Silenciar
O QUE RESTARÁ DESTE POEMA?
O que restará deste poema
quando a boca silenciar?
Quando a mão trêmula
cansada, desnorteada
não conseguir o papel segurar
o que restará deste poema?
Ainda que haja vida além
que faça reviver, suscitar
como lê-lo sem se importar
com o próprio sentimento
se a escrita é triste, singular?
Como saber conciliar
vida, tempo, envelhecimento?
Quando a precisão do tempo
tomar de assalto o momento
e, percebendo-se a fragilidade
do corpo, d'alma, da mente
o que do poema permanecerá?
O silêncio do adeus?
a dor, a tristeza, a saudade?
Ou a última lembrança do desejo
incapaz de poder versejar?
Prazer pequeno
ouvir o mundo
Prazer pequeno
silenciar
Prazer pequeno
dançar na chuva
Prazer pequeno
andar descalça
Prazer pequeno
beber um vinho
Prazer pequeno
sorrir sozinha
Prazer pequeno
comer
Porque o grande prazer
é viver!!!
Silenciar... Sim... Será melhor... Só observar, refletir e continuar em silêncio. Quando a luz não é aceita, sopra-se as velas.
Um dia todos irão silenciar, faz parte do processo da vida. A voz do poeta pode até se calar, mas num breve instante ela será ouvida.
Silenciar
Eu tenho ficado muito quieta. Calada, em silêncio. Silêncio na boca e no corpo. Meu maxilar, acostumado com o tanto dizer, dói por tanto ficar imóvel.
Tenho aprendido muito na quietação:
- É preciso colocar um pano no chão quando for passar roupa, a água do ferro de passar fica pingando.
- É preciso varrer o chão após limpar a caixa de areia porque os farelos da areia se espalham por todo lado.
- É preciso secar a bancada depois da tampa da panela ser colocada lá, o vapor molha.
- É preciso ouvir mais os outros, e somente ouvir. (Muitas vezes as pessoas não precisam de respostas, somente de ouvidos atentos)
Quando silencia-se a boca, a mente começa a trabalhar mais e mais depressa. O coração sente mais e bombeia melhor o sangue. O corpo aprende a ouvir o próprio corpo e a consciência desata os nós das suas asas.
Os poemas passam a fazer sentido.
A música toca o sistema nervoso.
Com muita calma, antes de dizer bobagens, a boca - que antes era órgão auto-suficiente - agora concilia seus desejos faláticos com a língua, com os dentes, gengiva e cérebro.
Minha boca, de fato, nunca foi boca de dizeres bons. Aproveitava-se da carência, e lá deixava seu sermão, sem ao menos ser convidada para tal.
Meu músculo mais forte sempre foi a língua que em um complô envenenava cabeças, olhos e aortas.
A mão tentava escrever, mas a boca falava, não deixava calar a voz, nunca! E os textos, todos pequenos, com cara de mal acabados ou mal pensados, eram só uma pequena amostra do que a mão podia fazer.
A boca não se abre. O maxilar ainda dói severamente, mas a alma agora respira, agora permite a manifestação da existência, silenciosamente.
A boca agora só diz o pontual, somente diz o que o coração e a mente aprovam ser dito.
Há muita clareza nos sentimentos e no mundo exterior. Há compressão no mundo dos outros. Muda, a boca sabe se expressar melhor quando diz.
O que há boca? Tem medo do mudo? Tem medo da compreensão, restauração, modificação, rotação, translação e emudamento completo? Tem medo que os lábios se colem e nunca mais se abram por falta de exercícios?
Você não vai morrer ou atrofiar, você apenas está aprendendo a lidar com uma faceta sua que você mesma escondia; continue fechada, calada.
Você ainda pode cantar, mas somente boas canções, caso contrário, vai se manter fechada!
Você boca, é mais um pedaço meu que preciso controlar, assim como controlo meus sentimentos.
Controlo minha mente pra poder controlar você. Controlo minha carência, minhas vontades e receios.
Controlo todos os meus recheios para que você não seja leviana, abusada, indiscreta, indecente e folgada.
Você quer parecer que sofre com a mudisse obrigatória, mas a mudança tem libertado você. Os ossos da face andam menos desgastados.
Eu, realmente, tenho adorado a experiência do silenciar.
Muda eu mudo.
As dores do silêncio, abafa no peito o grito da alma.
Silenciar, não é apenas calar e não deixar som algum escapar; silenciar é não permitir os sentimentos e as emoções se expressarem.
Silenciar...
É bem possível
que sejam, os muitos quilômetros
percorridos ao longo dos anos
que fazem a gente
enxergar mais longe
e observar a distância
que devemos manter
entre cada letra do alfabeto,
ao escrever palavras
que raramente, surtirão
um efeito melhor e mais útil
que o silêncio.
by/erotildes vittoria
Boa Noite Família!
No suave silenciar da noite que se aproxima.
Um afago nos une em um abraço caloroso.
Amor transborda entre gerações, sem jamais errar.
Sob o aconchego do lar, o carinho é o elo que nos une.
Rituais da noite entrelaçam os sonhos infantis.
Uma linda dança entre mãe e filha acontece.
Nossa esperança é que tenham uma noite cheia de bênçãos.
Ansiando pela chegada de um novo amanhecer.
Que o dia seguinte venha repleto de luz e esperança renovada.
Enquanto a criança descansa em seus doces sonhos.
Muitas vezes é preciso silenciar, para poder meditar. A meditação é o alimento da mente, que exala sabedoria a alma vivente.
precisamos saber a hora
de falar ou silenciar
e também de calar ou gritar
se fazer ouvir ou emudecer a alma
deixar sussurrar a voz do coracao
com a melhor intenção
que pede uma especial atenção
à ação da natureza
que floresce em nós
nos reflete tamanha beleza
através da sua flor
ou será do seu amor
que se põe com fartura à mesa
servindo de bons sentimentos
e pensamentos a altura
para sermos realmente felizes
com flores e espinhos
com bondade e maldade
com boas atrações e chamarizes
porque a dualidade se encontra em nós
para dosarmos nossas emoções e razões
a respeito de todas as nossas diretrizes!!!
