Se eu Fosse Algum Rei
Quando estamos em paz, tudo começa a fazer sentido, é como se a vida fosse nos dando fôlego e refazendo as coisas de um jeito leve. Só o coração sabe o que custou chegar até aqui. E mesmo que lá fora continue barulhento, dentro da gente nasce um espaço sagrado onde tudo repousa. Onde não é preciso provar nada. Porque a paz que se constrói, por dentro, é feita de aceitação. E no silêncio que a gente se encontra de verdade. Afinal, o espetáculo mais bonito é aquele que acontece no silêncio de quem está em paz com sua própria verdade. Porque o bonito da vida é quando a aprendemos a descansar. Quando o coração ainda carrega perguntas sem respostas e não entende algumas situações, mas mesmo assim escolhe confiar. Cedo ou tarde, as coisas se ajeitam. A vida tem esse dom de se refazer no tempo certo. Os planos vão ganhando forma devagar e o caminho, aquele que parecia incerto, revela que sempre esteve ali, esperando a nossa leveza chegar. Nada está fora do lugar.
Existe uma ordem silenciosa e sábia por trás de tudo. O agir de Deus está presente em cada detalhe da nossa vida.
E se a vida fosse só uma ilusão
Uma lágrima distorcida
Ou a projeção do coração.
Se a margem dessa vida
Pulsase em um sentimento
Sem desencadear um sofrimento.
Que esse sofrimento ficasse preso
Para não alimentar nenhum tormento.
E se ao invés da distorção de uma lágrima
Nascesse o som de um sorriso
Que esse som suace
Em um cais
ou um porto marítimo.
Em frente ao oceano
Na sua imensidão
A minha lágrima nada seria
Apenas uma gota de ilusão.
Mas a frente uma praia
para escrever uma história
Aonde colocaria meus erros na areia
E meus acertos na rocha.
Então entraria na água e lavaria a minha alma
Com a alma limpa
Esvaziaria meu coração.
E quando ele estivesse limpo
Te entregaria
Para o encher novamente Com muito amor e sem ilusão .
Só o amor constrói
Sonhar com o Mundo Melhor
E se o mundo fosse leve,
sem dor que pesa no chão?
Sem ansiedade nos olhos,
nem tristeza no coração?
E se não houvesse pranto,
nem depressão escondida,
se a alma fosse inteira,
e a esperança, bem vivida?
Se o desmatamento parasse,
e a floresta respirasse em paz,
se os rios cantassem livres
sem terem que correr para trás...
Se a maldade não tivesse voz,
se a injustiça fosse embora,
e o respeito fosse lei
de hoje, de sempre, de agora?
Se ninguém maltratasse os bichos,
e a doença fosse só memória,
o mundo seria outro —
um poema, uma nova história.
Eu sigo sonhando acordada,
com esse mundo de valor...
Porque sonhar já é semente
de um amanhã com mais amor.🌏✨️
Como se fosse bonito ser amado, mesmo sem a intenção de amar de volta.
Como se fosse lisonjeiro ser desejado às custas do coração de alguém.
Queria muito que a felicidade fosse rotina, mas percebi que o fato de poder ter rotina que é uma felicidade.
A dicotomia política no Brasil não é sobre uma direita ou esquerda como se fosse o bem contra o mal. Ela é a respeito de escolhas entre uma base ideológica inclusiva e a outra excludente sendo pertinente a classe dos ricos e seus pobres de direita.
INTENTO (soneto)
A poética pede conta de meu sentimento
Como se a sensação fosse estar por conta
Mas como dar, se sou solitário, e desponta
Um prosar que presta conta de momento
Para ter na conta um poema com alento
No combinar me vi, pro coração, afronta
Deixei para lá, não achei a outra ponta
Faltou curso, sei lá, fui levado ao vento
Oh vós, soneto, com rima deveras tonta
O amor não deixai que seja passatempo
Tenhais na métrica a emoção, já pronta
Não traga ao versar somente contratempo
O que faz parte de um conto, tenha monta
E assim intento para cada um de seu tempo.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27 junho, 2025, 114’51” – Araguari, MG
A Semente
O Pequeno nunca acreditou que fosse capaz de mudar. Diziam que ele era fraco, que nada daria certo. Mas ele plantou uma única semente no canto do quintal. Dia após dia, regou, conversou, acreditou. Um ano depois, tinha ali uma árvore tão alta que ninguém podia ignorar. Ele aprendeu que força não nasce de tamanho — nasce da paciência de insistir.
“Tentaram me encaixar em um padrão de
coisas inúteis, quase conseguiram.
Se não fosse os livros de Foucault, teria
sucumbido a arte de ser normal.
Hoje sou perfeita, tenho um montão de
cicatrizes e vivo feliz a minha vida.”
Se tudo fosse fácil, sem empecilhos a superar,
o esforço constante não teria onde brilhar.
Difícil não é o mesmo que impossível.
Veja bem, tudo, mesmo complicado,
tem solução visível.
Livro: O respiro da inspiração
Carrego dentro de mim um silêncio pesado, como se cada pensamento fosse um campo minado prestes a explodir. não confio na calmaria, porque aprendi que ela sempre esconde tempestades. meus sentimentos não são simples ,eles lutam entre si como feras enjauladas, famintas por respostas que não existem. há dias em que pareço inteiro, mas por dentro sou feito de cacos cuidadosamente colados para não desabar. tento manter o olhar firme, mesmo quando minha alma treme. O mundo me vê em pé, mas ninguém nota o peso que equilibro nos ombros. não busco mais paz, só tento não ser engolido pelo caos que ainda vive dentro de mim.
A Dor Que Não Tem Nome
Acordo e já estou cansado,
como se viver fosse um fardo antigo.
Cada dia pesa dobrado,
e eu sigo — mas nunca sigo comigo.
O espelho não me reconhece,
me olha com pena, com nojo, talvez.
Meu corpo é só o que permanece
de alguém que já morreu mais de uma vez.
As vozes aqui dentro gritam,
mas ninguém do lado de fora ouve.
Sorrisos forçados imitam
uma vida que há muito não coube.
Tem dias que o ar parece ferro,
e cada passo é um crime lento.
O mundo gira, eu me enterro
mais fundo em meu próprio tormento.
A comida não tem mais gosto,
a música me dá desgosto.
O toque é como espinho exposto,
e o futuro... é um céu sem rosto.
Já tentei pedir socorro
em olhares, palavras, mensagens.
Mas tudo soa tão oco e torto,
como gritar em paisagens selvagens.
E o pior não é querer morrer —
é não conseguir mais querer viver.
É ser um corpo que existe por hábito,
um suspiro vazio, um peso estático.
Se um dia eu sumir, não estranhe.
Foi só a dor que me venceu sem barulho.
A tristeza é uma água que banha
até que a alma se afogue no entulho.
Queria que a vida fosse assim, palavras soltas, sem remorsos, fragmentos de um livro infinito. Lançados ao vento, sem ponto, sem virgula, livres para dançar no ar.
