Sertão
Que a determinação
Seja a sua imagem
Que a garra e coragem
Habite seu coração
Para cumprir a função
Com respeito e amor
Não importa o setor
Se é fichado ou quebra-galho
Feliz dia do trabalho
Pra você trabalhador.
Cada vez que retorno e passo nela
O passado revivo na lembrança,
Tantas coisas do tempo de criança
Mãe botando no fogo uma panela.
Sobre a mesa com fruta uma tigela
Eu cresci sem saber o que é ganancia,
Violência, bandido e intolerância.
Mas cresci e a idade me deu asa
TEM LEMBRANÇA VAGANDO PELA A CASA
ONDE UM DIA VIVI MINHA INFÂNCIA.
(Léo Poet)
*
Mote:Belchior
Simplicidade
Simplicidade é uma virtude
Que não se vê facilmente
Mas ela é um atributo
Que deveria estar presente
Na vida de todos nós
Dentro do coração da gente
No ser humano que é simples
Não lhe falta maturidade
Para enxergar toda a grandeza
Com muita facilidade
Que existe no que é pequeno
Pois tem sensibilidade
Quem carrega a pureza
E conhece a humildade
Tem um grande coração
Que é cheio de bondade
Certamente em sua essência
Existe simplicidade
Por conhecer a nobreza
Que a simplicidade oferece
E também toda beleza
De alguém que nunca esquece
De ter um coração grato
Pois isso lhe enriquece
Não de bens materiais
Que um dia irão perecer
Mas de valores reais
Que irão fortalecer
O carácter e a essência
Que existe em você
Por isso quer um conselho?
Cultive a simplicidade
Como um valioso tesouro
Sem data de validade
Por que isso com certeza
É riqueza de verdade.
Me chamaram de poeta
Me chamaram de poeta
Mas poeta eu não sou
Em outras ocasiões
Me chamaram de cantor
Que gosta de poesia
E canta versos de amor
Eu cantei a primavera
O outono e o verão
O inverno ficou frio
Eu fiquei sem opção
Mas pra completar a rima
Eu vou cantar o sertão
Canto o galo de campina
A coruja e o bem-te-vi
Admiro a seriema
O cancão e a juriti
Que canta na capoeira
Lá na Serra do Oiti
O canário gorjeando
No pé de jacarandá
Tem a graúna que canta
Lá no pé de jatobá
Fazendo a sua homenagem
À majestade o sabiá
A abelha italiana
O inxu e o inxuí
Capuxu, abelha branca
A Cupira e o jati
Maribondo e jandaíra
O breu e o munduri
Tem o peba de carrasco
O preá e o tatu
O veado que desfila
Lá na Serra do Ipu
Tem o gato macambira
E o porco caititu
O sertanejo que brilha
Vivendo nesse lugar
Colhendo os frutos da terra
Curtindo o raio solar
Admirando a riqueza
E a cultura popular
O vaqueiro nordestino
Que vive a se destacar
Tocando a sua boiada
Nem tem tempo pra sonhar
E um violeiro cantando
Num galope à beira mar
Na sombra do juazeiro
Eu paro pra descansar
Apreciando a beleza
Que mora nesse lugar
Se aqui eu tenho tudo
Para que me aventurar?
Vivo de agricultura
Meu amigo, o que qui há?
Já estou aposentado
Para que me preocupar?
Vou armar a minha rede
Depois vou me balançar
A cidade é muito boa
Eu aqui e ela lá
Não quero a proximidade
"Pra mode" não me estressar
Daqui para o fim do ano
Eu irei lhe visitar
Sou sertanejo "de vera"
Já dá pra você notar
Moro aqui no sertão
Nem preciso explicar
Por isso eu digo e repito
Esse aqui é meu lugar
Do leite como coalhada
Do porco, sarapatel
Cachaça, tomo um tonel
Do coco, uma cocada
Do bode, como buchada
Da mandioca, a farinha
Panelada de galinha
Não dispenso um pirão
Tapioca e um baião
Com a carne bem sequinha.
A vida no interior
É diversa da cidade
Não tem prédio luxuoso
Nem muita modernidade
O melhor a se fazer
É ver o entardecer
Na total tranquilidade
Se a vida bater forte
Querendo lhe derrubar
Fique firme e aguarde
Porque tudo vai passar
Não se esqueça da lição
Flor que nasce no sertão
É a que mais vai durar
ROLIÚDE NORDESTINA
Nesse canto isolado,
De uma aridez extrema,
Minisséries e novelas,
Atores entraram em cena.
Que se abram as cortinas!
Roliúde Nordestina,
É um lugar de cinema.
CATEDRAL DE PETROLINA
Tem lugar pra todo mundo
Nessa santa Catedral
Encravada em Petrolina
Tem salesiano vitral
A arquitetura é gótica
A beleza é bem exótica
Grandeza monumental
CORAÇÃO DO NORDESTE
Pernambuco é meu país,
terra de cabra da peste,
tem o frevo no Recife,
tem o forró no agreste,
e também tem o sertão,
onde nasceu Gonzagão,
coração desse Nordeste.
O cuscuz é muito bom,
bem melhor que caviar.
Na mesa do sertanejo,
serve para alimentar.
No Nordeste é tradição
do litoral ao sertão,
é cultura popular.
A rotina no roçado
é antes de o Sol raiar,
é alimentar o gado,
e a lavoura cultivar.
E, à noite, um forró
pra dançar com o "xodó",
e "adispois" ir namorar.
O mundo gira veloz,
o povo vive apressado,
correndo não sei do quê,
passa o dia estressado.
Só existe um lugar
onde a vida é devagar:
é aqui no meu roçado.
NOITE DO INTERIOR
Cai a noite no roçado
É tão bom para se ver
As estrelas lá no céu
Logo após escurecer.
O universo é tão grande
Acho que é semelhante
Ao que sinto por você.
A vida é simples
De uma ternura requintada
No brilhantismo da estrela d'alva
Serenando o horizonte da madrugada.
A vida é requintada
Pelo sabor das iguarias da dona de casa
Na poesia do boiador que invade
Os campos poetizados de saudades
A vida é abençoada
No terço desbulhado de piedade
No "Deus me livre" do pecador inocentado
Nos benditos das beatas do rosário
A vida é uma fascinação
No melaço das abelhas sem ferrão
Dá água gelada em alumínio ariado
No beijo acerteiro dos enamorados.
A vida não é ilusão
Nas mãos que arrancam legumes do chão
Na bravura de Maria queimando o carvão
No suor de meio dia esperançando o trovão.
A vida seu caba é o hoje de um agora mais não.
Geraldo Neto
LEITE MUNGIDO
.
Cuscuz, queijo e ovo cozido
Copão de leite mungido
Eis meu café da manhã.
Ao lembrar do meu sertão
Bate uma baita saudade
Nas veias do coração.
O tempo... quanta maldade
Parece não ter noção
Do estrago que fez na alma
De um poeta setentão!
Mulheres de Pano e Terra
Vieram de longe, cruzaram o mar,
trouxeram a cruz, o aço e a fome,
tomaram o chão, queimaram os nomes,
fizeram o sangue da terra jorrar.
Os povos caíram, as terras sangraram,
ergueram engenhos, correntes, senzalas,
o açúcar crescia, o latifúndio mandava,
e o povo do Nordeste aprendia a lutar.
Mas quando o homem partiu sem aviso,
quem ficou foi o ventre, a enxada e a dor.
Foram as mães que costuraram a vida,
fiando o tempo com linha e suor.
Lavadeiras de rio, rendeiras da sorte,
mãos que tecem, que lavram, que oram.
E enquanto o homem some na cidade,
elas seguram o sertão nos ombros.
O Nordeste é feito de suas pegadas,
de suas vozes, de suas lutas.
Se o passado arrancou-lhes a terra,
foram elas que ficaram — e criaram a vida.
SECA CHEIA
Berra estridente o barulho das folhas
Que quebram tristes em meio à seca
Cá dentro o copo quase transborda
Inundação que afoga o sossego
Irrigai forças pra novas escolhas
Que transformem o sertão em charneca
Cultuai melhor a tua chalorda
Separando o joio e o apego!
SERTANEJO
Nunca escrevi sobre gado
Boiadeiros ou canhões
Plantadores de feijão
Pisadores de arroz
Só escrevo
O que as folhas pedem
Lembro que chorei ontem
Debaixo do jenipapeiro
Sentada sobre as folhas
Usando fraldas de pano
Eu cabia na palma da mão
Hoje ainda caibo
Mas me recuso
Estar nas mãos
De quem quer que seja.
MEU NORDESTE
Eu nasci lá no nordeste,
poesia é a minha paixão,
serei sempre nordestino
de corpo, alma e coração.
Trago em minha essência,
a dor da minha ausência
e a poeira daquele chão.
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