Tag interrogação
Há quem goste de exclamações,
Levemente me interesso por elas,
Não sou adepta a pontos finais,
Prefiro vírgulas,
Entretanto,
O mais intrigante não seria porventura a interrogação?
Ou alguém sabe me dizer o que será amanhã?
Ou daqui à uma hora?
Ou até mesmo dez segundos...
A certeza é uma só,
Não temos humanamente certeza de nada,
Além de que um dia morreremos,
E aí?
Com quem ou Quem estaremos?
Isso só depende da nossa escolha,
O que será?
Interrogação?
A interrogação é como um aspiral,
Não se sabe de onde vem,
Nem pra onde vai,
A não ser quando realmente,
Encontrarmos escondida atrás da interrogação, uma resposta.
Por vezes perde-se espaço no silencio imposto pelo óbvio, é nessas horas que o ser coabita com a futilidade dos factos e a memória é somente; um baralho de cartas que as evidencias derrubam!
há sempre em mim uma terrível interrogação, se o tempo voltasse atrás, como seria a vida que sonhei e não vivi?
A vida é a hesitação entre uma exclamação e uma interrogação. Na dúvida, há um ponto final. Bernardo Soares
(extraído do livro em PDF: Aforismo e Afins)
Nem todo silêncio é igual ... às vezes é resposta, outras vezes interrogação! Às vezes é amor, em outras é descaso ... pode ser aceitação, mas pode ser uma negativa ...
E tão poucas vezes silêncio é apenas silêncio...
Não há pai mais influente que o pai que não existe. Ele deixa tamanho vazio, provoca tantas interrogações, que seu filho pode gastar a vida tentando entender-se.
Por vezes estou tão cansada, não é o corpo, porque, do cansaço do corpo dou conta com uma boa noite de sono. Tenho a alma cansada!
Nessas alturas apetecia-me correr campo fora, de encontro ao vento, pegar num punhado de terra e lambuzar a alma, mas... tinha que ser num dia de outono: num daqueles dias em que a chuva miudinha fustiga o coração com a suavidade de uma lágrima fugidia.
E dou por mim a pensar: a minha doidice tem calos nas mãos e o coração suspira pela planície, por isso mesmo:
Não me encaixo num tempo de encaixes passageiros!
E se?
E se tudo que passamos até agora for apenas um sonho?
E se o sentido que damos a tudo não tivesse sentido?
E se tudo que achamos ser o certo, não for tão certo quanto imaginamos?
E se eu acabasse dizendo que me interesso?
E se tudo isso fosse embromação para não falar a verdade?
E se o meu medo for maior que minha coragem?
Tudo que não consigo falar, voce não consegue perceber e isso me mata aos poucos, sua
ausência, sua frieza, seu saber e não saber de minha existência....
Este ponto final não é o último ponto que aparece no meu texto. Tem reticências e logo depois uma interrogação. Ah, o mais esperado? A exclamação!
Quem disse que não sou escritor? Sou poeta e quem disse que o poeta também não é um escritor? Temos de refletir isso!
A minha posição é de constante interrogação.
Entrelinhas
Analisei cada palavra
Cada frase
Analisei o conjunto
Tentei entrar no teu sonho
Nos teus pensamentos
Tentei decifrar-te...
Arrancar de dentro de mim a interrogação
Decifrar o que está dentro dos parênteses
Nada encontrei
Tudo ficou nas entrelinhas...
UM PONTO
Tudo, aliás, é um ponto.
Um ponto incerto.
Um ponto sem nó.
Um ponto de interrogação.
Um nó atravessado.
Uma incerteza dentro da outra.
Uma exclamação.
A vida
A morte
Meu norte
Meu nada
Meu tudo
Verticalizado
Nas ruas desertas.
Assim, aliás, é o meu mundo,
Enigmatizado,
Energizado,
Sem uma pretensão,
Apenas uma razão
E uma loucura.
A dúvida é onde começa o caminho para a pesquisa, é uma frequente interrogação que nos leva a um exame mais aprofundado das questões que nos interessam.
A diferença entre a dúvida de um adulto e a de uma criança está na pontuação. O adulto só pergunta com interrogação (?) e a criança pergunta com interrogação e exclamação (?!).
INTERROGAÇÕES (BARTOLOMEU ASSIS SOUZA)
Muitos não sabem o que é viver?
Como então compreender a morte?
Os mistérios mais profundos da filosofia,
da psicologia, da compreensão humana?
O que fazer diante destas dúvidas?
A única resposta humilde que encontro?
A vida é uma eterna interrogação
que jamais encontraremos as respostas..
A interrogação é a maior amiga e mais pragmática companhia da certeza. Às vezes, todavia, é necessário temperar o passo com um infinitésimo de dúvida.
Não descuido das palavras
para não ferir, mas se vieres
com autoritarismo e arrogância ,
receberás apenas a interrogação
no espelho da alma.
Quem sabes assim poderá ver o
reflexo de tuas palavras dentro do
teu coração, e se não ferir-se é
sinal que tens uma pedra
dentro do peito.
Vírgula, Começo depois da pausa que você não leu.
Não interrogue meus pretéritos.
Dois pontos já prenuncia uma nova história, seja em parágrafos ou versos livres.
Ser ponto sozinho no final, te deixa mais próxima da oração seguinte, com seus novos adjetivos e predicados, mas desta vez não será mais subordinada a mim.
O verbo que escolhemos é irregular e não se conjuga no presente.
Por hoje não exclamo nada, apenas lhe ofereço minhas sinceras reticências…
