Rondo Poesia de Cora Coralina
Ao observar o curso de um rio, podemos compreender a vida, que o tempo é como água que corre para a imensidão, rumo a eternidade.
Preciso reagir, vencer a inércia interior, cultivar o meu jardim, para colher flores e frutos de amor.
Não quero me aparecer, mas sair de cena divagando, e nas minhas digressões chegar ao porto destino meu, sigo em busca do meu eu.
Te tanto ler o Facebook perguntar o que estou pensando, me tornei um pensador. Penso na vida e morte, mas também penso no amor.
Vida que esvaece, qual águas de uma nascente, tão carente das fontes celestiais, para perpetuar em suas carreiras rumo ao mar.
Pensar e escrever, em monólogos momentâneos do ser, conversa íntima, lancinante letras que afloram em grafias ocasionais.
O vento que sentimos jamais será o mesmo, assim também o sentimento, como águas de um rio a correr, ou mesmo a chuva que irriga o viver.
O amor humano e o vento tem coisas em comum, chegam repentinamente, se transformam em tempestade ou se reveste em ódio ou rancor. O amor humano não é amor.
Qual magnificência dos mistérios, muitos intangíveis ao saber humano, eis a ciência do universo, ante equivocos e enganos.
Há mais de 2000 anos que humanos se ensoberbecem e desdenham do Cristo Salvador, dão por lenda a maior prova de amor.
Um sorriso no rosto para amenizar um coração que já não sabe o que é sorrir, mas vive sempre a chorar.
Sentir o coração fraquejar, na sua luta, em seu pulsar, a resistir sem fatigar, até um dia enfim parar.
Atenção todos os passageiros, queiram estar cientes que o embarque à viagem se dará a qualquer momento e sem bagagens.
As complexidades da vida nos faz sermos amados e ao mesmo tempo odiados. Bom seria se pudessemos irradiar tão somente o amor, vencendo por conseguinte todo o ódio e rancor.
Na busca pelo conhecimento muitos negaram a fé, passaram a crer mais nos autores dos livros que em Jesus de Nazaré.
O espirito clama em seu templo, implora por socorro, sem voz a emitir, grita e roga ao supremo da toga.
A vida é qual um texto a redigir, cheio de vírgulas, pontos e parágrafos, até chegar enfim ao ponto final.
Minha oportuna companhia são as palavras, que desabrocham em frases lúdicas ou lúcidas da fria razão de viver.
O que mais espontâneo podemos esperar de humanos é o ódio. Sentimento este que aflora qual transpiração, sem o mínimo de razão, tão somente induzido pela antipatia gratuita e descabida da formação preconceituosa interpessoal.
A soberba humana ofusca a real insignificância do ser, que tão somente um segundo pode acrescentar ao seu viver.
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