Sombra
Teus olhos são um segredo
que o tempo não desvenda,
um véu de sombra e luz
onde a alma fica suspensa.
De longe, são abismos,
noite sem lua ou estrelas,
mas de perto, claridade
que a meu poema inspira.
Não são negros, nem azuis,
nem cor que o mundo nomeia,
parece-me verdes em tons
que não existe em lugar nenhum.
Têm a cor do que se perde
e nunca mais se encontra,
são ecos de um silêncio.
Se a mágoa fosse visível,
teria esse olhar profundo,
um mar de ausência e desejo,
um céu sem chão, sem fundo.
E assim, entre sombras e luzes,
teus olhos me confundem:
ora são fogo, ora frio,
ora lembrança, ora esquecimento.
Mas se a mágoa tivesse cor,
seria da cor do teu olhar, amor
um mistério que não se decifra,
um verso que não tem fim.
E eu seria o vento que te envolve,
a sombra que te segue descalça,
o nome que te escapa dos lábios,
quando a noite se faz mais densa.
E eu sou o rio que não se cansa,
a margem que te espera quieta,
o segredo que guardas no peito,
mas que nunca confessas.
E eu seria o aroma da terra,
após a chuva que te refresca,
o brilho que se perde no espelho,
quando te olhas e não te enxergas.
E eu não sou a luz nem a escuridão,
só o crepúsculo que te confunde,
"Você sente o que eu não digo?"
Mesmo quando te calas.
E eu seria o eco da tua voz,
a falta que não se explica,
o abraço que nunca se desfaz,
mesmo quando te afastas.
E eu não sou o sonho nem o despertar,
só o instante que te suspende:
"Você lembra do que fomos?"
Mesmo quando não respondes.
Até quem um dia foi sombra pode, de repente, acenar como luz — e o coração, mesmo relutante, percebe que a vida adora escrever capítulos inesperados.
O homem que um dia foi muralha, hoje treme.
Meu pai, que já foi tempestade, agora é sombra do trovão.
Antes, sua voz era lei, sua presença, temor.
Erguia-se como torre inabalável, inquestionável.
Confrontava os frágeis, dominava os que dele dependiam.
Era força bruta, autoridade sem pausa,
um império de si mesmo.
Mas o tempo, esse escultor silencioso,
foi desgastando as pedras da sua rigidez.
Hoje o vejo com medo.
Não mais o medo que impunha,
mas o medo que sente.
Medo do fim, do esquecimento, da fragilidade que ele tanto desprezou.
E mesmo assim, a arrogância permanece.
Como armadura velha que ele se recusa a tirar,
como se admitir fraqueza fosse morrer antes da hora.
A prepotência não o deixou ou talvez ele nunca quis deixá-la.
Porque abrir mão do orgulho seria admitir que o tempo venceu.
E ele, que nunca soube perder,
prefere se agarrar ao que resta da sua antiga coroa.
Mas eu vejo.
Vejo o homem por trás do mito.
E, apesar de tudo, ainda é meu pai.
Mesmo que hoje ele não seja mais o gigante que um dia foi.
By Evans Araújo
Filho, algumas pessoas avistam uma árvore com interesse.
Aproximam-se buscando sombra para o cansaço, alimentam-se do fruto, recuperam as forças…
e, assim que se sentem bem, atiram o caroço contra ela.
Observe a vida dessas pessoas.
Elas não avançam, apenas transitam.
Vivem de árvore em árvore, de ajuda em ajuda, de relacionamento em relacionamento.
São incapazes de reconhecer a própria inutilidade, porque fogem do confronto.
Preferem culpar pessoas, culpar contextos, culpar circunstâncias.
Agora, observe a árvore.
Ela permanece firme, mesmo ferida.
Continua frutífera, mesmo rejeitada.
E segue grata, porque sabe quem é
independente de quem se alimenta dela.
A Paraíba está quente
De João Pessoa até Patos
Uns quarenta graus na sombra
Cozendo talheres e pratos
O fogo tá se bronzeando
Açudes evaporando
Quentura assando os sapatos!
Passo a passo, vou passando do passado que insiste me alcançar, mas seguindo vou afastando as sombras que queres me dar"...
"Falar nos momentos necessários é o que nos retira da sombra e nos coloca como protagonistas da nossa própria história."
Verso de Sombra e Luz
Cala-se o mundo, descansa o olhar,
No tom da cinza, me deixo encontrar.
Não preciso de cores para transbordar,
Pois no preto e no branco, a alma sabe falar.
Meus traços são versos, contornos da história,
Guardados no tempo, em viva memória.
Sem luz excessiva, mas cheia de glória,
Sou eu, em silêncio, minha própria vitória.
O DESPERTA DO SER
A espiritualidade não habita no que reluz,
mas no silêncio que a sombra produz.
É no escuro do peito, longe do vitral,
que pulsa a verdade, crua e visceral.
Não és o que vêm, nem o que dizes ser.
És o espaço imenso entre o querer e o fazer.
Quebre o vidro. Deixe a poeira entrar.
A essência só respira quando para de encenar.
O propósito não é ser o melhor espelho do mundo,
mas mergulhar no próprio abismo, calmo e profundo.
Só quem desiste de ser vitrine para os outros,
consegue, enfim, ser templo para si mesmo.
A sombra da mentira não permanece diante da Luz da Verdade de Deus; pois o Senhor dissipa as trevas e revela tudo o que está oculto.
“Uma sombra nunca pode impedir alguém de viver — ela não toca a vida, apenas a parede onde a luz decide não brilhar.” ✨
O egoísmo é a sombra que se ergue quando o "eu" se coloca acima de tudo, acima de todos, acima até de Deus. Ele se infiltra silencioso, disfarçado de cuidado próprio, mas na verdade é prisão que nos afasta do outro. É o gelo que congela relações, o silêncio que exclui, a exigência de que o mundo inteiro gire em torno de um único centro: o próprio ego.
Ele veste máscaras de amizade possessiva, onde o vínculo só existe se for exclusivo. Ele se revela na inveja, quando o brilho do outro incomoda, quando a felicidade alheia parece injusta, como se apenas nós fôssemos dignos de sorrir. O egoísmo é a recusa de celebrar o outro, é a incapacidade de reconhecer que a vida é feita de partilha.
Na sua essência, o egoísmo é solidão disfarçada de poder. É um coração fechado, incapaz de se abrir para o coletivo, incapaz de enxergar que o verdadeiro sentido da existência está no encontro, no abraço, na comunhão. Ele nos faz acreditar que somos donos de tudo, mas na verdade nos rouba o essencial: a capacidade de amar.
E quando o "eu" se torna absoluto, o mundo perde cor. A humanidade se torna cega, incapaz de ver além do próprio reflexo. O egoísmo é um espelho que só mostra a própria imagem, enquanto a empatia é uma janela que revela horizontes infinitos.
Superar o egoísmo é aprender a se doar sem esperar retorno. É reconhecer que o outro também merece, também sente, também sonha. É abrir mão da posse e abraçar a liberdade do amor. É lembrar que não somos o centro do universo, mas parte de uma grande teia onde cada vida importa.
O egoísmo é sombra, mas a empatia é luz. E só quando escolhemos a luz, o "eu" se transforma em "nós", e a humanidade reencontra o caminho da esperança.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Senhor, livra-nos do peso do egoísmo, da sombra que se ergue quando o "eu" se coloca acima de tudo, quando esquecemos que o amor é maior que qualquer vaidade.
O egoísmo congela os laços, transforma o silêncio em desprezo, faz do coração uma prisão onde só existe o próprio reflexo. Ele se disfarça de amizade possessiva, se revela na inveja que não suporta ver o outro feliz, se mostra na incapacidade de celebrar a vida que floresce além de nós.
Mas Tu nos chamas à empatia, à humildade que reconhece que não somos o centro do universo, ao amor que se doa sem esperar retorno, à fé que nos lembra que há algo maior que o "eu".
Que o egoísmo não seja nossa voz, que não seja nossa escolha, que não seja nossa herança.
Ensina-nos a abrir janelas em vez de erguer muros, a enxergar o outro como irmão, a transformar o "eu" em "nós".
Que a luz da empatia vença a sombra do egoísmo, e que a humanidade reencontre no amor o caminho da esperança.
