Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
A gente vê que ninguém é capaz de preencher o nosso vazio a não ser a nós mesmos. Mas eu sou muito pequeno pra isso.
Tenho que lidar com as ausências que carrego comigo e ninguém vê. Ausências que ninguém sente porque ninguém leva, além de mim.
Se isolar nunca resolveu o problema de ninguém, e essa nem é a intenção. O que acontece, é que às vezes, precisamos nos sentir apenas nos braços de Deus; longe de todo o barulho, confusão e vozes que não se acalam. De vez quando, só precisamos de um pouco de silêncio, para termos a certeza de que continua existindo o lado bom disso tudo.
Às vezes eu vejo coisas que quase ninguém vê. Pode ser que sejam apenas coisas da minha cabeça, ou talvez sejam as pessoas que não prestam a atenção em certos detalhes.
Por que ninguém me ouve?
Por que ninguém me vê?
Preciso de um doce e longo abraço,
do gostinho de você.
Por que me deixa sozinha?
Por que põem lágrimas no meu rosto?
Se no fim fico na minha
e você me mata desgosto.
Beije-me!
Por que não me beija?
Toque-me!
Por que não me toca?
Uma hora está comigo,
e na outra vai embora.
Deixa uma dor doce e lenta
que consome como fogo.
Ás vezes, acho que não liga.
Ás vezes, acho que não me quer.
Daí você volta e simplesmente fica
e não me sinto mais qualquer.
É muito hematoma, é muita porrada que a gente leva no decorrer do tempo, mas ninguém vê. E então você aprende, aprende cedo demais, que é só você e mais ninguém. São os seus problemas, os seus traumas, os seus medos. Ninguém vai se doer por você, entenda isso de uma vez por todas.
Acho que me ensinaram valores e princípios ultrapassados, pois não se vê ninguém que dê valor ao respeito e a dignidade.
Poesia é explicar algo que não se vê, para que ninguém entenda, e ainda sim, ser capaz de inventar um mundo novo dentro de cada pessoa, onde tudo é claro e real.
Há sempre um lado omisso, que não queremos mostrar para ninguém .Pensamentos conflituosos que, as vezes omitimos de nos mesmo.
"" Se você for pescar e não pegar nada, minta,mas minta muito, ninguém vai acreditar na verdade mesmo...""
ALMAS GÉMEAS
Ninguém me vê...
Acabrunhado
Ao mortificado,
Nesta cadeira velha
Que faz doer as cruzes
Deste esqueleto
Já absoleto
Que se senta
Rumo aos setenta
À espera de algumas luzes.
Ainda bem que ninguém me vê...
Neste cubículo escritório,
Em sistema de dormitório,
Para dar em cada dia ao mundo
Um poema infecundo
Teorema lógico
Dos axiomas
Postulados
Gravados
No sistema patológico
Rumo doloroso
Até conseguir o dialógico
Gostoso,
De ter alguém em simpatia,
Que todos os dias em sintonia,
Anima e faz viver a minha poesia.
(Carlos De Castro, in Há Hum Livro Por Escrever, em 15-05-2023)
Mostre a todos os seus sentimentos mas não os verdadeiros porque ninguém está interessado na sua verdade e sim na que satisfaça a sociedade.
