Saudades de Quem Mora longe
A distancia somente me faz compreender o quanto preciso de você!o tempo que passo sem lhe dar um oi,e somente uma tática que uso para amenizar o monstruosa solidão que o teu amor me causa!
E tem saudades, que permanecem. É que houveram lugares, pessoas, sentimentos, tardes e sorrisos. Houveram momentos dos quais nunca mais deixaremos de lembrar e de sentir amor.
Douglas Melo
Sou aquela árvore do fundo do quintal, fico um pouco distante das outras e longe das vistas dos donos do solo onde estou plantada e despercebida pelas visitas que vêm até aqui. O jardineiro nos dá água e nutrientes, mas ando sentindo falta de algo mais para saciar a sede e a fome, ando querendo palavras, músicas e o calor das amizades além do calor do sol. Ei, quem sabe recebo esse presente de primavera?
Tudo o que vai não fica e volta como nós: viajamos para outro lugar mas a saudade esta pedindo para você voltar e você acaba voltanto...tudo é passageiro..até o ser humano...
E sempre que penso em você, me bate uma saudade de tudo que poderia ter sido e não é nem será. Você já não faz mais parte da minha história, nem dos meus dias, mas continuo te amando. É um amor diferente, um amor de quem te deseja nada mais que sorte e felicidade em suas buscas e procuras intermináveis.
Às vezes o amor é maravilhoso, assim, de longe, distante do coração. Não tenho pressa, nem em relação a você, nem em relação ao amor. Aliás, em relação a nada. Se tiver que acontecer, que aconteça naturalmente.
FADO DA SAUDADE
Fado vadio, fado da saudade
Nesta noite fria bebemos um vinho
Um tinto maduro, amargo como a vida
Com o travo a alecrim, a rosmaninho
Ou talvez um bom vinho do porto
Na sala toca-se, canta-se o martírio maior
O fado de dor, da saudade meu amor
Choram as nossas dores ao som dos passos
Da vida feita em pedaços, melodia orvalhada
Refeita de felicidade, do passado, presente
Na sala o silêncio é total, nesta noite fria, já quente
O coração fala mais alto, segredos sem voz
Com o silêncio a tristeza cala-se, inibe-se de amor
Na rua escura ausente de pranto, não passa ninguém
Voz magoada, flor do deserto, de uma canção tão bela
Que nem às paredes caiadas, nem a Deus me confesso
Dos teus fixos olhos castanhos, já presos nos meus
Fado de lágrimas cansadas de quem já muito ama e amou.
Olhando as fotos, sem ter o que fazer, me deu uma saudade imensa de você, Ângela...uma vontade de abraçar, beijar, afagar...porque essa pouco mais que menininha, está longe de mim. Mas juro, senti uma ternura, encantada que fiquei com seu olhar fagueiro, com esse sorriso de menina, encarando o que viria com o misto de medo e coragem tão próprio dos novatos. Verdade, senti saudade porque a vendo senti-a minha e não eu própria.
Não durmo a noite
Nem se tentar
Saudades vem a me atacar
Não tenho um escudo
Fico mudo
Enquanto o sono não vem venho em você pensar
E começo então chorar
Porque com você
Mas não tenho nada a fazer
Tenho que me consolar
Mas tenho certeza
Com você irei sonhar.....
Há algo que perdura mais do que a saudade, e esse algo é o sentimento e quando é mútuo pode ser realmente algo muito bom.
Uma porta aberta e abre-se a porta da saudade...
São quase dois meses que a senhora se foi, Su. Primeiro veio a grande dor que corta e dilacera, depois “anestesiei-me” criando uma fantasia que é só minha... vejo a “tua” casa todos os dias e a porta está sempre fechada... então passo, às vezes olho, e sempre finjo que a senhora está lá dentro cochilando no sofá, e que é somente por isso que não nos veremos, pois não quero perturbar teu cochilo. Se eu soubesse que a senhora iria partir assim, tão de repente, teria lhe “perturbado” muito mais... Hoje foi diferente: logo cedo passei em frente à casa onde a senhora morava e a porta estava aberta. Não era a senhora quem estava lá dentro. Fiz uma prece em seu nome, pedi sua proteção e segui com sua imagem e todas AS NOSSAS lembranças em meu pensamento. Hoje foi mais um dos dias em que dediquei meu pensamento quase que inteiramente a ti... Só mesmo a senhora - que daí do céu deve me ver – sabe verdadeiramente da saudade que sinto, das noites que por vezes não durmo ou acordo de sobressalto sonhando contigo, lembrando de ti... tua bonequinha dormiu comigo por mais de uma semana, a senhora deve ter visto, mas preferi guardá-la... e a guardarei por toda a minha vida. Quero passá-la para os netos que a vida me der e dizer a eles que ganhei de alguém que Deus me deu de presente, alguém que mesmo sem ter nenhum laço sanguíneo foi para mim mais que mãe, avó, irmã, amiga, conselheira, confidente... Cuidar de algo que durante tantos anos foi TEU é o mínimo que posso fazer por quem cuidou de mim por todos esses meus anos de vida... Ainda bem que deu tempo de dizer que eu te amava...não só com palavras, mas a cada abraço dado, a cada “bença” tomada, a cada tarde que passei ao teu lado, a cada visita, mesmo que só pra te dar um boa tarde ou boa noite, a cada dia das mães, natal, aniversário, ano novo que estive contigo...ainda bem! Não tenho como – e nem quero! – esquecer cada momento que me lembro de ter tido o privilégio da tua companhia. E gosto até do que não lembro, mas sei que vivemos porque me contaram... Não lembro-me, por exemplo, porque te dei este apelido, ou de quando almoçávamos a três: eu, a senhora e o seu cachorro...rs, mas como poderia eu, esquecer das tardes em que me balançavas em teu colo, no balanço de corda azul, no pé de umbu em teu quintal? Como esquecer do botão que me ensinastes a pregar, da bainha que me ensinastes a fazer... Cada riso, nossas conversas, teu choro disfarçado quando, até sem palavras, desabafavas comigo, as vezes que dormi na tua casa, tomei banho em teu banheiro, a tua mania de tomar refrigerante no copo grande azul após o almoço, o hábito de quebrar o palito de dentes sempre ao meio e espetá-lo no sofá, a pipoca, a cerveja preta que tomamos outro dia pra satisfazer tua vontade, o pedaço de bolo guardado com carinho, o carinho em nossos olhares, a tua letra bonita na lista de compras que eu ia fazer pra te poupar da caminhada, a benção que sempre te pedi e as centenas de vezes que me abençoastes com um “Deus te dê sorte” seguido SEMPRE do oferecimento da minha testa para que a senhora beijasse... como não lembrar das vezes que pulei tua janela para evitar que viesses abrir a porta, poupando-te do cansaço que ultimamente sentias nas pernas... como esquecer a cumplicidade do silêncio, o café às cinco horas com o melhor cuscuz da minha vida, tão fofinho, tão peneiradinho, que comíamos com pouca conversa para não engasgarmos! Hoje mesmo, comi um, aqui com vozinha... e juntas lembramos de ti e do cuscuz que somente a senhora sabia fazer! Deu saudade em nós duas e eu chorei por nós três...
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