Surdo
Eu estava cego, eu estava surdo.
E por causa disso, demorei pra ver o que estava diante dos meus olhos.
Um homem, mas não um homem qualquer, e sim o Nazareno, que me amou e ainda me ama. Infelizmente eu demorei para encontrar este amor que sempre esteve diante dos meus olhos. A minha ignorância me fez cego, a minha ignorância me fez surdo.
DECIFRA-ME SE FOR CAPAZ
Como descrever as cores para um cego,
Ou o som para um surdo,
Por isso decifrar-te me nego.
É impossível e absurdo,
Decifrar as nuances de tua alma,
Ou as mil maneiras de teu olhar,
Como decifrar tua calma,
Ou o teu jeito de amar?
Só posso afirmar,
Deves combater,
Pois tu és guerreira,
Deves também crer,
Mesmo sendo arteira,
Pois tu és mulher.
Decifra-me ou te devoro,
Era o dito da Esfinge,
Por isso faço outro coro,
Consumindo a laringe,
Igual a ti, eras mulher,
Se fores decifrada,
Para outros irás morrer,
Pois fostes eleita amada,
De um campeão,
Pois conquistou teu coração.
Autor: Agnaldo Borges
11/10/2014 - 22:40
Mote: Kátia Krzesik
FALTA DE AVISO NÃO FOI
O mundo está ao contrário
o cego ouviu e ignorou o que diziam
o surdo olhou, mas não viu
o mudo vendo tudo, tentou gritar
mas voz ele não tinha
o mundo está ao contrário
e ninguém reparou
quem reparou
já era tarde para reparar o estrago que surgiu
o mundo está ao contrário
e pelo buraco todos caíram
Somos música, em um mundo surdo....
Somos poesia, em um mundo analfabeto...
Somos amor, em um mundo frio....
Somos tudo e mesmo assim somos invisíveis....
O esforço exaustivo do pianista surdo
ao compor a Nona Sinfonia
o sopro de Deus sobre os mares
na criação do mundo em seis dias
as lembranças dos amores não vividos
tudo isso tem a mesma força artística
das valquírias de Wagner
e do Messias de Handel
para um poeta em desespero criativo.
Coisas de que tenho medo: Ficar gordo, barrigudo, surdo e esquecido, a ponto de perdoar a ingratidão.
Ensinar ao surdo é como soprar no vento,
Palavras se perdem em um espaço vazio.
Na mente que não escuta, não há entendimento,
E o esforço se desintegra em um silêncio frio.
"Sim" ao insensato é um eco sem retorno,
Onde a ignorância se ergue, altiva e sem paz.
O saber se perde no cansaço eterno,
E o fardo se torna um peso que o tempo não desfaz.
O diálogo se torna um grito no abismo,
A paciência se esgota onde não há um sim.
A luz se apaga no obstinado desatino,
E o saber se dissolve na luta sem fim.
Cego, surdo e mudo é todo aqule que não empresta o seu corpo a Deus para ver, ouvir e falar das Suas riquezas.
O cego perde na manifestação dos amigos, o mudo na arte da comunicação do próximo e o surdo, na apreciação dos relacionamentos. Perdem muito mais os perfeitos, com todos os sentidos, que não valorizam os benefícios e a dádiva da própria vida.
"Não saco de nada, estou por dentro de tudo. Algumas vezes cego, mudo e surdo. Tenho coragem e persuasão pra realizar meus sonhos minha imaginação."
Trecho da música: Diversidade.
Deitado em meu quarto eu escuto
o surdo silêncio da noite
mais uma noite que se passa
são coisas assim, pequenas
que fazem a vida ter graça
sem sono, a vigília serena
se traduz no farfalhar
que o vento faz nas folhas
coruja lambendo as penas
o crepitar do fogo
só as nuvens despercebidas
parecem enciumadas
de repente se fazem sentidas
trovejando, relampagueando
rompendo a serena calma
mas se ainda chove neste mundo
a paz vai reinar em minh'alma
e faz-me dormir em paz
com as bênçãos que ela traz
Agora, o peito se faz de surdo
e a razão emudece,
um consenso absurdo entre os dois,
até parece que são unidos,
entretanto, pior é ficar no meio
do fogo cruzado
quando estão em constante conflito.
