Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
Para tudo aquilo que me feriu, o amor me curou. E esse é o meu maior trunfo. Porque o amor renova, resgata. O amor vem de dentro. É abundante. Nós temos todos os sentimentos dentro da gente, é verdade. Podemos sentir ódio e raiva, amor e desejo no mesmo instante, em direção à mesma pessoa. Mas a única coisa que não nos corrói é o amor. O amor nos alimenta e nos transborda. A raiva só nos faz mal. Às vezes, faz ainda pior com quem sente. Por isso, o amor me curou tantas vezes. Da tristeza, do luto, das despedidas inesperadas. Quando eu não tinha nada, me sobrou amar. A vida, um pássaro cantando na janela. A paisagem na estrada. A natureza acontecendo. A minha imagem no espelho. Uma roupa nova. Uma música nova tocando numa playlist aleatória. Uma nova série, um novo hobby, um novo filme. Amar alguém. Um novo sorriso que sorriu pra mim quando eu já nem esperava sorrir de novo. E sorri. E amei de novo. O amor me salva. Todos os dias.
A gente tem chamado de "doença" aquilo que se chama "vida". A gente está medicando algo que é próprio da existência que é o sofrimento.
Viviane Mosé
Talvez a maior decepção de existir seja descobrir que aquilo em que depositamos sentido também pode ser aquilo que nos ensina o absurdo de esperar. No fim, a vida não precisa nos destruir; basta nos deixar perceber, em silêncio, que algumas coisas que julgávamos abrigo eram apenas lugares onde ainda não havíamos aprendido a sentir frio. E continuamos — não por esperança, mas porque até a desistência exige uma razão, enquanto o coração, esse velho condenado, insiste em sentir mesmo quando a razão já entendeu.
"É IMPOSSÍVEL UMA PESSOA COMEÇAR A APRENDER ÀQUILO QUE PENSA QUE JÁ SABE"Epicteto
É uma atitude inteligente ter em mente que nunca é demais aprender.! Ademar de Borba
Serenidade para escutar além das palavras e sensibilidade para perceber aquilo que só o silêncio pode revelar.
O verdadeiro poder não está em mudar o mundo, mas em não deixar que o mundo mude aquilo que há de mais puro em você.
Já se foi a época em que não podíamos viver sem isto, aquilo e sem aquela pessoa. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Aquilo que foi tarde demais aconteceu há poucos instantes, portanto, sejamos rápidos em nossas reavaliações e arrependimentos.
"O que guardo no meu íntimo não são bons pensamentos. Verbalizo e materializo apenas aquilo que fará o outro nunca me esquecer."
Eu quero aquilo que interrompe o funcionamento normal das coisas.
o tipo de acontecimento que faz os velhos instintos parecerem obsoletos. que invade sem violência, mas quando vai embora leva junto a pessoa que existia cinco minutos antes.
não procuro conforto.
conforto conserva.
eu quero uma força que torne meus antigos refúgios inutilizáveis, que faça meus excessos perderem o gosto sem que eu precise travar guerra contra eles. quando a mudança é verdadeira, o esforço vira detalhe.
quero desaprender naturalmente.
como quem esquece um idioma porque encontrou outro mais bonito para pensar.
quero ser confrontado por algo que me obrigue a crescer na mesma velocidade em que destrói minhas desculpas. que embaralhe minhas certezas até eu não reconhecer mais o mapa que passei anos desenhando.
e, quando tudo terminar, que não reste a satisfação de ter vencido.
quero restar diferente.
há transformações que parecem acidentes.
as melhores sempre foram destino disfarçado.
porque existe um ponto em que insistir na antiga versão de si mesmo deixa de ser fidelidade.
e passa a ser desperdício.
ou talvez não.
talvez eu queira exatamente o contrário.
que nada me alcance fundo o bastante para exigir uma reconstrução. que tudo passe como passam os estranhos na calçada: vistos por um instante, esquecidos na esquina seguinte.
quero permanecer intacto.
que meus hábitos sobrevivam a qualquer novidade. que minhas convicções envelheçam comigo. que nenhuma experiência seja convincente o suficiente para mudar a direção dos meus passos.
não quero perder o gosto pelas velhas fugas.
nem descobrir um idioma novo se isso significar esquecer o primeiro.
prefiro os mesmos erros pela intimidade que construí com eles.
prefiro reconhecer o teto das minhas limitações do que correr o risco de descobrir que ele nunca existiu.
há uma tranquilidade quase elegante em jamais ser surpreendido.
em nunca precisar rever.
em nunca precisar ceder.
no fim, talvez a maior ambição seja essa:
atravessar a vida sem deixar que ela atravesse de volta.
"Existe uma obsessão humana em querer gerenciar aquilo que não lhe pertence. É a fiscalização da roupa, o palpite no comportamento, o peso do julgamento sobre a vida alheia. Que perda de tempo. O alheio é individual, imutável diante dos seus olhos e soberano na própria história. Deixe o outro ser outro. Quem gasta os dias tentando ditar o ritmo dos passos alheios acaba esquecendo como caminhar com as próprias pernas."
Sobre o Vazio (Diálogo)
"Eu não sei se aquilo que acho que preciso é realmente o que preciso… mas sei que devo procurar.”
— “E como pretendes procurar por algo que nem sequer sabes definir?”
“Não sei. Talvez certas buscas existam antes mesmo da compreensão delas.”
— “Ou talvez estejas apenas tentando dar sentido a um vazio comum.”
“Talvez. Mas ignorá-lo parece pior do que me perder tentando compreendê-lo.”
— “E se não houver nada para encontrar?”
“Então ao menos terei descoberto isso por mim mesmo.”
— “E se essa busca apenas te frustrar?”
“A frustração talvez seja inevitável para quem pensa demais sobre a própria existência.”
— “Então procuras respostas?”
“Não exatamente. Respostas costumam encerrar as coisas… e há algo em mim que não deseja um fim, apenas compreensão.”
— “Compreensão do quê?”
“Do vazio.
Dessa sensação constante de que existe algo faltando, mesmo quando aparentemente nada falta.”
— “E acreditas mesmo que encontrarás isso?”
“Não sei.
Talvez eu não encontre nada.
Talvez encontre exatamente aquilo que precisava.
Talvez o vazio se preencha.
Talvez ele se torne ainda maior.”
— “Ou talvez percebas que tudo isso nunca passou de ilusão.”
“Sim… ou talvez eu perceba algo ainda mais inquietante.”
— “O quê?”
“Que aquilo que passei a vida inteira procurando sempre esteve comigo… e eu simplesmente era incapaz de reconhecê-lo.”
Sobre o vazio (monólogo)
Eu não sei se aquilo que acho que preciso é realmente o que preciso… mas existe algo em mim que insiste que eu devo procurar.
Engraçado… como alguém procura por algo que nem sabe o que é?
Talvez eu esteja apenas correndo atrás de um vazio sem nome. Talvez eu esteja destinado à frustração. Ainda assim… ficar parado parece pior.
Então eu procuro.
Não porque eu saiba onde encontrar respostas, mas porque alguma coisa dentro de mim se recusa a aceitar que isso seja tudo.
Talvez eu não encontre nada.
Talvez eu encontre exatamente aquilo que precisava.
Talvez o vazio finalmente se preencha.
Talvez ele se torne ainda maior.
Ou talvez, no fim de tudo, eu perceba que nunca precisei procurar coisa alguma… porque aquilo que eu buscava já estava comigo desde o início.
E talvez seja isso que mais me assusta.
Não o vazio…
mas passar a vida inteira procurando algo sem perceber que já o carregava dentro de mim.
É tão bom alcançar pela graça e misericórdia de Deus, aquilo que os outros dizem que você não consegue!
A busca pelo segredo da lua revela que a eternidade não é aquilo que permanece, mas aquilo que se transforma em movimento, gerando fases contínuas na existência humana.
Reno Fioraso
