Sair de Casa
Tenho plantado árvores
Tenho plantado árvores
sem saber o nome das mudas.
Algumas nascem tortas,
outras largam o caule no meio da tarde,
como quem desiste do dia
antes que a manhã termine.
Não escrevo placas,
não celebro datas.
Apenas volto, às vezes,
com um copo d’água e um silêncio,
como se ambos fossem sementes.
Plantar me parece um jeito
de conversar com o que virá depois de mim:
alimentar com frutos e sombra,
como quem deixa recados
em folhas verdes,
numa língua que ainda será inventada.
Às vezes, passo semanas sem voltar.
E, quando volto, há silêncio também nas raízes.
Outras vezes, encontro uma folha nova
que não me esperou para nascer.
As crio em pequenos vasos,
pensando protegê-las do mundo.
Mas elas anseiam pelo chão —
há raízes que não suportam cerâmica,
há vontades que só entendem o barro.
Tenho aprendido que a terra escuta melhor
quando não a interrompemos.
E que há gestos que não florescem
para nós.
Tenho plantado árvores
como quem aceita não entender tudo,
mas ainda assim insiste.
Como quem planta uma pergunta
e colhe, com sorte,
a sombra de uma resposta.
"Construí minha casa na areia, desde então deixei de existir. Fui ludibriado pela beleza do mar. Quis tornar o transitório permanente, ter o imponderável todo dia a minha frente. Não cogitei que o mar não aceitasse concorrentes.
Notei que o mar na areia apagou meu passo. E qualquer rabisco ou rastro que faço, num toque das águas desfaço.
O desenho só durou até ser tocado. O castelo se desfez quando foi alcançado. Meu pedido de socorro foi encoberto ao ser encharcado. E nada que não existiu pode ser contado.
No mar é onde hoje jaz o meu legado.
O mar não perdoa ninguém."
Benfica
Na casa do meu avô estávamos à lareira,
Meus irmãos e eu, e um cão também,
O cão ao lume fazia asneira.
Mexendo no que o lume contém.
Meu avô era surdo, da muita idade.
Meu irmão, muito irado...
Ao cão repreendeu, com autoridade,
Pois já estava muito danado.
Põe - te quieto Benfica...
Sossegado, já fica!
O cão parou de inquietar,
e do lume estragar...
Mas meu avô perguntou:
O quê ? É uma cadeia Jacinta?
Porque o ouvido não escutou.
Que era o cão nome Benfica.
E nós rimos bastante,
Deste episódio emocionante.
Da cadela Jacinta...
Que era o cão Benfica.
A vida por si só já é uma missão, dentro ou fora de uma Comunidade missionária.
Existem vários tipos de missão, o que muda são os povos que serão diretamente alcançados pela entrega da nossa vida: povos distantes, ou povos mais próximos a nós como a nossa família.
"Toda escolha traz uma renúncia", e toda renúncia acarreta em uma nova missão.
Ninguém me disse que seria fácil, mas saibamos, que onde quer que estejamos, podemos sempre voltar para casa.
É uma ilusão infantil, idealizarmos tudo segundo a ótica das nossas perspectivas, porém, seria mais ilusório ainda viver em um lugar quando nosso coração está em outro.
De que adianta viver com os pés no chão e o coração na mão?
O que está em jogo não são os prazeres momentâneos, mas a felicidade eterna.
No fim das contas, tudo passa, só Deus fica e basta!
O coração é a casa do amor, por isso, quem te deixa esperando na porta de entrada é porque não te quer dentro de casa.
" Não sei,
que de distâncias, tento não entender
prefiro encurtar, chegar aos laços
aos abraços
não sei,
mas sinto o recado no teu perfume.
cheiro que conheço tão bem
e mesmo diante de pouca distância
me contenho
e tudo que sei,
é esperar...
“” Meu coração é casa
Pra você chegar e ficar
Se for permanecer
A casa é sua
Mas se quiser sair
Pode ir
Quem sabe seu lugar seja mesmo a rua...””
"Que tipo de espectadores o 'É de Casa' acha que tem quando nos sugere uma vida de frescuras e 'fru-frus'?"
Nossa Casa do Cordel
Da Cultura ela faz parte
E em todo o Brasil
Ela é um Baluarte
Uma Casa que tem planos
Com os seus dezoito anos
De muita Poesia & Arte.
Santo Antônio do Salto da Onça RN Terra dos Cordelistas
19 Janeiro 2025
Não tem dieta do mundo
Que não seja repentina
Quando chega numa casa
De uma avó Nordestina.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
28 Março 2025
A pessoa idosa.
Uma pessoa que mora no Brasil e acaba de completar 60 anos ,já se torna pessoa idosa,com mais direitos do que deveres.
Se ela passar a frequentar uma ambiente de convivência com idosos,terá os mesmos direitos do que o idoso de 70 ou 80 anos.
Seria como a caçula que acabou de nascer, a "bebê" da turma.
Bacana,essa transformação que viver oferece ao corpo,envelhecer é fantástico.
A casa dia que passa fica mais perto a volta a primeira casa de onde viemos,a casa de Deus.
É muita gente com o corpo, a casa, a empresa e o carro, cheios de coisinhas ungidas; mas elas mesmas não têm unção nenhuma.
Lucas 15.8: Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? Na parábola da dracma perdida a mulher precisa acender a luz e varrer a casa; limpar a casa para encontrar o tesouro perdido, digo novamente perdido. Se a luz em nossa casa estiver apagada não veremos a sujeira e não encontraremos o tesouro que perdermos. Para recuperar a dracma perdida precisamos acender a luz e varrer a casa. Acenda a luz e você encontrará sujeira, varra a casa e você encontrará o que perdeu. Toda revelação dada por Deus tem o propósito de limpar a nossa vida e encontrar o que perdemos na caminhada.
O arrependimento só é verdadeiro quando ele nos leva de volta para casa.
Lucas 15:17: Então, caindo em si...
Lucas 15:18: Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai...
Predestinação
Adivinho-te
As lágrimas
E as quimeras derramadas
Dos olhos hirtos da noite,
E num abraço não contido
Envolvo-te…
Há diademas de Coragem
Esculpidos no sopro da aurora,
Estonteantes enigmas embutidos
Nas paredes da casa branca.
Predestinadas oscilações dos dias!
A casa branca
Chamou por nós.
Etérea,
Na derradeira aspiração,
Em esgares de agonia,
Ruiu
Aos pés do desalento.
Tristes tulipas,
Apoteóticas ninfas,
Dançam ainda
Tchaikovsky
No jardim.
Célia Moura - “Vestida De Silêncio”
