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"Declamar é a arte de torturar o poeta, para que ele diga o que outrora quisera apenas que repousasse sobre a face do papel".
O clima estava agradável. O grande agradável daquela região.
- Que região?
Não importa.
Ele só sabia que estava em alguma parte do mundo.
Tudo estava calmo e ali ele sentia ser o último homem.
O último homem:
com seu pensamento.
a ter sua perfeita bitonalidade.
a usar o argumento.
de uma beldade.
O último homem a escalar o mundo.
Mas ele não era e nem tinha nada disso.
Ele era apenas um contemplador solitário.
Cujo vento levava seu sorriso, espalhando alegorias.
No pátio vários gritos ecoavam pela grande fortaleza de pedra. Alguns ferreiros batiam nos ferros incandescentes fazendo o tipico som repetitivo de metal com metal que para os guerreiros há de ser um gênero musical.
Os guardas andavam para lá e para cá em cima da muralha fazendo suas armaduras tilintarem, completando a canção como um instrumento de fundo.
Cavalos relinchavam de hora em hora, impacientes.
Havia também mulheres, As que acalmavam os homens de forma generosa e cara e as guerreiras que recebiam olhares mal encarados de brutamontes por suas ascensões no exército.
Rurik, observando tudo por uma janela retangular de pedra, se retirou e seguiu caminho para um cômodo da realeza. Sua armadura, embora fosse de um metal extremamente brilhante e raro, fazia o mesmo som que a dos soldados no pátio.
Bateu na pesada porta de madeira com a mão direita e com a esquerda ficou segurando seu capacete encostado na cintura onde ficava sua espada cheia de títulos.
Alguém lá dentro gritou para entrar.
- Meu lorde - disse Rurik, prolongando o "lorde". Um homem alto de cabelos pretos, quase grisalhos, e com a armadura mais ornamentada do Reino estava atrás de um espelho fazendo alguma prece - seu exército está pronto.
O lorde pareceu fazer uma última prece.
- Mande soar as trombetas.
Lentamente, deslizo a caneta
sobre o papel.
Sou protagonista ou sou réu?
Escrevo com cuidado
para não lhes deixar assustado.
Você é capaz de compreender?
Se não, nem leia para não se arrepender.
Têm coisas que somente eu posso dizer,
mas ninguém poderá entender.
Esses poemas nascentes do nada,
vindos do além, mal-me-quer
Só pode
Não me dão tempo para pegar papel
E lá se vai o poema,
memória tão bela quanto fel...
Às vezes sou como um homem de papel...
Já fui escrito por diversas histórias de diversas mãos.
Já rasurei alguns erros escritos, mas que ainda assim estão marcados em mim.
Já tive bons escritores, que já não se fazem mais presentes;
Porém, alguns ainda continuam escrevendo.
Já pensei diversas vezes que o fim da minha história estaria próximo.
Mas o que aprendi ao longo do tempo, é que toda história termina com um ponto final.
Não com uma virgula, ou ponto e virgula, mas com um ponto final.
Não sei como ou quando será escrito o meu fim.
Mas seja como for, as histórias que foram escritas valeram a pena serem lidas.
Todos nós sabemos que a hostilidade ao tradicionalismo é um erro. Ainda deve ter muito sentido o que funcionou em tempos que a educação tinha respeito e credibilidade, quando a função do professor e o papel da escola eram valorizados!
Coitado! O papel tudo aceita; nele tudo se pode imprimir. Mas isso não se deve aceitar na mente humana.
ASPIRAÇÕES
Quando eu crescer
Vou fazer um barquinho de papel
Uma nave para ir ao céu
Velejar entre as nuvens
Acreditando em você
E descobrindo a mim
Quando eu crescer
Vou pintar numa tela
A mata verde
O céu azul
O sol clareando o dia
Iluminando a casa
Um pomar sem inseticidas
Vou colher os frutos do amanhã.
PASSADO NO PAPEL
É tão difícil o amor relatar
Ainda mais essa caneta
Que já sem tinta
Começa a falhar
Refaço o brio da tinta
Privo a maneira exata de ser
Tento o amor esclarecer
Me ferve na mente
O passado a recordar
De um amor que tive
O ontem que vive
No peito a pulsar
Que corre nas veias
Vem no coração alojar
Essa coisa engraçada
E ao mesmo tempo malvada
Que me interfere a vida
Essa de forma bem vivida
ALGUMAS
Algumas palavras nos chegam
Rabiscadas em papéis rasgados.
Formando textos difíceis.
Desprovidos ou carregados
Ao extremo de emoção.
Mas alguns papéis carregam,
A graça de conduzir secretamente
Algumas palavras tímidas.
Impossíveis de serem ditas,
Apenas com os lábios.
PEDAÇO DE PAPEL
Olhei para o pedaço de papel
Sujinho, rasgado, jogado ao léu
Pensei...
Rabisquei...
Juro que tentei
E mais uma vez falhei.
E agora como direi ao “cara” dos meus sonhos
Que ao seu amor me renderei?!
No palco da vida cada homem e cada mulher representa um ator ou uma atriz, representando o papel de suas vidas, na vida real.
01 de setembro de 1985
Os seres humanos não são descartáveis, mas agem como se fossem. São alma e carne, mas agem como se fossem papéis e plásticos, e a “ficada” sem compromisso se torna uma espécie de crime passional, porque de uma forma unilateral, estamos forçando a alma o que o nosso instinto carnal solicita. Forçamos nossos corpos e alimentamos um desejo momentâneo de algo que não necessitamos. Usam uns aos outros e jogam fora, feito talheres de plástico que servem apenas como meios do alimento chegar até você e saciar seu apetite. Nada além disso. E até então repetir-se o ciclo vicioso novamente. É como mascar chicletes enganando o nosso cérebro que é um alimento para nosso sustento.
porque escreves ?
escrevo porque. quero ajudar todos possíveis e é uma coisa que gosto de fazer e me encanta e também serve de uma forma de libertação para min e para as coisas que deveriam escorrer pelos olhos eu faço escorrer no papel
Eu e a minha velha mania de acreditar que é possível que as pessoas mudem. Sim, as pessoas mudam. Mudam conceitos. O jeito de ser. A maneira de viver. A questão é que eu sempre penso que todo mundo merece mais uma chance, mais uma oportunidade, mas o mundo não é assim, – ah, só mais uma vez, só mais uma chance – as pessoas não são assim. Algumas pessoas não são dignas para que você espere tal mudança, – quando você não tem o esperado, você se conforma – mas mesmo assim eu insisto nessa tal mudança. O meu coração ainda continua de papel, sim, é possível escrever, escrever, escrever e escrever, sim, é possível apagar, apagar, apagar e apagar. Um probleminha: quando se escreve e depois apaga o que foi escrito, o coração, que antes era de papel, não continua mais o mesmo. O coração de antes que era composto apenas de matéria-prima, de material puro, aos poucos, vai se tornando um lixo, ou melhor, um papel reciclável. Um papel que agora carrega as mazelas de outrora, experiências, aprendizado e o melhor de tudo: carrega um sentimento diferente, muito diferente. Há um processo doloroso, muito doloroso, para que esse papel se torne reciclável, – comparo até como um grão de areia ao incomodar uma ostra antes de virar uma pérola – existe a insistência, a persistência, uma luz no fim do túnel de que tudo irá ocorrer e acontecer como desejas, quando você se depara com a vida real, com a realidade, você acorda de um sonho que nunca existiu. Um sonho que você simplesmente sonhou sozinho, tentou e insistiu em sonhar. Um sonho que você projetou, idealizou, planejou, e, o inesperado acontece: o projeto falha. Falha não por ter falhas no projeto, mas sim quando você acorda e percebe que não dá para continuar com a construção desse projeto. E quando começa a aparecer falhas no projeto, é sinal de que nada vai bem. As falhas começam com pequenas lacunas, trincas e rachaduras. Quando você se depara, o projeto falha, foi por água abaixo, desmoronou. O coração de papel – que é o engenheiro – não consegue fazer e idealizar um projeto sozinho, é preciso que haja outros papeis. Sendo assim, o livro será composto por várias páginas, cada página reservada para um sentimento novo, para um momento novo e para a pessoa. Mas o bom de tudo é que sempre irá existir páginas em branco neste livro, assim, é possível reescrever ou simplesmente escrever e começar um novo projeto, uma nova etapa, um novo capítulo, uma nova história. O meu coração é de papel, sim, ele é de papel. Escreva-o!
...o nosso papel é propositalmente atiçar a ignorância, para que simultaneamente ela desperte por si só para a inteligência adormecida...
[05/06/2015]
