So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
Toda queixa carrega um clamor, toda queixa revela um pedido de amor.
Toda queixa disfarça um desejo, todo desejo suplica por amor.
Toda queixa é um grito contido, todo grito é amor não ouvido.
Toda queixa é um gesto velado, todo gesto é amor camuflado.
Toda queixa é um eco tardio, um amor ferido, um vazio.
Escutar a dor do outro sem ceder ao impulso de rotular, julgar, condenar, enquadrar, e sem a pressa de medicalizar.
Perder referências, perder o norte, perder o apoio, perder o suporte
é quase uma morte, mesmo para os fortes.
Excesso de estímulos e cobranças apressam
um vazio que avança,
uma solidão que se lança,
um cansaço que não descansa.
Afeto com entrega é escuta que acolhe sem perder a leveza; é cuidado que abraça; é presença que compreende antes que a mente se apresse e o olhar condene.
Para o utilitarismo, o certo é o que reduz o sofrimento e nos faz viver mais felizes — fugir da dor e buscar o bem-estar define o caminho moral.
O capitalismo transformou o mundo num parque temático de realidades fabricadas e subjetividades capturadas, onde nada escapa nem mesmo a alma.
Justiça é o limite, o freio e a razão, a ponte que separa o direito da opressão.
Sem ela, o poder se torna tirania, e o direito, apenas face da violência fria.
Viver sem moldura nem armadura é deixar a dor chegar, chorar sem receio, sentir no peito, permitir-se ser ferido, partido, refeito.
Vida é risco abraçado, desejo ousado, feito comemorado, peito marcado, velório demorado, luto chorado, no tempo dedicado.
Viver é estar no agora nos risos, nos gritos, nos imprevistos, no abraço do tempo, no passo torto, no susto, nas dores e nos sabores.
