So Nao Muda de Ideias que Nao as tem

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Natureza e Liberdade


Não existe vida sem liberdade e humanidade.
Por que a união se tornou tão corrompida?
Onde está a vida, senão na natureza?
Em tudo, sou levada a acreditar
Em uma utopia pessoal.
Somos feitos de esperança;
Somos feitos de dor;
Feitos de almas aprisionadas em carne,
Limitados.
Onde está a vida, senão de onde viemos?
Viva e retorne!
O fim é o começo.


- Ramile Godon

Estilhaços do Espírito


Eu tenho que esconder,
Esconder o que eu sinto
Por não conseguir
Contar todas, completamente,
Contar todas as feridas.
Todos os cortes e machucados,
As lesões que eles me deram,
Todos os algozes,
Todos os que prometeram me proteger.


Pois estou com minha própria sombra,
Com minha própria espada,
Com minha própria mente,
Como sempre estive.
Até quando pensei que não.


Mas, agora, está pesado demais.
Não há quem salve,
Não há quem permaneça.
Os assassinos foram embora,
Os traidores riram.
Deixaram as consequências,
E a culpa foi transferida para os inocentes.


Vou nadar de volta até a superfície novamente.
Vou puxar os passos
Mesmo com o peso dos ferros nos meus tornozelos,
Vou forçar a mente
Mesmo com as feridas de chumbo.
Mesmo com lágrimas de sangue,
Seguirei lutando.
Pois ainda há fôlego de espírito,
Até o meu descanso chegar.
Minha alma ainda está aqui.


- Ramile Godon

Labirinto de Sombras


Eu simplesmente deveria,
Mas não consigo abandonar tudo.
Se eu simplismente não me importasse,
De qualquer forma,
Eles me pertubam.


Preciso me distanciar.
O inferno é aqui.
Não vale a pena.
A vida se consome,
O espirito se perturba.
Não vale a pena.
Alma em turbulência.


Em minha direção,
Vejo a luz se apagando,
Abandonada para a morte.
Por quê?
Estou tentando me salvar,
Estou fazendo isso sozinha.
O divino não estende a mão
E o mortal não ama.
Corro nesse labirinto
Para alcançar a luz.


- Ramie Godon

Catarse de Fogo Verde

Cessará, cessará o latejamento.
As correntes de espinhos não vão mais rasgar a pele e a carne no calor.
A lâmina não precisará mais cortar o pulso.
E a noite será igualmente o conforto de todos.

Padrões em fluxos,
Ondas de carne,
Os bipedes sem essência.
Tomadas em explosões de descarga.

Retome o frescor depois de desmaiar,
A energia e a cobra-hiena voltará.
Sempre a espreita da coluna de ferro,
Sempre na estação mais próxima.
Tocha, espada e canivete na mão.

Ateie fogo verde e veneno nos demônios do escaldo,
Pois os demônios não suportam o próprio veneno.
Espada desembainhada.

- Ramile Godon

Reino do Desalento


Já percebi a tática dos predadores,
Mas não vejo a coragem dos caçadores.
Os contrutores não fortalecem a muralha, ela está cheia de buracos e falhas.
Os cadetes estão cheios de vaidade e orgulho, mas com atitudes fracas.
Os predadores sempre tomam algo, e os soldados e o povo se culpam entre si.
Matam e fazem escárnio daqueles se levantam, os rebeldes, os líderes de espírito elevado, os revolucionários.
Os inimigos sempre dominam e os aliados só levam esse título sem prática.
Divididos, vaidosos e orgulhosos no povoado de ruínas.
Um povo que se comporta e tem instintos de fera canina.
Que tem orgulho da glória e inteligência dos outros povos.
Mas odeia o seu próprio povo e fica inerte na destruição.
Nação que veste as túnicas da contradição,
Aquela que diz venerar a entidade divina da criação, mas adora a destruição.


- Ramile Godon

Explosão de Sangue Solar

Não há mais saída. Colapsou.
O alerta da porta de saída pisca em vermelho.
Correr é inútil; ficar é inútil.
Assista ao pôr do sol como quiser,
como e onde quiser,
com o que estiver fazendo.

Minhas artérias explodirão com o grito do sol.
Seus olhos choram sangue.
Minha alma grita, agonizando.
Meu espírito se debate.

Eu peço perdão.
Eu me reconcilio com a vida.
Ela acaba aqui, finalmente.

- Ramile Godon

Hoje parei diante do espelho
e, por alguns instantes, não reconheci apenas o meu rosto.
Reconheci o tempo.

Vi nas marcas da pele as páginas de uma história que só eu conheço.
Cada linha, uma lembrança.
Cada sinal, um caminho percorrido.
Cada olhar, um pouco de tudo aquilo que fui
e de tudo aquilo que ainda estou aprendendo a ser.

A vida passa…
silenciosa, ligeira, quase sem pedir licença.
E quando percebemos, alguns sonhos ficaram pelo caminho,
outros nasceram de novo,
e alguns simplesmente deixaram de fazer sentido.

Já sonhei tanto com o amanhã.
Já imaginei futuros inteiros dentro do coração.
Hoje, às vezes, olho para frente e não sei exatamente o que desejo encontrar.

E talvez isso também seja parte da vida.

Talvez nem sempre seja preciso ter um grande sonho,
um destino certo,
ou respostas para todas as perguntas.

Talvez, depois de atravessar tantas tempestades,
a gente passe a desejar apenas aquilo que o coração realmente precisa:

paz.

Paz na alma para fazer as pazes com o passado.
Paz na mente para silenciar aquilo que já não merece espaço.
Paz no coração para aceitar que algumas pessoas são passagem,
alguns sonhos são despedidas
e alguns finais são, na verdade, recomeços.

Hoje eu olho para as marcas que o tempo deixou em mim
e já não quero escondê-las.

Elas me lembram que eu vivi.
Que amei.
Que chorei.
Que perdi.
Que recomecei.
Que, mesmo quando pensei não conseguir,
continuei caminhando.

Ainda estou aqui.

Talvez essa seja a parte mais bonita da história.

O tempo levou algumas coisas,
mudou outras,
e deixou marcas que não posso apagar.

Mas também me trouxe uma compreensão que antes eu não tinha:

não quero mais uma vida perfeita.
Quero uma vida que faça sentido para a minha alma.

Quero dias tranquilos,
abraços sinceros,
risos que cheguem sem esforço,
silêncios que não doam
e um coração que finalmente possa descansar.

E quando eu me olhar novamente no espelho,
quero enxergar muito mais do que o rosto que envelheceu.

Quero enxergar a mulher que resistiu.

A mulher que ainda sente.
Ainda sonha, mesmo que de outra maneira.
Ainda acredita.
Ainda está aprendendo.

Porque talvez envelhecer não seja perder a beleza da vida.

Talvez seja finalmente descobrir
onde ela realmente mora.

E hoje, mais do que qualquer coisa,
eu só quero que ela more em mim
com serenidade,
com gratidão
e, acima de tudo,
com paz. 🌷

Do silêncio em mim


E eu não lhe disse nada...
E, o silêncio que se fez em mim, disse-lhe tudo.
No peito ficou guardado o que não encontrou coragem na voz.
Engasguei-me com a dor e o medo do som das palavras que poderiam de mim sair.
E cá estou eu: vivendo há séculos de frases inacabadas... palavras tartamudeadas, balbuciadas, só dentro de mim...

Traga-me algo que está dentro
Mas não esses truques, eles não são divertidos.

⁠"Sou onde não penso, penso onde não sou."

A vida não desmorona de uma vez. Ela se desgasta aos poucos.


No “depois eu resolvo”.
No “mais pra frente eu decido”.


É assim que o tempo perde o prazo.


E cada coisa que você empurra
para amanhã vai cobrar um preço depois.


A vida não muda com grandes discursos, ela muda no “agora eu faço”.

“Ser indígena, cigano ou hippie não é escolha, é essência: nasce-se assim.”

"Não fuja de si, mesmo que doa. Às vezes, seguir em frente exige deixar para trás o que já não cabe em quem você está se tornando. Recomeçar não é fracassar; é escolher não permanecer onde você deixou de florescer."

Ampulheta Entupida
Sobre o Abraço que não dei
Sobre a oportunidade que deixei passar
Sobre a conjugação do verbo ter
A vontade de abraçar
Tive todo o tempo do mundo
De abraçar quem quero bem
Hoje me sobra o tempo
Mas não posso abraçar ninguém
Tenho uma ampulheta entupida, na qual o tempo ali não passa
Assim agora é a vida, de alguém que não abraça
Preto e branco, gelada
Vida vazia e sem graça
Não é sobre nao saber abraçar
É sobre não ter dado valor ao tempo
Que se deixou escapar
Hoje tenho todo tempo do mundo
Mas dele nao posso desfrutar
O desfrute de um abraço, em que eu abraço, tu abraças
É. Hoje só posso conjugar
Se hoje eu pudesse dar um abraço, o
descreveria sem hesitar
Sobre o sentido de um abraço
Capaz de fazer o tempo parar
Um tempo que não se quer que acabe
Quando dentro de um abraço está...
Como é bom quando a gente sente
Um abraço de um abraço quente
O cansaço se torna ausente
A tristeza menos presente
O querer bem não se torna indiferente
Aquele abraço que abraça
Que pede um pouco mais de demora
Se torna tão importante
Que a gente quer que aquele instante Permaneça, fique e não vá embora
Quem o sente guarda na memória
Num cantinho ali da mente
Aquele abraço que abraça
Tornando feliz a vida da gente

Um narcisista não admite soberania alguma que não seja a sua.

Se não for pra sorrir, nao fico e nem vou. Nem se achegue.

Que tudo o que transborda de bom em mim alcance a todos: os que me querem bem e os que não me querem, também.

Não existe corpo mudo. Muitas vezes ele fala mais que uma boca.

Que saudade boba é essa que ainda não chegou até mim em forma de abraço demorado?

O dia em que Vênus encontrou a Lua,
ambos incandescentes.
Não era uma Lua minguante,
e sim uma Lua crescente.
Apareceram quando o Sol se escondia,
no poente.
Conjunção inconfundível,
atraente.
Nunca tinha visto um planeta,
nem mesmo numa luneta.
Mas agora, vejas tu,
eu posso ver Vênus,
não pela luneta,
mas sim a olho nu.
Registrei no meu olhar
e, depois, na fotografia,
uma imagem rara.
Eu nem sabia que existia.
E ali, logo abaixo, Júpiter,
tímido diante da luz reluzente da dupla que brilhava e reluzia.