Som
Era um som que vinha do cristal
Era como que uma espera
Fina fera que espantava o mal
Era como um vento leve
Que te leva a ver o mundo
Lá do alto da colina
Mas depois quebrou-se
Acabou-se o vidro do cristal
Coisa que se quebra à toa
Quando cai
Um barulho de algo bom que voa
Sempre vai...sempre termina
Pra mais tarde olhar-se ao longe
E de longe até parece boa
Mas aquele mesmo som de antes
Durante o tempo que soava bom
Não soa mais
E jamais de novo há de soar igual.
Edson Ricardo Paiva.
"De todos os presentes concedidos pela natureza, o mar é o mais extraordinário. O som do desdobrar de suas ondas, ressoa como música que serena a mente e eleva o pensamento para além do universo. Um fascínio onde o real se entrelaça a fantasia, na perspicácia sobre o mistério do sem fim."
O vento pode até arrancar um arbusto,
mas jamais uma floresta inteira.
Quando estamos juntos, somos inabaláveis. Unidos, nós vencemos.
Seguimos firmes, fortes e sempre em direção ao melhor. E que nenhuma serpente do maligno encontre espaço em nossos corações, que toda maldade seque, perca força e desapareça,
porque onde Deus habita, o mal não permanece.
"me lembrei que nem tudo é perfeito, o mundo se dobra ao som do tempo, cada momento, cada fracasso, cada estrela que aqui cairá, o som da ultima espada a enferrujar, o grito do ultimo homem a viver, o som do primeiro passo do homem, a humanidade daquilo que já se foi, uma simples amizade que já foi, tudo sempre com gosto de lixo, como mentiras, sub lixo, cada gota derramada nesse chão se torna sombra, cada sombra nesse mundo se devora, e o fim se torna leal."
Você é como o som das ondas do mar quebrando.
É a felicidade num momento triste.
É a calma em meio ao desespero.
É a clareza quando só existe caos.
É a esperança que surgiu quando tudo que eu conhecia era o medo.
É a confiança em meio a todas as inseguranças.
É a estrela mais brilhante e especial.
É o amor inexplicável que existe em cada poema, carta, livro, filme ou música de amor.
É a mais bela forma de arte.
Você não é o mundo, mas é o que o faz o mundo ser bom.
É o que faz a vida valer a pena.
A VENDA DO SENHOR LANDIM
Ainda me recordo, o som dos cascos do animal batendo forte na estrada, puxando a charrete azul, no raiar do dia.
Todo mês eu e meu pai deixávamos o sitio para irmos a cidade, era uma alegria danada, pois depois tanto tempo, chegou o dia. Ir na venda do senhor Landim, era algo especial tudo parecia tão grande e diferente da vida que conhecia.
Senhor Landim era um velho gordo, chato, mas que, vendia de tudo, arroz, feijão, fumo de corda, mortadela, manteiga derretida, carne seca, bacalhau até hoje, prefiro imaginar que o cheiro era do peixe.
Mas ali também se vendia uma preciosidade, uma iguaria para nos moleques do sitio, GUARDA CHUVINHAS DE CHOCOLATE, o melhor chocolate de todos os tempos. - Se esperava um mês inteiro, só para poder ganha um.
- E....
Exigia uma técnica para se comer, tudo era com muito cuidado:
- Primeiro: Retirava se o papel, devagar, comendo somente a pontinha, deliciando o manjar dos deuses.
E depois em um frenesi, enfiava todo resto na boca;
e só restava o cabinho.
Que por sinal, se mastigava por horas, tudo na esperança, de ainda ter um pouquinho do sabor.
A mente sabia, que, somente daí eternos trinta dias, teríamos a chance de ter, aquele delicioso prazer, novamente.
Passados mais de vinte anos, a venda ainda existe, e por incrível que pareça, os chocolates também.
Mas seria um crime, parar e comer um hoje.
Porque o encanto está na lembrança, que se tem do momento; E não, do chocolate hidrogenado que ele é feito.
Então guardo na memória o sabor, do melhor chocolate de todos.- Guarda chuva de chocolate da
VENDA DO SENHOR LANDIM.
A palavra é magia. A língua, um cajado de feiticeiro. E o som — ah, o som — é a matéria-prima da realidade ainda informe. Quando cantamos com o coração, vibramos o campo. Quando dizemos a verdade, limpamos o espaço. Quando silenciamos com sabedoria, preservamos o templo.
Dizem os cientistas, que desde que o mundo foi feito, ainda se ouve o som da criação a se propagar pelo universo (não sendo audível ao ser humano, pois temos limitações, tanto para vibrações sonoras baixas, assim como as vibrações altas). Será que o som é infinito? E se não tem fim, devo me preocupar com as minhas palavras e você? Não?
O silêncio é o som dissimulado, fora da frequência audível e carregado de significado, pois, comunica mais do que qualquer som que se possa ouvir e obriga o outro a criar sentido, enquanto o barulho entrega ele exige.
Corpos falam
sem precisar de som,
sussurros traduzem o que o peito cala,
o tempo para,
e tudo é só respiração
e gozo.
Inevitavelmente
me pego enamorada
pelo som da sua voz
um sussurro que apaixona
minha escuta.
Me pego
cantarolando,
falando
e recitando
meus pensamentos pra você.
Porque tudo
que eu quero
é dizer constantemente
o quanto
eu te amo.
Por isso lhe envio tantas mensagens
e por isso lhe tenho
tão perto de mim.
Um poeta tem que sofrer
Sem o sofrer não ha tom,
sem o tom nao ha som.
Deste mesmo som que
da tom no meu coração.
Só me lembro que você me tocou
e depois me esqueceu.
Esse mesmo eu que te venerou e desvaneceu.
E no fim da música dessa história,
a garganta ecoa o som estampido do grito rouco de tanto cantar em vão.
Porque dizer te amo,
Tenha cuidado com as tuas palavras cuidado.
Elas caem em mim como som,
caem com felicidade .
A tua simplicidade não chega em silêncio,
ela atravessa.
E na forma mais doce,
devasta a minha fragilidade sem ferir.
Sou feito de sentimentos expostos,
de um coração que sente antes de pensar,
e quando teu olhar descansa em mim,
até minhas defesas aprendem a respirar.
Ama-me sem pressa,
com gestos leves e verdades calmas.
Porque em mim,
cada palavra tua cria raiz
e floresce onde eu mais preciso de abrigo.
A noite.
A noite é o momento em que o som do nada se torna ensurdecedor.
Aquele silêncio que ora pressupôs paz, calor, de repente se desdobra em uma sinfonia desalinhada, suja, barulhenta, repleta de impudicícias e desarmonia.
É onde de repente, em um suspiro, a
sintonia se transforma naqueles pensamentos, velozes como a luz, ou como a ausência dela.
E então me pego pensando no Whisky barato, no vazio e no cansaço, no futuro, passado e no tempo que não passa quando as luzes se apagam.
E na noite.
A noite que dói, que trás vazio, falta, desespero, apego e mágoa. Que faz esperar um fio de luz em meio aquilo que não se pode enxergar.
Barulhenta e fria noite. Barulhenta e fria sátira.
E quando eles se vão...
Há um instante em que a casa muda de som.
Não é o silêncio das paredes, mas o eco do que fomos juntos.
Os filhos crescem, criam asas, partem.
Deixam o quarto arrumado, a cama feita —
e o coração dos pais desarrumado.
Já não pedem conselhos, já não esperam respostas.
Vivem seus próprios dias, e nós sorrimos, orgulhosos...
Mas por dentro, algo se parte em silêncio.
Ser pai e mãe de filhos adultos é amar sem invadir, é aprender a cuidar de longe, com gestos invisíveis e orações noturnas.
É guardar o cheiro da infância nas lembranças, o riso nos pratos preferidos.
E cada noite, pedir a Deus que os proteja, mesmo sabendo que o tempo agora é deles.
Porque o amor dos pais não se apaga —
apenas aprende a esperar.
Pacientemente.
Em silêncio.
Maxileandro França Lima, 08/10/2025
O som da voz doce e suave de uma garotinha ecoava pela rua deserta. A menininha pulava de cá para lá, de um lado para o outro, parecia que sua energia não tinha fim. A correria, a gritaria, a diversão encontrada foi a festa para aquela garotinha. Possivelmente de três ou quatro anos, cabelos vermelhos como brasa em chamas destacava a figura da criança que brincava alegremente. Vestidinho azul-claro, pouco amarrotado na frente e manchado atrás, orbes negros, reluzentes ao brilho do que ela sentia no momento... paz e alegria.
Do outro lado do bairro, em uma das mansões encontradas em uma das ruas mais movimentadas da cidade, um garotinho brincava com seu carrinho minúsculo, vermelhinho, de quatro rodas completas. Tinha acabado de começar a brincar. Quando uma morena de orbes negros aparece na porta blindada de vidro, aparentava ter uns vinte anos.
- Está na hora de ir para a escola. Venha se arrumar. - anuncia a mulher e carrega o garotinho junto dela.
Ás vezes, devemos apreciar as melhores coisas de nossas vidas. Por mais que sejam um mínimo detalhe, ou a diferença do tempo da infância...
Hoje uma estranha calma está em mim...Me sinto segura e um tanto felina...Acabou a pressa, tenho somente o desejo da espera...Observo como a loba espreitando sua presa...Sigo com olhares ...Pra enfeitiçar ...E sei que enfeitiço...Os encantos de uma feiticeira pronta e perfeita...Sei vai ser difícil sair da minha teia ...Por isso aviso ,se não quer ficar nem chegue perto...Se não quer se apaixonar ...Não viaje sob meu céu...Foge ...Mais foge rápido...
Não sei pegar de leve ...Eu me esparramo ... Eu inundo...Eu devoro..
Inspirado no som "Ouro" de Rubel
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"Instantes que fica."
Te guardo no peito
como quem segura água nas mãos:
sabendo que escapa,
sabendo que fica.
Há beleza no que some,
no que falha,
no que não promete —
e mesmo assim toca.
Você foi meu instante de ouro:
não o metal,
mas o brilho humilde
que aparece quando o sol bate
no que já estava quebrado.
E eu, tão cansado de buscar sentido,
encontrei no teu silêncio
um espelho.
O mundo segue mudo.
Mas quando penso em você,
ele cintila.
Não porque responde,
mas porque — por um momento —
eu paro de perguntar.
