Som Alto
Não vá
Fica só um pouco mais
Eu não vou te pedir
Porque o melhor orgulho fala mais alto por mim
Não é porque eu quero, ele está me dominando.
Eu não vou te pedir; mas fica aqui
Quero o teu Abraço, posso até ser grossa mas amo quando você me abraça
Fica só mais um pouquinho
Eu Te Amo
Falo alto
No intenso barulho
Tenho a voz abafada
Chega a parecer
Quase o mesmo que nada
Em menor intensidade
Eu me escondo no silêncio
Das verdades não declaradas
Na alegria que eu minto sentir
Faço igual a essas pessoas
Que apenas esperam
Todo dia o fim do dia
E depois anoitecem
Na esperança
Que não amanheça.
Edson Ricardo Paiva.
O Vento soprava
E a folha caiu
lá do alto da galha
Parou num telhado
Enroscado numa telha
No resto da Ilha
O povo trabalha
Máquina debulha milho
O Rastelo ajunta a palha
Que o vento espalhava
Estudam as filhas
Malhava o martelo
a folha farfalha
Voa um pouco
Entope a calha
Atrapalha o escoamento
de toda produção nacional
E as coisas fogem ao normal
Agora, há de faltar feijão
Açafrão, limão, manjericão
doce de mamão e trigo pro pão
O comércio falha
O povo olha as prateleiras
Vê que as coisas
Sairam dos trilhos
Não tem pilha
Toalha de banho
Comida pros filhos
Colírio pros olhos
Coalhada pros velhos
Faltaram até
As migalhas pras gralhas
Que vão vasculhar
Justamente na calha
e palmilham a folha
Escoa o entulho
E tudo volta aos trilhos
Prossegue a batalha.
A vida é feita uma escada que temos que subir
não importa o quão alto consiga ou se esforce para chegar!
Haverá os que pulão vários degraus e acham estar no ponto mais alto
Haverá os que acham que esta difícil de mais subir degrau por degrau.
O que diferenciará você dos demais ou um dos outros é nada mais
que sabermos quantos degraus fomos capazes de subir superando nossos limites e adversidades. Pois se tivermos uma queda não importando a altura
que tivermos conquistado seja o penúltimo ou o último dos degraus.
Não nos abalaremos se tivermos que subi-los novamente por conhecer nossa capacidade de recomeçar do primeiro.
Eu gosto mesmo é de ser criança
Subir-me num pé de sonhos
Me arvorar no galho mais alto
E imaginar que esses anos passados
Foram só devaneios de infância
E que vou descer de lá
No meio de algum quintal que existe ainda
Pode ser naquela linda hora triste
Em que a mãe mandava ir tomar banho
E banhar-me de toda malícia
Dessa astúcia adquirida
Nas feridas que a vida trouxe
Enquanto a vida não tirou-me ainda
da mente essa doce lembrança
E de novo encher-me de sonhos
Criança nasce de novo, todo dia
E no dia que não mais for assim
Não é mais infância.
Criança deseja, sim
Ter aquilo que não tem
Mas, se não tiver, nem liga
Criança não é mulher e nem homem
Criança é criança
Come o que todos comem
Mas na hora de sonhar
Ninguém sonha melhor do que ela
Aquela briga boba pela vida
Ainda não lhe pertence
Tanto faz, quem vence ou quem vence
Pensa assim...e assim todos vencem
Criança tem paz, sorri para a vida
Não faz mal se a vida não sorri de volta
São tudo coisas da vida
E nada que a vida fizer
A convence a desistir de nada
Criança volta pra casa
Vencedora e satisfeita, todo dia
As dores de hoje
Não vão mais doer amanhã
Criança não tem
Cicatrizes na alma
Hoje, por maior seja
A calma com que eu desça
Do galho do pé de sonhos
Os velhos pés sentem dor
Pior é a dor de não saber
Se hoje o meu sonho maior
É o sonho de eu
Nunca mais subir lá
ou de lá
Nunca mais eu descer.
Edson Ricardo Paiva.
Sobe
lá no alto
Da melhor lembrança
Que tiver da vida
Mira-te
No mais claro e cristalino espelho
Busca calmamente
E responde a justa verdade
Pra teu coração somente
Enquanto a verdade é ainda oculta
Busca
Como no acalmar da lua
Quando a lua
Encara o mar sereno
Com o seu mais puro e pleno olhar
Se acaso desencontrar
Sobe mais no alto ainda
Relembra como era linda
A esperança
De uma hora poder ir até lá
No alto da melhor lembrança
E encontrar somente
Espelhos claros
Pra teu coração poder se olhar
Num difícil e mero olhar sincero
As flores partem junto à primavera
Impossível é negar-te eternamente
Pois a vida não é como o mundo a vê
O mundo é como a vida o vê
E nenhum dos dois é dono da razão
Diferente é a busca
Então
Se em algum momento
Não consegues mais admirar-te
E se vir somente
Olhos vermelhos de um tristonho olhar
Desça
Retome o caminho
E o refaça
Enquanto existe em ti
Ainda um traço de esperança
De modo a não guardar apenas
A lembrança de jardins distantes
Pequenas flores que sequer colheste
Percebe agora que viveste
Porém
Sem a graça da vida
Constantemente oculta
Dentro de você
Que nenhum caminho te mostrou
Há uma semente seca e morta
Escondida no mirar
O olhar que teu olhar não olha
Uma flor que teu chover não molha
O nome dela é alegria
E que apesar de morta
Morre e morre novamente
Todo dia.
Edson Ricardo Paiva.
Quando a gente era criança
E brincava de se esconder
E subia lá no alto, ia só de brincadeira...e ria
Ria, de incauto que era
E pulava de lá, por prazer
Pelo puro prazer de poder ouvir o ar que zunia
Uma vez fui encontrar lá em cima
Um pássaro que tinha desistido de voar
Daqueles, que quando dói, nunca se lastima
Não chora, não pede ajuda
Se recolhe no seu lamento. Finge morto, finge mudo
Se tinge de esquecimento
Enfim, nada escolhe na vida
E mesmo assim
Teve a escolha de sofrer calado
Eu conto essa passagem
Num poema bobo e sem rima
Porque desde pequeno
Eu também não podia chorar, nunca tive coragem
E jamais me ensinaram o jeito certo de falar com Deus
Pra dizer-me arrependido e nem pedir perdão
Nunca aprendi pedir nada pra Deus
Mas o certo era que o pobre pássaro
Pode ser que ele só fosse igual a esse que eu sou agora
Daqueles que quando chora...é só por dentro
Num lamento mudo
O pássaro caiu lá de cima
E nem me deve ter ouvido pedir perdão
Quedou-se no chão
Num tombo quase tão breve quanto uma vida
E ele também deve ter sentido
O ruido leve que zuni no ouvido
Que só ouve quem cai
Mas naquele momento
Como quase que tudo na vida
Não deu tempo pra nada
O pássaro mudo, morreu sem chorar, não deu tempo
Pode ser que eu, depois daquele dia, o tenha tido
Mas eu não chorei, nem naquele dia e nem nunca mais
Ajuntei todas as lágrimas que tinha pra chorar na vida
E quando vi que o pássaro ia subir pra Deus
Eu pedi pra ele levar.
Edson Ricardo Paiva.
Como criança
Você lança a pedra pro alto
E ri de alegria incomum
Aquela que só tem quem desconhece
Taca fogo na floresta imaginária
E pula de felicidade e dança
Dança como quem dança na chuva
Chuva cai como uma pedra
Apaga a chama da floresta
Lança pro alto a fumaça
Qual criança, desconhece a direção
Deixa por conta dos ventos que levam palavras
Elas vão como a fumaça
O destino da pedra era o chão
Quem sabe, uma vidraça
Não te cabe a direção dos ventos
Não se sabe a profundeza da lagoa
Onde se lança a pedra a saltitar mil vezes
As águas sempre se evaporam
E as nuvens choram de comum tristeza.
Edson Ricardo Paiva.
O medo de perder sempre falará mais alto que a esperança, isso serve para te fazer sofrer.
Deixa ela morrer não!
Não importa onde estamos…seja à beira de um lago, no alto de uma montanha ou parados na estrada. O sol sempre encontra um jeito de nos lembrar que a beleza está nos detalhes.
Daqui...do alto desta montanha!!!vejo que acabou a tempestade o sol voltou a brilhar o ceu está azul então volto a voar.
