Seus Olhos Verde Mar

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Qualquer país é pátria para os fortes, como o é o mar para os peixes.

Ovídio
OVÍDIO, Fastos

um pescador remando
o mar rimando
alguém admirando

Quando o mar está calmo, qualquer um pode ser timoneiro.

As virtudes perdem-se no interesse como as águas do rio se perdem no mar.

Um sol transparente
e um mar azulão
brilhando na areia quente

O céu é o mar de Brasília.

Lúcio Costa
Guiarquitetura Brasília. São Paulo: Empresa das Artes, 2000.

entre velhas páginas
uma folha ainda verde
da casa antiga

Azul e verde e cinza -
Olhando bem, o céu
É de todas as cores!

Cercada de verde
ilha na hera do muro:
uma orquídea branca.

Todas as especulações são pardas, certamente, mas eternamente verde é a árvore de ouro da vida.

Sobre verde imenso
um ponto saltitante
pássaro cantante

Branco instante
entre verde e azul:
garça ou pensamento.

No rio, a canoa
pinta em verde
o seu reflexo.

Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra.

Haile Selassie

Nota: Adaptação de um trecho do discurso de Selassie na Liga das Nações em 1963. Serviu de inspiração à música "War", de Bob Marley.

...Mais

O amor não se vê com os olhos, mas com o coração.

William Shakespeare

Nota: Trecho adaptado de "Sonho de uma Noite de Verão", de William Shakespeare.

Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.

Friedrich Nietzsche
Aurora. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.

Antoine de Saint-Exupéry
O pequeno príncipe.

Livros e flores

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

Machado de Assis
Falenas. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1870.

Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir.

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Florbela Espanca
Livro de Soror Saudade, 1923