Solitude e Solidão
Solitude
acordei pela manhã cedinho
sem ouvir os passáros
sem televisão ligada
sem barulho na cozinha
sem responsabilidade
sem...
sem várias coisas
Mas hoje acordei sendo eu
Solitude
Demétrio Sena - Magé
Deixarei você livre pra voar de mim
e sair dos meus olhos, em qualquer sentido,
ser o fim do meu sonho de alguém como eu,
que será desmentido em minha solitude...
É preciso acordar destes anos a fio
da mais longa ilusão que se pode nutrir;
será meu desafio acordar pra viver
de fingir que não tive um sono tão profundo...
Soltarei seu olhar para novas paisagens
ou viagens mais amplas do que meus limites,
aventuras que a vida resolver abrir...
Você tem outras águas nas quais desaguar,
apagar esta poça de suas lembranças;
ser luar; oceano; reflexo; espelho...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
𝙿𝙾𝙴𝙼𝙰: Asas da Solitude.
Os outros vizinhos murmuravam consigo sozinhos:
"Como é possível um gramado verde se manter
sem ao menos o auxílio de um jardineiro receber?"
Sorte ou desígnio,
por acaso ou planejado.
Recuso a caber no que é ditado.
somente acredito
que todo meu ocorrido
tenha estado desde o princípio
guardado sob o meu domínio.
Perdido entre flores do meu jardim
absorto nas possibilidades que cantavam para mim
mesmo que em canteiros áridos e em solo improvável
aquelas infímas chances cresceram ali sutis
constantemente açoitadas por medos hostis
ainda sim,
floresceram gentis
Quando as asas da solitude
te abraçarem então
e te levarem à imensuráveis altitudes,
contemple:
amplitudes de você surgirão.
Escrito por César Hioli e coproduzido por Fábio Kubiaki.
29/01/2026.
"Entre a paz da solitude e a ilusão das falsas companhias, escolho abraçar minha essência, nutrindo a alma com autenticidade e autoconhecimento."
“Convivemos socialmente porque nos exigem ou porque ansiamos por aplauso. Mas é na solitude que cessam os ruídos e finalmente nos ouvimos.”
A Solitude do Ser: O Tempo como Espelho e a Maturidade como Realidade
Por: Prof. Me. Yhulds Bueno
A percepção da solidão é uma construção temporal que raramente se revela durante o vigor da juventude. Em nossos anos iniciais, vivemos sob uma espécie de entorpecimento social, cercados por "andarilhos do tempo" figuras efêmeras que transitam por nossas trajetórias, compondo um cenário de aparente plenitude. Nessa fase, a juventude atua como uma lente distorcida, onde o movimento constante de pessoas é confundido com conexão, e a presença física é interpretada como permanência emocional.
À medida que avançamos, a vida adulta transforma nossa relação com o cronômetro. O tempo deixa de ser um pano de fundo para se tornar um protagonista ambíguo: ora aliado estratégico na construção de legados, ora adversário implacável na gestão das urgências. É um período de alta densidade, onde o fazer muitas vezes camufla o sentir.
Contudo, é ao cruzar o limiar dos 50 anos que a narrativa da existência sofre sua mudança mais profunda. A maturidade nos despe das ilusões coletivas. Surge, então, a consciência de uma solidão intrínseca, que independe do cenário exterior. Percebemos que, mesmo em casas repletas, ambientes de trabalho dinâmicos ou círculos sociais ativos, a essência do ser permanece isolada.
Essa revelação torna-se ainda mais aguda quando o mundo externo começa a silenciar. A rarefação dos convites e a escassez de lembretes funcionam como um termômetro social da nossa suposta "importância". É o momento em que o tempo, nosso algoz e mestre, nos força a encarar o espelho sem adornos.
Nessa fase, compreendemos que a jornada é, em última instância, um monólogo profundo. A maturidade não traz a solidão como um castigo, mas como uma verdade incontornável: a de que a única presença garantida do início ao fim é o encontro de nós com nós mesmos. Aceitar essa condição é o passo final para transformar o peso do isolamento na leveza da solitude.
Sob o manto de um céu infinito, encontra-se na solitude do campo o diálogo mais puro; onde o sopro do vento dita o ritmo e o canto dos pássaros traduz a paz que só o silêncio sabe cultivar.
Nos últimos anos, francamente, tenho aproveitado mais a companhia da minha solitude, fico isolado no meu mundo particular, em boa parte do meu tempo, até certo ponto é salutar, entretanto, a presença de pessoas continua sendo muito significante, umas mais do que outras, mas todas tiveram a sua participação, algumas delas ainda continuam participando e sem dúvida, certos momentos sem elas não seriam os mesmos.
Então, agradeço a Deus pela vida de cada uma com quem estive, principalmente, pelas que permanecem comigo, melhorando o meu dia, motivando o meu riso, dando sentido para vivências inesquecíveis, presentes sempre que possível, seja pessoalmente ou por mensagem, apesar da distância, das minhas imperfeições, dos imprevistos, da falta de condições favoráveis, que reforçam o fato de que a simplicidade por ser incrível
Não é errado desfrutarmos da nossa própria companhia, pelo contrário, é algo imprescindível, conviver ou ter que lidar com outros mundos, mesmo que, temporariamente, não é fácil, todavia, não é impossível, mais difícil deve ser para um eterno solitário, pois, certamente, com a solidão, determinados lugares e ocasiões seriam inexpressivos, descartáveis da mente, não teriam tanto brilho, portanto, ambos são necessários, a convivência com outros e o conviver consigo.
De mãos dadas com a minha solitude, em pensamentos conduzidos pelo meu imaginário, caminho sem pressa por um cenário de quietude, o cinza predominando o céu, sinal de que uma chuva se aproxima, o sol com um brilho discreto por detrás das nuvens, o mar desfrutando da sua calmaria e uma brisa suave nos acompanhando, alguns passos na areia, deixando pegadas, criando memórias de uma simples ocasião imaginada, todavia, uma verdadeiramente satisfatória, breve e marcante, compartilhada nestes versos como uma história talvez cativante graças a uma imagem do tempo fechado que abriu as portas do meu enfoque poético, o qual coloriu uma manhã nublada ao destacar fortemente o seu momento de calma.
Aprenda a ficar sozinha,
aprenda a gostar da sua companhia,
aprenda a ver beleza na solitude,
porque em algum momento da sua existência será você com você mesma e isso não pode ser um problema
Às vezes, tudo o que precisamos é de um café quente, um bom livro e da solitude para recarregarmos as energias.
Quando a solitude nasce da escolha e do equilíbrio, compreendemos que estar só é diferente de sentir-se sozinho. É nesse silêncio interior que passamos a valorizar ainda mais a presença, os afetos e as conexões humanas
A perfeição na solitude está em sermos preservados ainda inteiros, e não destroçados para nos encaixar ou agradar aos alheios.
