Solidão não é estar sozinho
Tudo o que amei, amei sozinho. A solidão é o estado original da alma quando ela não negocia consigo mesma. É nesse espaço sem plateia que o amor existe inteiro, sem função, sem utilidade, sem promessa. Só somos nós quando estamos sós. O resto é adaptação ao olhar alheio, ruído social, sobrevivência simbólica.
Sou um completo desconhecido para os outros. O que chega até eles são fragmentos, gestos toleráveis, versões aceitáveis. O essencial não atravessa. A identidade real não circula, não se presta, não se oferece. Ela permanece recolhida, densa, silenciosa. A alma humana não se deixa tocar sem perder forma.
Minha canção nasce no silêncio. No silêncio onde se cria o absurdo. Onde o impossível se organiza. Onde a palavra não explica, apenas existe. No silêncio onde se esconde o medo. O silêncio sustenta aquilo que não pede tradução, aquilo que não aceita clareza.
Essa é a autópsia da alma humana. Amar sozinho. Pensar sozinho. Existir sem testemunha. Permanecer inteiro longe da compreensão. O que importa não se anuncia. Não se justifica. Não se resolve. Fica. Em silêncio.
A solidão não é a ausência do outro, mas a presença plena de si mesmo. Quem teme estar sozinho é, na verdade, um estrangeiro dentro da própria alma. O sábio constrói a sua solidão como um castelo, não para se esconder do mundo, mas para governar o seu próprio ser sem interferências.
Não tema a solidão por medo de estar sozinho, tema por saber que isso significa que afastou todos que gostavam de você...
Solidão não é estar só. Quem, sozinho, consegue encontrar pedaços daquelas pessoas que ama em si mesmo, convive com a presença delas de uma forma que, por mais que não se possa ver ou tocar, somente o coração é capaz de percebê-las junto a si. Não há solidão quando a saudade, pelo menos em parte, se confunde com a presença.
O fato de estar sozinho, sem ninguém ao seu lado, não significa que você se SENTE sozinho. A solidão não é você estar ou não acompanhado de alguém. Você pode ter milhões de pessoas à sua volta e mesmo assim se sentir sozinho. É algo mais profundo, mais intenso, a solidão é uma coisa de dentro...não sei explicar, só sei sentir.
Parei de conversar comigo faz uns dias. Ando calado quando estou sozinho, não é por falta de solidão. Minha mente empurra umas idéias soltas, mas nada que seja plausível de uma boa discussão; eu e mim. Já fui mais de conversar com as paredes. Com o escuro quando estava frio, e de acompanhar as músicas quando as escutava. Será o começo de uma morte? Morrer em atividade é muito relativo, pode ser um descanso, ou uma eternidade.
Quando chove quero companhia. Dividir solidão sozinho vendo as lágrimas do céu caindo não tem graça.
Dizem que viver sozinho é muito melhor que mal-acompanhado. A solidão é um deserto e eu não acho certo esse velho ditado.
Não são minhas as palavras que digo em momento de solidão e não são minhas as palavras que sozinho digo. Mesmo saindo de minha boca e parecendo que são minhas, na verdade, não são. Tudo isso afirmo, porque sei, que se fossem minhas, talvez ninguém as ouvisse. Por isso eu digo com certeza, que não são. Se surte efeito ou não, que se dane. São minhas as palavras escritas, as editadas e as transformadas, que tento maquiar com borracha ou com backspace. Quem fala com a boca, apresenta o coração, e quem fala com as mãos, aparece como quiser. Mas isso também não importa. Nada importa. Só importa o que eu puder apresentar, então, mesmo sem ser, mas ter, encontro relevância sincera, mas sem nada, nada. Por isso entrego minhas palavras escritas, porque se forem ditas, não mais minhas seriam.
A solidão não é o ato de estar sozinho majoritariamente, você pode estar cercado de pessoas e não ver ninguém.
Sozinho em seu caminho
A solidão é sua profissão
E se a morte acontecer
Não adianta se arrepender
Não vai adianta voltar atrás
Se o indivíduo encontrar a sua paz
A solidão não reside em estar sozinho, e sim em se sentir solitário, mesmo estando no meio de muitos...
Solidão, meu bem! Solidão é quando você tem que rir, cantar e falar sozinho pra não esquecer o som da sua própria voz.
Rádio Cultura (anos 80)
Solidão, que companhia!
Sei que não tenho muito
Mas o meu eu
Sozinho consigo
Vive solitário
Sorrindo grato
Longe de ilusão
Possuindo paz
Desejando
Apenas
Um nada mais.
