So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa
Eu sou o que sou...
Não penso que sou aquilo ou aquele que não sou ou nunca fui.
Portanto o importante é que sejamos livres e sinceros.
Não penso ser alguém que eu não tenha capacidade de se-lo.
E se você não pode ser igual a mim, seja você mesmo , já alguma ou muita coisa !
Quem sabe até melhor !
Sendo uma pessoa melhor a cada dia...
Gilberto Braga
O futuro não será para quem saberá tudo, mas para quem continuar disposto a aprender aquilo que ainda não sabe
O REINO QUE O SILÊNCIO HERDOU.
Chamaram desventura aquilo que me veste;
não viram, sob as cinzas, um império celeste.
Enquanto o mundo inteiro festejava a ilusão,
ergui catedrais de sombras da minha solidão.
Nenhuma voz permaneceu na última janela,
somente a noite antiga, majestosa e singela.
O vento, qual monarca sem reino para guiar,
coroou meu desalento com um trêmulo luar.
Aprendi que o abandono possui dedos de gelo,
lapidando lentamente cada sonho mais belo.
Quem perde tudo cedo conhece outro esplendor:
o diamante ocultado sob montanhas de dor.
A saudade não caminha; desfila soberana,
vestida de crepúsculos, tecendo a madrugada insana.
Cada passo ressoava qual sino sepulcral;
cada lágrima esculpia um destino colossal.
Não roguei piedade às estrelas tão indiferentes,
nem curvei minhas esperanças diante dos presentes.
Fiz do peito devastado um castelo sem igual;
das ruínas, uma harpa; do pranto, um vendaval.
Vi jardins desfalecendo nas mãos do temporal,
rosas transformadas cedo em silêncio mineral.
Mesmo assim, meu coração, sem jamais retroceder,
abraçou o impossível para não enlouquecer.
Há ausências que possuem o peso das montanhas;
há lembranças escondidas sob antigas entranhas.
Toda fotografia guarda um adeus cristalino;
todo beijo interrompido conhece o desatino.
Então compreendi, enfim, o mistério derradeiro:
quem atravessa o vazio torna-se mais inteiro.
Porque o abismo ensina sem precisar explicar;
faz sangrar cada esperança para depois lapidar.
E, quando a aurora vier buscar meu derradeiro dia,
não encontrará derrota, tampouco covardia.
Verá apenas um homem, de joelhos, sem coroa,
cuja alma permaneceu onde ninguém mais ecoa.
Ali, entre eternidades que ninguém alcançou,
erguerei meu nome mudo onde o tempo se calou.
Pois existe um trono oculto, impossível de enxergar,
reservado aos que aprenderam a sofrer sem suplicar.
Minha princesa desta imensa solidão...
Se algum dia teus olhos atravessarem a distância,
não recolhas minhas cinzas para vestir saudade.
Apenas escuta o vento. Cada sopro levará meu nome.
Porque todo amor verdadeiro, quando perde o abraço,
transforma-se na única eternidade que jamais conhece o fim.
Marcelo Caetano Monteiro .
"Como o homem, o animal tem aquilo a que chamais consciência, e que não é outra coisa senão a sensação da alma quando fez o bem ou o mal? Observai e vede se o animal não dá prova de consciência, sempre, relativamente ao homem. Credes que o cão não saiba quando fez o bem ou o mal? Se não o sentisse, não viveria."
Charles, Espírito.
- Revista Espírita,julho,1860 -
“O homem teme aquilo que não compreende, e muitas vezes teme ainda mais aquilo que compreende profundamente.”
Hoje a gente bebe por tudo aquilo que a gente guarda e que não serve para mais nada, a não ser para machucar.
Caridade não é apenas dar o que sobra, mas também oferecer ao próximo aquilo que recebemos dele.
Quando existe essa reciprocidade sincera de coração, o ato de doar deixa de ser apenas uma ação e se transforma em um alimento puro para a nossa alma.
O maior erro do ser humano, além de difamar a vida dos outros, é invejar aquilo que não foi feito pra ele.
Temos cada dia mais a necessidade de mostrarmos aquilo que não somos para pessoas que não amamos, pois quem ama de verdade aceita o outro do jeitinho que ele é.
Meu segredo, escrevo-te como quem confessa ao teclado aquilo que a boca não ousa dizer, pois há em mim uma chama que nunca se apagou desde a juventude, quando teus olhos foram o primeiro altar onde depositei meu coração. O tempo passou, as estradas se multiplicaram, mas em nenhum lugar encontrei descanso igual ao que encontro na lembrança de ti. Talvez sejamos apenas dois prisioneiros de uma memória, talvez sejamos promessa suspensa no tempo, aguardando o instante certo para florescer outra vez. Não sei. O que sei é que, mesmo no silêncio, continuo sendo guardião do invisível que nos une. Há noites em que sinto teu perfume escondido no vento, como se a vida me lembrasse que ainda és a fonte capaz de saciar a minha sede. E se um dia este amor não passar de lembrança, que seja uma lembrança eterna, pois prefiro ser condenado à saudade de ti do que absolvido de te amar.
Você é a minha quintessência, não aquilo que se revela de imediato, mas o que sustenta tudo em silêncio. Entre a terra que me ancora, a água que me atravessa, o ar que me eleva e o fogo que me consome, é você quem permanece além, o quinto elemento que não pesa, mas dá sentido a tudo o que sou. Em você, o amor deixa de ser matéria comum e se torna substância rara, invisível aos olhos apressados, mas poderosa o bastante para mover constelações inteiras dentro do peito. Como o éter dos antigos, você habita o que é alto e intangível, o que não se toca, mas governa, o que não se vê, mas conduz.
“Erramos ao esperar dos outros aquilo que eles não têm para nos dar.
Não se colhe lealdade de quem vive na traição,
nem verdade de quem se esconde atrás de máscaras.
Não espere amor de quem nem aprendeu a se amar,
nem generosidade de corações endurecidos.
O erro, muitas vezes, não está no outro,
mas em nós — que insistimos em plantar esperança em solos inférteis.”
— Priscila de Araújo
