Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
A democracia exige instituições capazes de ouvir aquilo que o consenso dominante prefere não reconhecer.
Não se deslumbre com as dádivas dos reis deste mundo; talvez estejam apenas oferecendo aquilo que já não lhes faz falta.
Foco é aquilo que está em participação da sua disposição, qual não há distorção ou desistência na objetividade da emoção.
Aprendam a separar o joio do trigo. Aquilo que virem como mau/mal, joguem fora; aquilo que virem como bom/bem, guardem para si, caso assim o queiram.
O arquivo morto talvez seja apenas o lugar onde a instituição coloca aquilo que não sabe mais como escutar. O Prédio que Aprendeu a Escutar parte dessa hipótese.
MEU PURGATÓRIO É VOCÊ
Meu purgatório é você...
Meu inferno astral é tudo aquilo que pressupõe meu desejo.
Tudo e todos estão incutidos em mim:
As palavras, as ações, as aspirações e inspirações, tudo se volta como redemoinhos causados por inquietudes.
Porém, há algo novo dentro de mim.
Descobri minhas limitações e sorri de forma que deixei escapar um sorriso nervoso e triste, por saber que o super-homem que habita em mim falha todas as vezes que tenta salvar-me de perigos iminentes.
Desta forma, ando entre o certo e o duvidoso, só para saber se estou equilibrado. Mas cá entre nós: o que é e como equilibrar-se entre o tortuoso e o reto?
Eu já nem sei; só caminho e deixo-me pagar as dívidas cobradas pelo tempo.
Meu purgatório não é mais você; descobri ser eu mesmo, uma dualidade que não tem fim. Mas, insistindo em segurá-la para construir um paraíso só nosso, desvelando um inferno que se tornou só uma faísca no tempo perdido que resultou do contato de almas, eu me refiz.
Agora, almas que buscavam equilibrar-se na mesquinhez do ego saltam e dançam, ouvindo a música que toca em algum lugar fora do eixo dual de ambas!
Joguei fora para fora toda experiência de luz. Confrontei minhas trevas e não saí vencedor, mas descobri que em mim havia um lugar que não conhecia, um lugar sombrio, um limbo que descobri ter vários eus.
O purgatório se desfez, o inferno se foi e o paraíso não alcancei. Porém, segui meu caminho sabendo das novidades que existiam dentro do meu eu, e fui me equilibrando estrada afora. Sobre o quê?
Não sei. Só sei que fui, vou, estou e voei!
“Às vezes, a ilusão nasce da necessidade de dar sentido àquilo que ainda não conseguimos compreender.”
— Os`Cálmi
Ao fechar uma porta, certifique-se de que não está deixando do lado de fora aquilo que um dia você tanto pediu para entrar. Não é sobre a porta que estamos falando.
Hoje, ao avaliar minha trajetória, percebo que me sinto muito mais satisfeita com aquilo que entreguei ao mundo do que com aquilo que recebi nas relações interpessoais. Talvez porque tenha aprendido que o valor da minha caminhada não se mede pelo reconhecimento que recebi, pela reciprocidade que encontrei ou pelas expectativas que se cumpriram, mas pela coerência entre quem sou, aquilo em que acredito e o que sou capaz de construir.
Tenho orgulho do que entreguei, porque cada entrega carrega um pouco da minha essência. E, se nem sempre recebi na mesma medida, isso não diminui a grandeza do que ofereci. Apenas me ensina que posso continuar sendo quem sou sem deixar de reconhecer o que mereço receber.
Não se cobre tanto, não se culpe por aquilo que não depende apenas de você. Mas também não coloque toda a responsabilidade pelas suas frustrações sobre os ombros de outra pessoa. Afinal, ninguém é completamente culpado, assim como ninguém é totalmente inocente. Todos, de alguma forma, têm sua parcela de responsabilidade. O segredo está em reconhecer os próprios erros sem carregar culpas que não lhe pertencem.
Porque o tempo pode apagar muitas lembranças, mas dificilmente apaga aquilo que um bom professor planta em nossa consciência. Seu maior legado não está apenas no conhecimento que transmite, mas nas vidas que transforma e nos caminhos que ajuda a iluminar.
Um professor pode até sair da sala de aula, mas suas lições continuam vivendo em cada aluno que ajudou a se tornar alguém melhor.
A memória preserva não apenas aquilo que aconteceu, mas também as possibilidades de interpretação que o presente ainda não conseguiu realizar.
