Silêncio
Sinto uma dor forte sem machucados visíveis.
Sofro em silêncio, por fora nem parece, mas por dentro eu grito em agonia.
Sinto que se eu falar de nada vai adiantar, pois minha realidade só eu conheço.
Tenho vontade de sumir, pois nada faz essa dor cessar.
Tento ser forte para não afetar os outros, pois eles já tem seus próprios problemas.
Uso a razão para continuar o caminho, enquanto meu psicológico afunda mais a cada dia.
Peço a Deus para me ajudar, não sei até quando vou aguentar levar as coisas dessa forma.
Será que existe uma cura? Bem tento aproveitar os breves momentos de tranquilidade que tenho para tentar esvaziar um pouco esse copo que está perto de transbordar.
Assinado: Júnior
E quantas vezes te olhei em silêncio, frágil de mais para agir, medrosa de mais pra falar, sincera de mais pra mentir, real de mais pra fugir...
madrugada
a noite afora
a insônia escancarada
o urro do silêncio chora
a alma despedaçada
as teclas mudas, e vai-se a hora...
o sino da igreja calado
os amantes não sussurram
o relógio amofinado
pro peito os anseios empurram
e a secura do cerrado
e o tempo não passa. Murmuram!
exausta a cama
e o vazio de sua ausência
acordado. Olhar na lama
e me engole, sem paciência
está noite um drama!
amanhã reticência...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
19/09/2019, 03’05”
Araguari, Triângulo Mineiro
O silêncio é necessário quando a decisão é final. O silêncio é o único sinal de uma decisão irrevogável.
Cuidado com suas conversas internas, o que você diz pra você em silêncio se tornar realidade em vida.
DIANTE DO PORTÃO, SENTIRÁS UM SILÊNCIO
( Nilo Deyson )
A velha silenciosa casa rangia.
Uma velha silenciosa solidão morava ali.
Em meio aos lírios do campo e dos crisântemos.
Áspera vida aérea de vento.
Todos os dias oscilavam as flores,
nos fundos tenebrosos daquele quintal dourado pela caridade do sol.
Há muito tempo a porta não se abria, mas rangia por dentro de saudades de ninguém.
E o lustre da luz banhava o telhado que se congelava com o frio de todo amanhecer, quando um par de pássaros vindo acasalar e fomentar ninhos ali pairava.
Se demoravam muito, escolhendo a estação e seus portos seguros.
Partiam, desconfiando daquela morada que não mais reconhecia os ventos rarefeitos de horizontes distantes.
A pobre solidão ali se contorcia toda de dor.
Dentro da velha casa rangida, resmungando do tempo.
Em meio aos dias desconhecidos, quando os quintais se emudeciam sob o passar das sombras no inverno, dois pássaros pequenos se acomodaram dentro de uma das calhas, e depois expulsos pelos repetentes de uma chuva que desatou todas as suas flores e choros nas brincadeiras e alambiques da enxurrada.
Nunca mais foram vistos.
Nem entrevistos entre as folhagens que cercavam a casa e compunham quadro morto com a copa de uma árvore baixa que não mais gemia quando do alvorecer do vento em seus galhos frágeis, minguados.
Depois desse dia, a casa perdurou muitos meses até se recuperar do profundo sono que a chuva lhe causara, lhe contara um grande sonho.
A pobre solidão ali pensava.
Dentro da velha casa tingida de breu.
Comungando em sua igreja sem alma.
Nunca rezava, apenas ouvia os afagos da ventania que lhe sombrava a vida.
E os quintais se emudeciam com o passar da mão do sol pelo chão ainda noturno sob a árvore, de tão sombra .
Que o dia se estendia no mar de nuvens do céu, clarão de flor entreaberta.
Era verão.
E a casa antiga, onde adormecia alguém mais antigo do que ela, a infinita solidão, se condoia toda, com dor nas juntas.
E dois pássaros um dia pressagearam em seus telhados impingidos de luz.
A casa olhou para o solo e desmoronou.
Os pássaros se foram.
Era o fim do tempo.
- Nilo Deyson Monteiro Pessanha
No silêncio é de onde vêm as mais puras palavras de inspirações, que nos orienta a caminhar no caminho certo. Onde nos leva para tomarmos atitudes que podemos mudar complemente o destino da vida e escrever um novo traçado que já está a fluir, um recomeço.
Caminho nesse ir infinito
repleto do silêncio
que há em meu ser
incapaz de digerir esse amargor passageiro
resta apenas o natural
entre ir e voltar
converso com minha alma
em demasia intensa.
Na noite há um silêncio profundo exalando a secura da dor no peito, que põe os olhos a lacrimejar, nostalgia de um coração dolorido. Tenho andado tão distante, meus pesadelos agora tem nome tem cor , não preciso fechar os olhos para sentir o medo e o vazio. Esses sentimentos agora caminham lado a lado comigo. Já e noite do outro lado da minha janela os últimos dias tem sido noites dentro de mim . Porque será que a saúde não contamina feito a doença porque a poesia nasce do sofrimento com mais felicidade. O silêncio é tomado pela melancolia do vento assoviando levemente Enquanto uns pegam no sono eu admiro a noite. Ainda que o tempo tenha asas e as vezes voe muito rápido. Quero que o ato de perdoar seja maior que a mágoa e que o amor seja mais importante que qualquer sentimento,pois o maior perdedor é aquele que desiste antes mesmo de lutar eu continuo lutando to vivo. Boa noite .
Após esse vão, esse vazio, esse silêncio, esse hiato, surge o início do que parece ser uma sílaba - após tempos de hífen-
Até mesmo onde não surgem palavras, quando o silêncio toma conta, ali está uma frase incutida querendo surgir em meio à solidão. Esta por sua vez é uma ótima professora, pois mesmo sem dizer nada, nos ensina a voltar à consciência sobre si, é quando conseguimos enxergar nossos erros.
Deixe - me no silêncio do meu interior, pois toda meditação vem do silêncio e todo silêncio trás a paz quando se pensa no amor infinito da gratidão de viver seus sonhos a cada minuto.
vai
tal qual a companhia
busca por um olhar
lá vai o silêncio
solidão e apesar
tal qual a poesia
no uso da inspiração
lá vai o poeta
ilusão e emoção
tal qual o amor
quer um doce amar
lá vai a paixão
fugaz e salutar
Tal qual o poeta
finge sinceramente
lá vai a caneta
trova e a rima inocente
tal qual o fado
é traçado no florecer
o amanhã é desafio
novo sol, outro amanhecer
lavai... vai
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
setembro de 2019
Araguari, Triângulo Mineiro
paráfrase prima Líria Porto
Poema
Insensatez
É no silêncio que te ouço,
em sofrimento que te sinto...
Nos momentos mais felizes,
esqueço- me de te como castigo...
Pássaro ferido, asas ensanguentadas...
sem poder partir, passarinho fora do ninho,
sensação nítida, de óbito eminente,
procura de uma estratégia, pudesse eu fugir...
Não chegas a mim como queria,
tu que realizas tão ardente ardor,
envolvo - me em falsas fantasias...
Inebriando - me, anestesiada...
em ilusórias promessas de amor...
.
Pássaro sentido, quantas vezes deixei de te ouvir...
Tu que um dia compostes, lindas melodias,
e sonhando, cega, mergulhada em lágrimas,
bailava na sedução de falsas cantatas de amor...
Queria sincronizar uma sintonia...
Sacias- me com alegria, luz e calor!
Retribuas- me o aconchego de meu carinho...
Numa explosão, erupção atmosférica...
verdadeira tocata tocante de amor...
Pássaro ferido, sedento do ninho, sede de amor...
Agasalhas- me num acorde doce, melodiosa melodia,
sacias minh'alma enfraquecida, levas- a ao extâse,
e saciados, improvisemos um soneto de amor...
( Poèticas de Solange Malosto )
nascente
nem dia ainda é
nem escuridão
nesta hora de silêncio, fé
o sono já em vão
e a alma já de pé
mansidão
neste momento aflito
agoniada a solidão
que suspira num agito
num grito, em oração
será meu este delito
ou será do coração?
não importa a importância
não importa o cravo
o amor é relevância
o poeta da poesia escravo
a poesia pro poeta substância:
prosa, cria, aroma, desagravo...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
setembro de 2019
Araguari, Triângulo Mineiro
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