Sobrevive Amor Acima de tudo
Eu me sinto meio que esquecido
a cada dia que se passa
mas não me sinto ressentido
na vida tudo tem um preço
talvez seja isso mesmo que eu mereça
enquanto caminho sozinho
com memórias cheias de ferrugem
eu me enxergo assim
incapaz de desenhar a vida
com as cores que agora exigem
sinto minhas mãos calejadas
os olhos cheios de fuligem
porém, caminho ainda
debaixo de um Sol escaldante
mas deixei de ser preponderante
já faz alguns invernos
momentos são sempre momentos
somente pensamentos são eternos
um dia a vida bate
e no outro a gente apanha
os dias de vitória vejo
cobertos por teias de aranha
a cada dia que passa
e descubro que na vida nunca tive
qualquer proeminência
e que junto com os sonhos
também há de naufragar
os dias que vivia na inocência
tem dias em que eu me sento
sob as sombras dos muros do inferno
mas Deus vem e diz que aquilo
que hoje é velho
amanhã será moderno
Se tens algo a realizar
não pense muito
vá e faça
é claro que tudo
deveria ser pensado
pesado, analisado,
medido e pesquisado
mas pense depressa
a análise, muitas vezes
rouba a graça
da realização
se fizer
sem prestar muita atenção
haverá muito mais chances
de te aproximares
daquilo que tens em mente
como a imagem da perfeição
sim, existem coisas perfeitas
feitas pura e simplesmente
de seguir a intuição
a maioria dos voos
que não resultaram
num pouso suave
foram realizados
por quem passou anos e anos
medindo e pesando e analisando
a nave.
Lua nova
vem mostrar que tudo muda
e nada se transforma
muito menos se renova
Lua nova, escura...apagada
e ao mesmo tempo cheia
faz lembrar
Que todas as conquistas desta vida
são simples castelos de areia
às margens de um Mar turbulento
Lua nova, faz-me ver
Que esta vida não passa de momento
o orgulho e a nobreza minguam, passam
Se esfumaça a soberba crescente
na escuridão da noite
aonde tanta gente
pensando-se oculta
insulta, engana e mente.
Nem todo dia é triste
Nem todo dia é feliz
Nem todo dia
Tudo dá errado
A vida é um rio
Que não pode ser detido
Não consegui
Tudo que eu quis
E nem me agradeceram
Pelo trabalho que eu tive
Mas eu fiz
Nem todo dia se vive
Nem todo dia cinzento
É triste
Não há vida
Em que tudo se conquiste
Nem todo dia é poesia
Poema, Luz e Canção
Nem todo dia é Sim
Em minha vida
A Maioria dos dias
Foram feitos de Não
Nem todo dia Alma
Muito menos Coração
Nem todo dia há Guerra
Nem todo dia é dia
Nem todo dia há paz
Muito Menos trabalho
Nem todo dia se pode fazer
Aquilo
Que normalmente a gente faz
Não há Dia
Sem Noite
Nem todo Rio
Que não pode ser detido
Corre livremente
Eternamente
Um dia finalmente
Ele há de desaguar
No Mar
Aonde desaparecem
Todas as tristezas causadas
Pela indiferença daqueles
Que diariamente
Nos Esquecem
Um dia
As águas haverão de misturar-se
E não haverá mais nada
Tuas mágoas
Serão somente lembrança
E não poderão
Ser encontradas
Se você muito reclama da claridade, aguarde. Deus vai te mandar a escuridão e, talvez, tudo se esclareça.
Não Sei
E isto é tudo que sei
E não há como saber
Quanto mais você
Quiser e procurar e perder
e pensar e sonhar sem dormir
e chegar e partir e tentar
e tentar e tentar e tentar
chegar aonde não queria
saber o que não sabia
desvendar o que se escondia
Um dia a gente acaba por entender
Que não há como saber.
Resumindo aquilo que você falou, eu concluo que é mais ou menos assim:
Tirando tudo, não sobra nada.
"De repente de degrau degrau continuamos subindo,
e vamos nos afastando de tudo e de todos,
que torceram ou colaboraram para que continuássemos
lá em baixo"
"Devemos buscar ter a visão igual ao da águia para conquistar tudo em nossa vida.
E ir nos permitindo sempre voar o mais alto possível.
Quem não vê isso como qualidade em nós e tenta nos fazer desistir.
Ou não acredita na própria mudança,
ou deixa as pessoas fazerem ela acreditar que sempre será como pombo e voará abaixo de seus sonhos a vida toda"
Depois que tudo se vai
A noite continua sendo escura
O dia claro
A rua também continua
Sendo recoberta pela pedra fria
Parece até que nada muda
E de vez em quando a chuva cai
Mas se a gente olha direito
Percebe
Que não chove mais do mesmo jeito
E mesmo as estrelas
Parecem não mais brilhar
Com a mesma intensidade
Pois
Pra falar a verdade
Depois
Um mais um
Não se pode dizer que são dois
Não mais agora
Depois que tudo se foi.
Edson Ricardo Paiva
Aquilo que tanto se procura
Tudo quanto nos tortura
Simples atalhos
Te carregam pra lugar distante
Que fica em frente
à altura dos olhos fechados
Na palma da alma
O Pacto de amor
Um traço de vida
Esboço de paz
Que jaz, por sobre pedra fria
E ainda assim
Te espera em algum canto de mundo
Num pranto sentido
Que não faz nenhum sentido
Apesar de aparentar
Algo um tanto mais profundo
Um desenho apagado de alma
Na parede desbotada
Que alguém pintou
Na semana passada
Normas que escreveu
E ninguém leu e nem cumpriu
Dias de noite clara
Raras noites
Cujas manhãs, um tanto mais escuras
Faz a gente olhar e não ver nada
Chuva que cai, se vai...ninguém se molha
Vida que se passa
Sem graça, sem sentido
Perde-se a vez
e outra vez é mês de abril
Olhos fechados
Ninguém viu
Edson Ricardo Paiva
Hoje
A tudo que olho
Alguma coisa tua eu vejo
Da textura do teu rosto
Ao gosto do teu beijo
O Som dos teus passos na rua
E os laços de afeto que criamos
Abraços que não mais nos demos
O amor que ...se acabou... não percebemos
A dor mais que incorreta da distância
No medo da demência que hoje sinto
Hoje, onde não vejo
Um olho te procura
No brilhar de cada estrela
No trilhar, tão solitário, que hoje vivo
De algum modo existe a tua permanência
Em teu vulto despontando no horizonte
Se alicerça a esperança de uma vida.
Edson Ricardo Paiva
Vai
Vai-te igual a tudo nesta vida
Vai
Vai-te pra sempre
Vai
E desaparece na escuridão da noite
Vai
Vai-te criatura das trevas
de anjo travestida
Mas vai
Vai-te pra sempre e me esquece
Vai
Desaparece de vez da minha vida.
Edson Ricardo Paiva.
Podia ter sido fácil
Mas nem tudo depende
da nossa vontade
Até que seja tarde em nossas vidas
Aliás
O Sol já por demais se pôs
E a cada dia mais mudo
Hoje mesmo o olhei
Até que sumisse de vista
Pensei no passado
Em cada conquista
Que podia ter sido tão fácil
Mas não dá pra eternizar
O momento ou lembrança
de cada abraço que se desfez
Agora cada passo
É sempre dado em direção oposta
Teria sido fácil
Mas tornou-se aposta
Insanidade insensata
Resta a ingrata missão
de saber e reconhecer
Que nem tudo depende
da nossa vontade
Há liberdade de escolha
E ao cair da última folha
Um grito lancinante de tristeza
de longe será ouvido
Diante da certeza
Que podia ter sido fácil
Mas aquilo que tanto queria
E podia ter sido fácil
Longe se vai
Deixando pra sempre o vazio
Que essa ausência traz
A felicidade já terá partido
Dessa vez pra nunca mais..
Edson Ricardo Paiva
Agora
Tudo que eu queria
Era ouvir uma canção
Para dormir
Hoje
As canções que eu ouço
E que mais ouvi na vida
Foram canções de ida
E despedida
Se eu soubesse fazer poesia
Escrevia pra você
A canção mais suave
Um poema bonito
Com letra meio tremida
Eu diria alguma coisa
Qualquer coisa sobre chegada
Ao invés de partida
Uma frase sobre carinho e bem-querença
Algo assim; sobre ficar
Em qualquer lugar bendito
Um cântaro de água gelada
Um sorriso
Meia xícara de chá
Algum espaço qualquer
Onde eu pudesse sonhar
Olhar pros lados
Me sentir em paz
Agora
Tudo que eu queria
Estar distante
Ainda assim
Próximo e diante de um olhar
Que brilhasse ao máximo por mim
Só pra mim e mais ninguém
Eu sei que deve haver
Um olhar assim
Em algum lugar do mundo
Este imenso vazio
Não é possível que não haja alguém
Que sinta alguma espécie de arrepio
Uma certa alegria ao me ver chegar
Queria que me dissesse
No simples gesto de um lindo olhar
Pra esquecer a tristeza, o passado
... o resto
Me abraçasse com carinho
E me pedisse pra ficar.
Edson Ricardo Paiva.
Em seu trajeto pelo espaço
O Universo revolve
Abstrato e concreto
Enquanto tudo se move
O tempo muda as coisas de lugar
Ou modifica as que permanecem
Outono, as folhas caem
Primavera, outras crescem
Os raios de Sol e a água e outro ar
Renovando promessas
Os pássaros retornam de verões distantes
Percebem no primeiro instante
O viço da folhagem nova
Tudo até parece igual
Mas as flores recém-chegadas
Se postas à prova
e lhes fosse permitido algo dizer
descreveriam essa euforia de reencontro
Como sendo-lhes algo estranho e sem sentido
Pois, a olhar para os mesmos pássaros
À elas, não significa nada
Simplesmente não os reconhecem.
Pois é na sutileza inconteste
do jeito que as coisas são
Que se esconde
a pureza do conhecimento
Ter vivido a vida
momento a momento
No mais, tudo é sofisma
É luz enganosa
Que se decompõe
Sob o prisma do menor confronto
Universo em documento
Eternamente pronto e aberto
Peneirando eternamente
Não se dobra a nenhuma vaidade
Consolidando a verdade
O resto é coisa que voa ao vento
Bastaria pra nós
O gesto de simples pensamento
Mas a mera simplicidade
É coisa que há muito tempo
Foi relegada à espera,
Perdida
em meio a tantos outros compromissos
Na esfera do esquecimento ela aguarda
Enquanto bem poucos aprendem
Que precisamos de menos disso
Mas ao mesmo tempo
Um pouco mais que isso.
Edson Ricardo Paiva.
Nada
Nesta vida ou neste mundo
Nos pertence
Apesar de tudo que fazes
Ou que sabes
O sapato apertado
A alegria que não te cabe
Cada dia ... cada segundo
Os olhos inchados de tristeza
A promessa vazia
A gula engolida
A ira, orgulho, a vingança
Voz desafinada
Os passos errados
Na dança do dia-a-dia
Melodia do tempo
A travessa de salada
Cada passo apressado
A cara amassada de tanto descanso
Nem mesmo o descaso
Que usam pra te afligir.
Eu, quando em criança
Vencia a corrida
E pensava que os pés eram meus
Cada ordenado recebido
Por cada trabalho malfeito
Eu fazia de conta que era meu
Assim como tudo na vida
Cada elogio, sincero ou fingido
Que eu hoje em dia não mais eu espero
Por cada poema mal escrito
Seja ele feio ou bonito
Eu pensava ou fazia de conta
Que eram meus ou pra mim
Assim como cada coisa errada
E cada coisa na qual eu não quero pensar
Cada marca de pés sujos
deixados ao longe na estrada
A comida que ficou salgada
Cada culpa atribuida
A palavra que não foi escrita
As contas que não davam certo
Nas lousas da infância
Nas coisas da vida
A pedra que não alcançou a vidraça
Na verdade não passou nem perto
E agora eu não sei
Se foi erro
ou se errar
foi o certo
Cada mentira mal contada, que a mãe descobria
E a dor das chineladas que levei da vida
Agora eu sei
Somente as dores e as risadas são da gente
Não se leva culpa
Nem talento
A vida é uma mera ilusão
Arrastada no vento
Um dia você olha tudo isso
E fica feliz ou se arrepende
O mundo ensina coisas
Lições que jamais se aprende
Mas um dia ouve tocar
O sinal de saida
E percebe, no apagar das luzes
Que da vida
Não se leva nada.
Edson Ricardo Paiva.
Não se pode segurar o tempo
É difícil saber
A maneira certa
de prender a vida
Assim como a tudo
Que nela houver
Mas, numa tarde qualquer
Acontece de olhar
O vento e a chuva na janela
E guardar no coração
Que nem magia
A chuva que caiu naquele dia
Mesmo sem perceber
A gente vai vivendo
E não enxerga o quanto é triste
O olhar insistente
A buscar somente
O brilhar da prata
Um tosco brilhar que ofusca
A arte da luz do Sol
Que parte e que se reparte
Numa humilde bolha de sabão
E flutua leve, ao sabor da brisa
Mas a pressa de viver
Não deixa ver
Que é dessa simplicidade
Que a vida precisa
E vai ficar eternamente
Se a mão da gente
Pesar feito pluma
Só então se aprende
A repartir a vida
Igual o brilho da espuma
Parte a luz
Com força suficiente
Pra dividi-la e deixá-la ir
Muito tempo se perde
Até que se perceba
Em quanto poder existe
Quando a força da mão é leve
Então
O dom de prender a vida
E vivê-la feliz
Grato a tudo que nela houver
Veja que não importa
O quão breve ela seja.
Edson Ricardo Paiva.
Depois de tudo
Após, talvez, à própria vida
Há que vir a vez de se mostrar
O que esconde
Esse imenso mar de ilusão
Que chega mesmo a ser sombrio
Pois quando amanhece o dia
Resta ainda sobre ele
Um denso nevoeiro, que se formou
Durante a longa madrugada fria
Pode ser que um dia saiba
O que é que havia
Atrás daquele muro alto
Que eu via na infância
E que ficava
Debaixo da lava do vulcão
da ilha de Java
Só que esse
Escondido
do outro lado da lua
Num lugar onde morrem os medos
e que ao mesmo tempo
É a nascente
de todos os sonhos
Que de tão sonhados foram
Desgastaram
Um lugar onde o grito jamais alcança
Por mais que apertasse os olhos
E lançasse no breu do meu quarto
Um gemido baixo e lancinante
Tristemente guardado
E que só quem o ouvia era eu.
Edson Ricardo Paiva.
"Arrependimento é um male que só aflige aos que outrora foram portadores da certeza. Tudo mais é fatalidade"
Edson Ricardo Paiva
