Silêncio
NA ESCURIDÃO
Na escuridão, relembrando os planos que um dia arderam em silêncio.
E entre as cinzas do que ficou, uma chama ainda ecoa:
Que se erguerá, trazendo o fogo nas mãos!
Dijean Lessa
Construa em silêncio, fortaleça-se longe dos olhares e deixe que o tempo revele aquilo que as palavras jamais conseguiriam provar. Afinal, quem precisa anunciar a própria grandeza ainda busca reconhecimento; quem conhece o próprio valor não faz barulho — cria raízes, cresce nas sombras e, quando floresce, transforma sua existência em uma resposta que ninguém pode contestar.
quando eu estiver preso, com as mãos amarradas, camisol de força lona grossa
o eco do silêncio batendo nas paredes internas
do que a gente chama de consciência, localizado em alguma parte do funcionamento esquisito o cérebro
quando não restar mais nada, somente eu
e a minha vontade excomungada nada reprimida de continuar existindo em algum plano, dimensão essa que interpretamos como quiser nada disso importa.
quando tudo for branco, em cima baixo lado outro, quando o despertar não vier, a expectativa morta, esperança é só uma palavra a mais no dicionário, quando isso acontecer
estarei tocando guitarra imaginária, sem os movimentos é lógico, aquela música vou estar cantando em looping até minhas cordas vocais alternarem entre acertar e errar o tom, o olhar fixo pra baixo, nada enxergo no meu quadrado, apenas escuto a melodia enquanto minha caixa vazia aumenta o volume, bebé. bebé. não estarei em tormento, pelo contrário, encontrei a liberdade em lar próprio
onde tudo e nada acontece ao mesmo tempo. onde nada poderá machucar como o dano que a projeção feita nas pessoas me marcou um dia. só eu e os backing vocals de fundo, livre de qualquer propósito criado pelo status quo. agradeceria antes do delírio pela forma que decidiram me proteger
de mim, do mundo
das razões pela qual me levam a questionar o sentido de tudo
bebé. bebé. D maior compasso a 76bpm
C - Am - G - F
- o que te fez pensar que eu me importava de verdade?
como posso me sentir tão errado levando o caminho certo. o que me custa acreditar em sonhos não vividos¿ bebé.
como faz tanto sentido reverberar e colocar em câmera lenta tudo isso, eu ainda estou com os braços amarrados, babando enquanto tento acertar as notas no meu eterno descanso mental. bebé.
Alguns sinais de que a vida tem me ensinado, em silêncio, a ser alguém melhor:
Já não respondo a tudo o que me fere.
Não porque me faltem palavras, mas porque descobri que nem toda reação merece nascer. Há silêncios que não são ausência de argumentos — são presença de sabedoria. Hoje, eu sinto, observo e escolho o que merece sair de mim.
Aprendi também a discordar sem transformar diferenças em batalhas. Nem todo pensamento contrário precisa ser vencido, nem toda opinião precisa ser convencida. Às vezes, basta ouvir, respeitar, compreender o que for possível e seguir o próprio caminho sem deixar atrás de si os rastros de uma guerra que nunca precisou existir.
Estou aprendendo a não guardar dentro de mim dores que o outro sequer soube que causou. Nem tudo precisa de confronto para ser curado. Algumas feridas pedem apenas silêncio, tempo e coragem para serem processadas. Sinto, compreendo, respiro… e deixo ir.
Nos dias difíceis, tenho aprendido a permanecer de pé mesmo quando ninguém vê o peso que carrego. Já não preciso que alguém reconheça a minha dor para que ela seja verdadeira. Existem batalhas que travamos em silêncio, lágrimas que ninguém testemunha e noites em que apenas nós sabemos o quanto foi difícil amanhecer.
E talvez um dos maiores aprendizados seja este: desejar o bem a quem me decepcionou. Não porque não tenha doído, nem porque tenha esquecido. Mas porque descobri que ressentimento é uma corrente invisível que mantém perto justamente quem eu já deveria ter deixado partir.
Perdoar, para mim, deixou de significar permitir que alguém volte a ocupar o mesmo lugar. Às vezes, perdoar é simplesmente fechar a porta sem bater, seguir em frente sem ódio e deixar que cada pessoa continue sua caminhada levando consigo aquilo que lhe pertence.
Hoje, compreendo que amadurecer não é sentir menos.
É sentir profundamente sem permitir que a dor escolha quem vamos nos tornar.
É aprender que algumas pessoas chegam para permanecer, outras chegam para ensinar e algumas precisam apenas passar.
E talvez a verdadeira liberdade esteja justamente nisso: olhar para tudo o que um dia me feriu, agradecer pelo que me ensinou e seguir em frente sem carregar ninguém no coração que já não cabe mais na minha vida.
Porque, no fim, a maior vitória não é provar que eu estava certo.
É chegar ao outro lado daquilo que me feriu ainda sendo capaz de reconhecer a paz quando ela finalmente chega.
"No silêncio habita a força dos que confiam"— no Tao que flui sem esforço, e no Deus que age no invisível.
Do Taoismo ao Cristianismo, a calma e o não-agir não são ausência, mas presença plena: sabedoria que escuta, fé que repousa, poder que não precisa se impor.
Quando chegar a hora de eu partir, não quero que o silêncio da minha ausência se transforme em tristeza eterna, nem que as lágrimas dos que amo sejam a única lembrança da minha existência.
Quero que se lembrem de mim nas pequenas coisas, nas orações silenciosas nos abraços sinceros, nas palavras que chegaram ao coração e até nos momentos em que mesmo sem saber, fui abrigo para alguém que estava prestes a desabar. Talvez eu tenha carregado dores que ninguém percebeu, travado batalhas que nunca contei e chorado escondido para não preocupar aqueles que amo.
Mas, em meio às minhas fraquezas encontrei na fé a força para continuar caminhando, mesmo quando meus pés já não suportavam o peso da estrada.
E se algum dia minha voz deixar de ecoar pelos corredores desta casa, não pensem que todo o amor que ofereci morreu comigo, Há sentimentos que não se enterram, lembranças que o tempo não apaga e laços que nem a morte consegue transformar em esquecimento. A sepultura poderá guardar meu corpo, mas não terá poder sobre aquilo que deixei plantado em outros corações. Por isso, quando a saudade apertar e vocês olharem para o céu procurando respostas, não se prendam apenas à dor de não me terem mais por perto. Agradeçam pelo tempo que compartilhamos, pelas risadas que dividimos e até pelas lágrimas que nos ensinaram a amar com mais profundidade. Não tenham medo de seguir em frente, pois o amor verdadeiro não exige que vocês parem de viver para provar que nunca esqueceram alguém. E, se Deus permitir que nos encontremos novamente na eternidade, quero chegar a esse reencontro com a paz de quem finalmente descansou de todas as guerras que precisou enfrentar. Porque partir não significa que tudo acabou. Às vezes, a despedida que mais nos fere é apenas o limite entre aquilo que nossos olhos conseguem ver e aquilo que a nossa fé nos permite acreditar. E, até que esse dia chegue, vivam, amem, perdoem e abracem aqueles que ainda estão aqui. Pois a maior tragédia não é partir deste mundo, mas descobrir tarde demais que passamos a vida inteira adiando o amor, como se o amanhã tivesse obrigação de nos esperar.
Inconcebíveis
Inconcebíveis palavras são ditas
No silêncio do pensamento
Exulta, ó sensível coração!
Tua essência é como uma árvore frutífera e sedenta
Que alimenta e sacia os pobres famintos;
Vem a mim, ó doce e apetecível vinho,
Deixa o teu líquido verter pelos córregos
O teu veneno imortal;
Deem-me numa taça as borbulhas
Deste intenso vermelho sanguíneo
Manchando minha consciência
No cume da minha eterna felicidade.
Esconde no recôndito de teu coração
O jardim que tanto cuidaste
Para a farta produção dos nobres parreirais.
As Margens do Silêncio
Sento às margens do rio para refletir. A água tranquila funciona como um espelho e devolve a minha própria imagem – nítida, brilhante, revelando instintos expostos, emoções desordenadas. Sei que o tempo guarda todas as respostas, mas, mesmo entendendo o cenário ao meu redor, não consigo ouvi-las. O que escuto é apenas o silêncio, um silêncio que se acomoda ao meu lado como uma companhia serena, quase amigável.
É então que, como um filme silencioso, vejo teu semblante surgir na memória. Há tristeza, amargura, cansaço. Há um peso que não consigo explicar. Um nó, sobe pela minha garganta, apertando como se mãos invisíveis tentassem impedir que qualquer palavra escapasse. As lágrimas contidas, pedem libertação. E como finalmente permito que venham, elas deslizam pelo meu rosto e molham minha pele, levando consigo um pouco do que me sufoca. O sorriso que sempre esteve estampado em mim, desaparece – some sem aviso, como truque de ilusionista.
Sinto o frescor da manhã tocando meu rosto, como se fossem mãos suaves acariciando minha pele. A natureza ao redor transforma o espaço em um refúgio, um pequeno abrigo onde posso descansar meu corpo e aliviar a mente. Meus pés tocam de leve a água e, ao mínimo movimento, círculos se formam, desenhando imagens que lembram mandalas – figuras quase sagradas, que parecem guardar em si algo de cura.
Encontro ali um momento raro de paz, entre o vento que passa devagar e a correnteza da água. Não consigo explicar o que sinto, pois, naquele momento não preciso mostrar minha fortaleza. Continuo a observar a água, ouvindo o silêncio e pouco a pouco o mundo dentro de mim se reorganiza.
Sinais do Silêncio
Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.
Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.
Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.
Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.
Rita Padoin
Escritora
Falésias do Meu Silêncio
Falésias íngremes, no meio do nada, fazem morada. Meu olhar se perde entre o vazio e o instante de inspiração. As rochas parecem mortas, mas, ao observá-las atentamente, vejo que há vida, há história, há beleza, há transformação, há mistério. Isso acontece quando conseguimos abrir as cortinas internas, e captar a essência que ali habita – o verdadeiro remédio da cura.
Cada passo traz a sensação de que estamos lutando por um lugar onde possamos, enfim, nos encaixar. Nos limites do tempo, há um intervalo silencioso à espera de que compreendemos seu ensinamento e sua postura diante da pressa daqueles que tentam seguir sem perceber.
Meus passos estão, a cada dia, mais lentos. Não quero mais correr. Não quero ter pressa. Não quero tropeçar. Quero entender. Quero mudar. Quero viver intensamente, sem ter que olhar para trás e revisitar o passado. Quero um olhar voltado ao futuro – um olhar de sucesso, de vida que me espera.
Hoje, penso apenas no agora e no que está por vir...
Rita Padoin
Quando compreendermos o grito do silêncio, compreenderemos todo o resto.
Rita Padoin
Do livro "Entrelinhas"
Chegar ao ponto mais alto de uma jornada exige silêncio da alma, esforço do corpo, persistência do espírito e a coragem de se transformar.
“O silêncio pode ser a resposta dos sábios, mas também pode ser o refúgio dos covardes. A diferença está na razão que nos leva a calar: enquanto alguns silenciam por sabedoria, outros se calam por medo de assumir as consequências de suas próprias convicções.”
O silêncio pode ser a resposta dos sábios, mas também pode ser o refúgio daqueles que confundem omissão com neutralidade.
No silêncio está a provação:
Portas vão se fechar;
Oportunidades irão escapar das suas mãos;
Pessoas que não se alinham a sua futura realidade irão se afastar;
Não tema, Deus está alinhando.
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