Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Soneto da Despedida
Quando te vi passando por aquela porta,
Pareceu-me que ia junto contigo.
Senti o tormento me dando uma amostra
Do que seria viver sempre arrependido.
Arrependo-me por não ter tido a coragem
De estender minha mão e segurar a tua,
E dizer-te numa simples e doce mensagem:
Nunca se esqueça da minha triste figura.
A amarga ausência permanece no ar
E a inesperada partida ainda agoniza.
Se o meu sofrimento pudesse o tempo parar
E prolongar este abraço por uma eternidade,
Minha tristeza iria te mostrar
Que nunca te odiei, só a amei sem coragem.
(Besouro Revirado)
Soneto de Oitenta e Um
Em Tóquio, ergueu-se o sonho em chamas vivas,
Zico guiando o manto à imensidão,
Com passes, gols, jogadas tão altivas,
Fez do Brasil o dono da emoção.
Leandro, Júnior, Adílio — obra-prima,
Andrade, Nunes, raça sem pudor,
Na terra do sol, brilhou nossa rima,
Calou o Liverpool com seu fervor.
Foi mais que um jogo: foi libertação,
A taça do mundo em nossa mão,
A glória eterna em rubro-negro tom.
E desde então, a história eternizou,
O mundo viu o quanto o Mengo é bom,
Oitenta e um: o ano que não passou.
Edson Luiz ELO
Rio de Janeiro, Dezembro de 1981
O Soneto da Hora
A hora passa,
A vida em massa,
O tempo voa,
A alma à toa.
O relógio bate,
O peito late,
No silêncio,
Do momento.
A sombra cresce,
O dia esquece,
De quem ficou.
Na escuridão,
Só o coração,
Que não parou.
O Soneto do Fim
A luz se apaga,
A sombra vaga,
O dia finda,
A alma ainda.
O tempo corre,
A vida morre,
No chão de pedra,
Onde o mal medra.
É o fim da lida,
Noite esquecida,
Sem mais alento.
Na escuridão,
O coração,
Vira só vento.
O Soneto da Noite
A noite chega,
A luz se nega,
O medo vem,
Não há ninguém.
O vento frio,
No som do rio,
Traz o temor,
De um velho horror.
A sombra invade,
Pela cidade,
Todo o clarão.
Só a memória,
Conta a história,
Na escuridão.
SONETO DA SAUDADE
Lembrança amarga que entristece,
regendo no tempo um dissabor constante...
Reveste-se de incerteza a cada instante,
movendo moinhos de ventos que estarrece.
Lembrança doce que acorrenta,
maldizendo o destino que separa...
procurando o prazer que dessedenta,
em função da dor que não repara.
E assim, no barco de ilusões vertentes,
Desilusão é apenas ponto de partida...
em lúgubres águas correntes.
Tão triste quanto uma estrela sem vida,
a saudade em formas aparentes,
corroídas na dor sem uma despedida.
SONETO DO SEU OLHAR
O seu olhar é como um mar
Doces seus gestos, sua brandura
Quando singela me insinua
Sua pureza seu amor
Sou navegante como a lua
Flutuante no meio do escuro
te vendo, me encontro, és tão puro
Seu olhar me semeia ternura
o meu céu é estar ao teu lado
Sou livre no que me prende
É o seu olhar que me aprisiona
Enfim, parado, sigo em frente
E vejo o amor, não se estaciona
Nesse náufrago olhar, sou amado...
Quem me dera tivesse talento
escreveria um soneto de acalento
às almas perdidas.
Mas palavras me faltam
e o ritmo me abandona atordoada,
nas preocupações desse mar.
Breque!
Driblo o clichê
pra não dizer à você
que sinto muito.
Elaboro então uma rima
pra envolver sua sina,
que a felicidade a ti sorria.
Rejeito o padrão,
mostrar ao seu coração
que na vida há continuação.
O fardo da cruz
lhe trará a luz
e seguirá a diante.
Assim que o chover dessas lágrimas cessar
poderás continuar,
sabendo que nem tudo está perdido.
Não há inimigos;
e seus queridos
não mais desprotegidos,
descansam solenemente
desejando profundamente
que vocês sigam em frente.
Às almas perdidas, desejo a luz.
E aos que ficaram, desejo o conforto da aceitação.
SONETO 03
Na vida não se faz sempre o que se quer
Ter desejo aqui é uma batalha
É cansativo até pra quem trabalha
É como querer algo e só querer
Viver sem vida é apenas continuar
Sorrir nem sempre é estar sorrindo
Perder a vida é viver pedindo
Ajude-me, pois eu quero parar.
Fiz estes versos após uma tristeza
Que me feriram os olhos, a clareza
E agora vejo tudo em verdade
O detalhe ficou bem mais claro
Ter amor na vida é mais que raro
E mais raro existir santidade
12/03/2005
SONETO 04
Falo deste amor em quatorze versos
Como se Eu soubesse que um dia falaria
E disse que eternamente te amaria
E falaria sempre com olhos submersos
Eram lágrimas de minha soledade
Que estão sempre em minha vida
Não lembro que na infância querida
Senti tanto no sentimento saudade
Você pediu para eu sempre te amar
Eis-me aqui onde posso me realizar
Pois entre o que Eu te dei e o que te peço
Fico aqui sozinho com uma lembrança
Esperando alcançar numa esperança
A solução para o meu último verso
13/01/1997
Soneto Poesia de Homero...
Quem me dera ser como foi Homero
Que fora filósofo e poeta
Coração grande e sincero
D'alma pura e inquieta
Assim também eu espero
Ser um Sacerdote Asceta
Quero tudo com esmero
Quero minh'alma em alerta
Junto ao santíssimo Clero
Mesmo nessa lida incerta
A coisa que eu mais quero
É poder morar em Creta
Assim um dia eu espero
Viver a vida mais reta.
Falso Soneto II
Adeus, minha querida, adeus, meu amor!
Dei-te afeto, carinho, e tu, só me deste dor
Agora, vou-me embora, mas de ti não esqueço
Porque tão ingrata com quem te deu tanto apreço?
Fizeste-te escarlate aos meus primeiros cortejos
Agora, é com tristeza n’alma que eu te vejo
Entregaste-te a outro! Sabe que ele não te ama!
Não vale um vintém, bêbedo que minha musa profana!
Despeço-me agora de ti querida, não posso mais
Ver o que tu fazes comigo, mata-me aos poucos
Só queria ter os sorrisos, que tu me davas tempos atrás
Pois adeus, luz de minh’alma, não posso curar esta ferida
Não aguento teu desdém, teu descaso deixa-me louco
Morro, lembre-se de mim, como quem mais te amou em vida...
Anti-Soneto da Não-Materia
Na não-matéria agora estou, e existo
O pensamento pensa o pensamento
A ostra pensa a pérola por dentro
Sou meu reverso espelho e me contristo.
Na não-matéria, muitas vezes, tento
Em ser matéria pura, ou ser um misto
Na não-matéria não consigo isto,
e já que não consigo, falo, invento.
E finjo ser figura e sombra e luz
E finjo pro meu povo que sou pus,
que sou um resto puro de alvorada.
Na não-matéria não se loga, é triste!
E a gente fica sendo, porque existe,
Vaga ilusão de ser, não sendo nada.
Soneto da lamentação.
Valores me disseras, devaneá-los-ia.
Tentação, fossastes uma ilusão.
Em ti confiaste, a ti creditaste.
Fostes uma inspiração.
Mal tens uma oportunidade,
Caístes em traição.
Comumente, perdão o meu pediste.
Derradeiramente me enfureceste.
Deverias aceitar?
Se errando, porém, aprendemos,
Humanamente, assiálicos, lamentaremos.
Daria tudo por tais segundos, dizia ela.
Pra mim, soava como música o prantear dela.
Deveras perdoar? Quão os amava, cais orvalhos...
Um soneto preciso
Um soneto só, um soneto somente
Uma frase, um verso, uma vertente...
Delirante regozijo, um solene
sorriso!
Entres aspas, dois pontos e um improviso.
Porém, pobre soneto… ainda indeciso!
Mergulhado em sua métrica indiferente...
Sufocado pela fôrma em sua mente!
Mesmo assim fluindo! Se fazendo conciso!
Distribuí seus versos enfileiradamente!
Cataloga cada um, como uma forma de aviso...
Que a rima e o sentido, não são uma corrente!
Disfarça as palavras, faz-se incisivo..
Do disfarce, o último verso chega finalmente!
E com ele o fim do sentido! Um Soneto preciso...
FALO O AMOR, O QUE ESCREVO?
O SONETO ABAIXO É DO MEU LIVRO "JEITO FACÍLIMO".
FALO, FALE, FALEMOS DE AMOR
FALEMOS DE AMOR SEM SABER
ESCREVENDO FALANDO SEM PORQUÊ
ESCREVER OU FALAR, SEJA O QUE FOR
QUE SEJA O QUE O AMOR NÃO ESCREVE
FALANDO ESCREVENDO COM ARDOR
O "QUE" FALADO SEM POR FAVOR
ESCREVA: "QUE AMOR MAIS LEVE...."
LEVE O AMOR QUE ESTOU FALANDO
SEM ESCREVER O QUE NÃO LEVE
O ESCRITO AMOR QUE ESTOU AMANDO
AMANDO ESCREVO ESTA DOR:
QUE DOA O QUE FOR LEVE
FALANDO ESTOU DE AMOR
Soneto da flor da idade (P aldeiza de oliveira)
O dia aindaaesta raiando
Ha tempo pra tudo
Quando o sol, irradiando,
Vem surgindo nesse mundo.
As falhas cometidas, em vao,
Não estreitam a relacao
Tua com a do teu Criador
Se a maldade fosse aceita
A bondade perderia muito
De sua forca eleita
És humana, de forte intuito
Filha, mãe, irmã e amiga
Podes fazer tudo o que quiser
Na aurora de tua vida!
marco de 2010
Soneto a meu filho, José Messias, e para que agracie sempre a minha vida.
Sem programação alguma foste gerado
Dois apaixonados, sem pensar em consequencias
Ainda enamorados, e com muita inocência
Semearam tua vida e ficaste aconchegado.
À boca da noite, quando chegaste, imaculado,
Fizeste desaparecer toda agonia, com veemência
Através D'ele, o Deus da Providência
Que te deu a mim, perfeito e delicado!
Para os outros, és uma criança ainda,
Para mim, o serás por toda vida
Que sejas homem e virtuoso!
Quero estar contigo no lazer e na lida
E nunca, jamais me deixes sem guarida!
Vives! Pois, o Senhor te guarda e te abençoa...
SONETO DO GRANDE ENCONTRO
A vida tem mistérios e razões
que somos incapazes de entender.
Por que ficar tentando se prender
a tão simplórias leis, explicações?
Valeu a pena quando corações
cruzaram-se na noite sem saber,
que aquele era tempo de viver
a eterna história tema de canções.
Perfeito, pois não tinham intenção.
Bonito, pois ninguém o planejou.
Encontro de linguagem e visão.
E, juntos, eles brilham uma cor,
que não se vê nos pares do salão;
a cor que eu chamo vida, outro, amor.
FAÇO-TE UM POEMA
Sá de Freitas
Sandra Mello eis aí o meu poema,
É um soneto à mais linda flor dourada,
Que me torna essa página encantada,
Com perfumes de rosa e de alfazema.
És a jóia Sandrinha, rara e pura,
Que brilha entre as estrelas, na poesia,
Pois teu sorriso é uma fonte de alegria,
Que enche a nossa alma de ternura.
És bela, és simpática e atraente,
És amiga leal que docemente,
Fazes do coração o nosso abrigo.
Rogo a Deus que o tempo não consiga,
Fazer deixar-te de ser minha amiga,
Pois quero ser o teu eterno amigo.
