Tag chão
Sentir-se forte é virar pra trás e perceber que conseguiu catar todos os caquinhos de vidro espalhados pelo chão, e agora olhar para o céu e ver que Deus fez deles um lindo mosaico em forma de coração e o acomodou delicadamente entre as nuvens de algodão, como se fosse uma joia preciosa...e é
Chega uma fase em nossa vida que o céu é nosso teto...
Mistério!
Com pés descalços pisar em solo árido é nosso chão...
Calos do destino bate em compasso no coração!
Como abrigo de nossa alma uma armadura que aos poucos se desprende no ar...
Deus em nosso silêncio nos soprando a Paz!
Tudo acontece e ponto. Só que de repente, cai um raio do céu e esse ponto se transforma em ponto de exclamação(!)aí você continua, levanta do chão e sua vida vira de ponta a cabeça, e esse ponto vira ponto de interrogação (?) mas o relógio do tempo continua lá, firme no lugar e os ponteiros continuam andando e muito rapidamente em muitas reticências (...) e entre um tropeço e outro a gente vai acompanhando o tic tac (pulsar do coração) até encontrar o ponto final.
Nada nessa vida é em vão. Tudo passa por um caminho e também volta por ele. Tudo morre e tudo nasce. E com uma mão a gente toca o céu e a outra toca o chão. E enquanto isso Deus tenta sincronizar nossos passos (pernas que ficam de ponta a cabeça nesse tempo de percurso.
Viver de ilusão é ver pontos cintilantes que parecem uma constelação que se unem como células embrionárias numa mente fértil, porém abortiva onde se perde o chão.
Sejamos como Bartimeu, o cego de Jericó que largou seu manto no chão e Jesus o chamou e o curou. Confiamos, entregamos nosso manto (angústias, sofrimentos, dores, aflições) para que Ele nos faça "enxergar" a luz e a promessa que nos fez ao morrer na cruz do calvário.
Outros virão para seguir teus passos, portanto, reflita bem antes de demarcar com os teus pés esse chão chamado Terra.
DOS SABERES
Aprendi sorvendo. Somente o que me fez inalar.
O que despercebi, não me fez entrever.
Não atingi alturas, sem pisar-me de chão arenoso.
Não extrai sal da terra, sem entregar as mãos repartidas.
Tenho alguns saberes, que me fazem apreendedor.
Uma arquitetura de razões pronunciadas.
Das mais súbitas, como aquelas a se moldar na quietude,
As derradeiras, como as que pungem na pele na alma.
Pouco aprendo, quando dos outros não me entrelaço.
Pouco sei se não me ponho a observar a intimidade.
Por isso ressoei-me em cada canto, num circulo de andanças,
E ainda me faço toar a cada instante, que me ensina o olhar.
Distanciei-me por vezes para observar as perguntas.
Tantas outras respondi, sem aderir ao absoluto.
Fui vário, múltiplo, único. Só assim fiz-me existir.
E ao ser, precisei reler a estrada e desvendar a travessia.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas Para Versar
Memória (microconto)
Tinha seis anos quando a conheci. Sorri, descobri, corri, comi, ouvi histórias ao redor do fogo. Sua voz me aquecia o coração. Vê velhinha! Eu cresci! Mas meus pés continuam sujos de chão.
Se você, chega na minha porta, alguma coisa pode acontecer. Se seu sorriso é arma de conquista, a noite pode enlouquecer. Um drama do meio conto, um limite a meio fio, uma declaração na passarela, um romance a luz de velas, o encontro tem um dedo de prosa, sentimentos ardentes, respostas as avesas, oportunidades confusas, nada realmente tem razão, quando se pensa em amor, o teto vira chão.
#PEREGRINO
Cortei as rosas...
Arranquei as dálias...
Joguei-as, tristes, sobre a calçada...
Tudo passa e nem tudo fica na história...
Às vezes nem sobra uma simples memória...
Tal qual bolha de sabão...
Ao longe uma canção...
Um caminho e nada mais...
Sem querer voltar atrás...
Um peregrino a sonhar...
Distinguindo das vozes os ecos...
Alma velha em traje de festa...
Cuja única esperança: orar...
Tendo andado muitos caminhos...
Tenho aberto muitas veredas...
Tenho vivido com minhas incertezas...
Se é bom viver...
Melhor é despertar...
Sabeis agora...
Que a verdade veste-se de ilusão...
Podeis voar...
Sem tirar os pés do chão...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Árvore seca...
De coração vazio...
Anos a fio...
Não tinha cor...
Não tinha amor...
O vácuo cada vez maior...
Raízes mortas...
Não mais florescia...
Sob um sol quente e árido...
Me contou sua história...
Foi semente...
Plantada com esmero...
Por um senhor...
Velada com carinho...
Cresceu...
Nas folhagens verdejantes...
Pássaros faziam seus ninhos...
Cantavam alegremente...
Retribuía com sombra...
Muitas flores ofertava...
Fronte de belas mulheres enfeitava...
Suas folhas eram remédio...
Doença ela curava...
Foi orgulho daquele senhor ...
Que um dia a plantou...
Seresteiros à sombra dela...
A todos encantou...
Conversas fiadas ouviu...
Pessoas que chegavam na cidade...
Um ou outro que já partiu...
O banquinho ao seu lado...
Foi ponto de encontro...
De amigos e de enamorados...
Quando o vento levou o senhor...
De tristeza a árvore chorou...
Me disse que se fechou no silêncio...
Que de saudades suas folhas cobriram o chão...
Não tinha mais forças para então florir...
Sua aurora tinha ido embora...
Sua madrugada chegara...
Sua hora findou...
Hoje...
Triste...
Seca...
Morta...
Ainda conta sua história...
Da saudade que ficou...
Do tempo que passou...
Sandro Paschoal Nogueira
Árvore, pata-de-vaca, branca, que meu pai plantou, em frente de minha casa.
Homenagem póstuma Scylla Dias Nogueira
— em Conservatória, Rio De Janeiro, Brazil.
#A #cigarra...
Ouvi...
Ela vai morrer...
E em seu canto revela seu destino...
No chão observo...
Perto de uma porta...
Formigas carregam ...
Uma companheira já morta...
O ar brilha...
A brisa quente passa...
Então perfume se espalha...
São jasmins...
São rosas...
O céu nublado...
Pingos de água fria...
Terra chama...
Para o enterro da cigarra...
Que o momento clama...
Ah...
Vida triste...
Viver na obscuridade...
E quando a luz procura...
Já é quase tarde...
Resta apenas amar...
Que já é muito bom...
Cantar...cantar e mais cantar...
Talvez assim...
Possa compensar...
A tristeza do passado...
Que deve se deixar para lá...
Paz em vez de violência...
Neste mundo necessitado de amor...
Cantai...
Pelo menos uma vez na vida...
Louvando nosso Criador...
Sandro Paschoal Nogueira
Ah, o firmamento que contemplamos um dia. Hoje, mesmo ele gritando-nos, miramos o silêncio do chão.
“Preciso de uma casa onde entre muita luz, de um carro que voe sem sair do chão, de um coração de diamante, e um amor infinito.”
