, soneto que não quisera
sequer de amor falar ao meu sentido
secura, que num chão tão ressequido
tolera, e a inspiração num vazio gera
Pudera, o amor é de carregada quimera
que na poética o alguém é pressentido
permitido, e então, do coração ouvido
cantando a satisfação, cada primavera
Meu verbo suspira por tal afeto podido
querido, para poetar um ardor contido
e então, ter o atraente verso no papel
E a prosa, paquera, cada sedutor acaso
à maneira da paixão, e sem ter o prazo
espera, pelo soneto ao sentimento fiel
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
10/08/2021, 19’00” – Araguari, MG
