Saber
Não é nada disso
E não há nada que faça
A gente saber como é que faz
Compreender ou saber explicar
A enxergar o que há atrás
da cortina de fumaça
Atrás daquela porta
O sentido daquela palavra
Que disseram e não entendi
Agora não importa
A palavra já está morta
E só eu fiquei aqui
Olhando pela janela
O sino suspenso
No alto da Torre da Igreja
Lugar aonde penso
em pendurar meus pensamentos
Quem sabe assim
Alguém veja
Mas não há nada que faça
Compreender ou explicar
Coisas que nem precisavam falar
No meu tempo de criança eu entendia
No gesto, no olhar
E até num pensamento
Antes que fosse exposto
Agora já não importa
Só eu fiquei só
Aqui.
Patrícia
Nascemos os dois
Num Mundo bom
Sem saber de modo algum
daquilo que ocorreu
Nem mesmo se ocorreu
Num tempo longínquo
Passado
Às vezes perto
Às vezes longe
Sempre
Lado a lado
Qual Nefertiti e Akhenaton
Qual Pessegueiro e Sabiá
Olhávamos juntos o futuro
Sem mesmo imaginar
O que é que havia lá
De vez em quando
Um anjo visitava a gente à noite
e de manhã
A gente descobria
Que havia dividido
O mesmo sonho
E quando em um doía
Outro chorava
Caminhando lado a lado
Um Florido caminho de pedras
Se um chorava, outro chegava
e perguntava onde doía
No final
A gente sempre ria
Tem sido sempre assim
Desde que meu pai
Adentrou aquele portão
E anunciou sua chegada
E vai ser até o fim
Minha doce amiga
Que animou-me a caminhada
da vida
Por este Mundo deserto
E Mesmo que minha presença
Um dia pareça perdida
Estaremos para sempre
Sempre perto.
Não Sei
E isto é tudo que sei
E não há como saber
Quanto mais você
Quiser e procurar e perder
e pensar e sonhar sem dormir
e chegar e partir e tentar
e tentar e tentar e tentar
chegar aonde não queria
saber o que não sabia
desvendar o que se escondia
Um dia a gente acaba por entender
Que não há como saber.
Hoje eu acordei sem saber ao certo
Se eu pertenço mesmo a este mundo
Ou fazia parte de um sonho
do qual fugi, do qual eu desertei
Recordando a mim mesmo,
nos últimos anos
ficou ainda mais difícil saber
Se estava certo
se aquela sensação
era somente um triste engano
Abro a caixa do correio
Nenhuma mensagem
Saio à rua e me sinto
Como se eu fosse apenas
Um despercebido pedaço da paisagem
Em casa, há tempos sou um móvel
Um quadro na parede
Patética imagem imóvel
Minhas mensagens poéticas
Carecem de estética, de forma, justeza
Minha vida, há muito tempo
vou vivendo sem certeza
Mesmo os sonhos mais sem lógica
Como mágica me fazem sentir
Como se eu fizesse parte
daquele mundo distante aonde vou
sempre que a inconsciencia vem buscar
e parece me dizer
Não acorde, filho
fique aqui com a gente
pois aqui é teu lugar
Eu queria só saber
o que é que havia
Há muitos e muitos anos
Antes de a vida
Estar nos planos
do Divino
Que criou os Oceanos
Será que Ele dava importância
Pros sentimentos
Inclusos em nós
Que com o tempo
Se tornaram arrogância?
Será
Que o conhecimento
da verdade
Nos faria então
dar mais valor àquilo
que a nossa ignorância
chama de humildade?
Haveremos de encontrar
um dia
Nas cinzas mortas
Levadas pelo vento
profanadas
da Biblioteca de Alexandria
das raizes mortas
de árvores milenares
sob a lama que existe
no fundo dos Mares
na poeira cósmica
na energia telúrica
nos conselhos da minha mãe
no tempo e na madeira
que nos traz o champanhe
na areia que traz os cristais
Tomaremos então
A bebida no cristal
comemoraremos o fracasso do mal
e não seremos infelizes
Nunca mais.
Eu queria saber aonde é Longe
lugar tão simples, ignorado
e que tanta coisa abrange
a gente sempre ouve falar
de tanta gente que está lá
que veio de lá
ou que está pra chegar
e vem vindo de lá
eu às vezes chego a pensar
que longe é aqui
Longe dos sonhos
longe das soluções
longe de quem me entenda
longe de quem goste
de mim de verdade
eu esperava no passado
por um dia que estava longe
esperava sem perceber
que a cada dia que passava
eu ficava cada vez mais longe
Longe de quem me amava
longe de quem me queria
longe de quem
junto comigo sonharia
eu queria ir pra bem longe
mas esse lugar está
muito distante
no tempo e no espaço
e agora não sei o quê faço
já que tudo agora
está tão longe
Hoje
Eu pensei em você
Passei um tempo assim
Meio triste
E meio sem saber
O quê te fiz
Olhando fotos
Hoje, antigas
Fitei-me no espelho sem mentiras
Concluí
Que ainda sou o mesmo
Porém o teu olhar
Mudou demais
Há ainda
Um Oceano infinito
de lugares vazios
Ao redor de mim
Você não quis ficar
em nenhum deles
mesmo assim
Aquelas quadras de amarelinha
e a corda que a gente pulava
Estão para sempre apagadas
das tardes que, porventura
você talvez ainda traga
Nesse teu duro coração
E assim
A história se acabou
antes do fim
Melhor eu levantar-me
e ir-me embora
No teatro que encenas na vida
Eu sei, não pode haver
Lugar pra mim
Eu hoje acordei
Sem saber se estava acordado
Às vezes eu sou assim
Talvez eu só tenha sonhado
Que caminhava num belo mundo
de uma leveza sem fim
Vislumbrava uma gente
Que não falava mal
Não desejava mal
Nem fazia mal nenhum
Deixei meus receios guardados
Fui pro meio do Quintal
Belezas por todo lado
Tinha cavalos e capim
Para as árvores que morriam
Havia ali os cupins
Céus azuis sem fim
Pintados por nuvens e promessa
Águas raras corriam em rios
Insetos, sem qualquer pressa
A voar por entre flores
Num mundo com todas as cores
Um Céu com todas estrelas
e todos os pássaros também
Um Mar com todos os peixes
Florestas e campos e campinas e relvas
e selvas e colinas e desertos e montanhas
Pude ver tudo de perto
E todos os animais
Tudo no lugar
Tudo nos preceitos
Porém, entre tudo
o mais perfeito
eram as pessoas
Todas elas, boas demais
Este mundo as admirava
e nós éramos iguais.
Hoje eu compreendo
Que errei muito
por não saber
Se eu soubesse
Talvez tivesse errado mais
Alguns de meus erros
foram bons pra muita gente
Se imaginasse
Teria errado novamente
Não somente os erros cometidos
Que hoje eu vejo
Não como simples erros vãos
foram erros acertados, muito bons
Por não terem feito mal a ninguém
Grandes erros
Não os cometi
E jamais os faria
Esses acertos também
Me fazem sentir muito bem
Errei algumas pedras
que joguei em passarinhos
Errei quando decidi
Ser escritor de poesia
Errei em dividir muita coisa
Com quem mais tarde
Achei que não merecia
Errei em não ter escolhido outro caminho
Errei por ter feito o que fiz
Em lugar de fazer o que eu queria
Errei ao dizer as palavras que eu disse
num momento em que não pensei no que falava
mas eu fiz naquele dia
Se eu visse naquele tempo
A paz que me faz sentir hoje
Errava mais, juro que errava
O Universo
Este local
até hoje inexplicável
onde vivemos,
sem saber se é mesmo verdade
A existência de nós mesmos
Vivemos
Em vez de buscar explicação
para tudo que vemos
Quanto mais se descobre
mais descobrimos
que menos sabíamos
Abre-se uma porta
Estamos à um passo das estrelas
E cada dia mais distantes
das respostas escondidas
em cada descoberta
com as quais ninguém concorda
de vez em quando
alguém abre a porta certa
Em vez de outro abismo
aparece a teoria das cordas
até que um dia
percebemos
que estão também aqui
e que também estamos
estivemos ou estaremos
lá
Nos confins dessa infinita
estrada que o tempo não alcança
dançando sem saber
cada passo dessa dança
que ninguém vai saber explicar
se não conseguir
tornar a ter o que um dia chamávamos
de pureza da criança
Explicamos o corpo usando o cérebro
Não se explica o cérebro
Usando apenas ele mesmo
Abre-se uma porta
caimos no abismo
no qual ninguém cairia
se voltasse a usar apenas
a sabedoria que um dia tivemos
e não sabemos aonde ficou
Portanto
Ignoramos o tudo
Em vez de entender o nada
Eu tenho um coração tão livre
Que tem horas que sinto
Apesar de não saber voar
Ainda dá tempo de aprender
Pois eu tenho a alma solta
E vem do tempo que eu sonhava
Eu tive um tempo de sonhar
Só não consigo te explicar como é se sentir assim
Saber que o tempo é breve
E eu tenho um coração tão leve
Como num circo de domingo à tarde, cujo ingresso é livre
Mas que é preciso um par de asas para entrar
Porque ele voa ao vento
Voa lento e espera uma notícia boa
Mas há momentos em que ele se fecha
Quem quiser sair, ele deixa
Quem não quer entrar, não precisa
Pois a vida é tão breve; um sopro...uma brisa
Leve como a sensação de liberdade
Que não se sabe que tem e deixa ir num medo que sonhou
Não guardo o peso de nenhum segredo
Nem medo de batalha ou de acordar mais cedo
A vida é um folguedo que passa depressa
Um fogo que se apaga
Eu tenho um coração bem livre e só
Isso é tudo que eu tive.
Edson Ricardo Paiva.
Confissão.
Hoje eu compreendo
Que errei muito
Errei, por não saber
Se soubesse
Talvez tivesse errado mais
Alguns de meus erros
Foram simplesmente bons
Se imaginasse
Teria errado novamente
Não somente os erros cometidos
Que hoje eu vejo
Como simples erros vãos
foram erros acertados, muito bons
Por não terem ferido a ninguém
Ninguém que não merecesse
Grandes erros
Não os cometi
Nem jamais o faria
Esses acertos também
Me fazem sentir
Muito bem, hoje em dia
Enganei-me aqui e ali
Enquanto isso, eu vivia
Errei algumas pedras
que joguei em passarinhos
Errei sobremaneira, no dia que decidi
Escrever minha primeira poesia
Errei em dividir muita coisa
Com quem eu, mais tarde
Fui ver que não merecia
Errei, por não ter escolhido outro caminho
Errei, por ter feito o que fiz
Em lugar de fazer o que eu queria
Errei ao dizer as palavras que eu disse
num momento em que não pensei no que falava
mas que eu fiz naquele dia
Se tivesse percebido a tempo
A paz que me faz sentir hoje
Errava mais, por Deus que eu errava!
Edson Ricardo Paiva.
O mundo carece de entendimento. Achamos saber, mas na verdade é um paradoxo, pois quanto mais adquirimos conhecimento, mais percebemos que pouco conhecemos.
Eu queria saber o momento exato
em que as nuvens começam a se formar
O momento exato em que o primeiro pingo cai
o momento exato em que o sol se esconde.
Estou cansada de tantas mudanças de tempo
Estou cansada da chuva
Cansada do Sol
Estou cansada do frio
e das flores que desabrocham na primavera e morrem no inverno
Estou cansada de tantas estações
Cansada de limpar as folhas no quintal
Cansada do frio congelante, e do calor escaldante
Meu Deus, como eu estou cansada
Surto
Eu sabia.
Eu sabia.
Mas o saber não segurou a porta
quando a mente resolveu sair correndo.
O surto não chega gritando,
ele chega convencido.
Diz que agora vai,
que dessa vez precisa falar,
que o silêncio já venceu vezes demais.
E eu assisto.
De dentro.
De fora.
De um lugar estranho
onde ainda existe consciência,
mas não existe freio.
Eu falo.
Eu exponho.
Eu rasgo o que eu mesma costurei com cuidado
em dias de lucidez emprestada.
É desesperador
morar num corpo que não obedece,
num pensamento que se auto-sabota
em tempo real.
É como se eu fosse
a câmera de segurança
de um assalto cometido por mim mesma.
Grava tudo.
Não impede nada.
Depois vem o cansaço.
Esse cansaço antigo,
que não é físico,
é ontológico.
Cansa existir dentro de uma mente
que sabe demais
e controla de menos.
Eu volto pra mim aos poucos,
como quem retorna de um incêndio
carregando o próprio nome chamuscado.
Ainda sou eu,
mas com cheiro de fumaça
e a vergonha silenciosa
de quem viu tudo pegar fogo
sem conseguir apagar.
O surto passa.
Eu fico.
Com a memória do estrago
e a pergunta que nunca cala:
— como é possível estar tão consciente
e ainda assim tão ausente de si?
Você pode até saber que aquilo é errado, mas quando você passa pela situação, as emoções falam mais alto e você acaba fazendo qualquer coisa para agradar os outros.
O tolo se acomoda acreditando já saber tudo,
Mas o verdadeiro sábio
Está sempre a procura da sabedoria
A sabedoria é simplicidade e quando se sabe pouco vale mais que saber muito do que não se conhece
Pois a sabedoria é uma verdade do que é real e dos fatos de tudo que se pode conhecer
A ignorância é enganadora e convence o tolo de que já sabe tudo
Este perece em sua tolice
Mas o sábio busca conhecer por meio da verdade clara e absoluta
Até nas coisas mais simples com humildade e paciência
A sabedoria
Se sou poeta gostaria de ser poeta e saber transformar o amor em palavras com tanta sensibilidade, a beleza das coisas, o colorido das flores na primavera, pelo sol do verão, pelos abraços calorosos do inferno, do outono, cobrindo o chão com folhas que caem das Árvores Queria poder ser Poeta para compor poemas em versos declarando as maravilhas que se manifestam nas coisas mais simples da vida Queria ser poeta para que através da poesia pudesse revelar com simplicidade e beleza as coisas que encantam os olhos que acalmam a alma que se declara a quem ama revelar o amor, as paixões dos sentimentos das emoções e do desejo que podem e arrepiam, a delicadeza de uma mulher, a timidez de uma menina, do rapaz que se declara
o pai que abraça
da mãe que gera a vida eu queria ser poeta porque os poetas conseguem captar na simplicidade e compor a mais bela poesia eu poeta desejo ser
como os poetas a versar da vida verso um amor eles são poetas são poemas isso desejo um dia ser como os poetas e seus poemas.
