Ritos de Passagem
O amor espiritual é uma posição feita de pé com uma mão estendida para o universo e outra estendida para o mundo, permitindo-nos atuar como um canal para a passagem de energia.
Uma historia de amor não precisa ter grandes linhas e paginas como um livro,mas sim de momentos intensos, apaixonantes e marcantes,o tempo é indiferente seja dias semanas meses ou ano,o importante é fazer que essa história seja verdadeira e real até o seu ponto final
“Quando se está a cumprir anos, e eles já não se estão tão cumpridos como outrora estiveram, percebe-se o tamanho colossal do que ficou para trás em detrimento do ínfimo sobejo que há pela proa. Medo do desconhecido? Jamais... Vive-se cada dia como se único fosse, porquanto de fato o é, tendo em vista a certeza premente e inescapável do fim. Ou seria de um recomeço?”
"Passam-se as horas, os dias, semanas, meses e anos, e enquanto isso absolutamente ninguém é capaz de viver em alguns desses dois tempos tamanho enganosos, o ontem e o amanhã, exceto, exclusivamente, no agora."
Há tanto para contribuir ao produto de quem nós somos, tem um bocado de nós, das contingências porque passamos, os amores que vão e vem, nosso olhar sobre a passagem dos anos, e entrementes a tudo isso, há uma parcela singular, e que diz muito de quem nos tornamos, as amizades, que uma a uma, vão lapidando a nossa alma e dando contorno aos nossos sonhos.
►Ludmila
Linda, meiga, tímida e educada
Simpatizei-me ao vê-la, tão bem aplumada
Logo que a vi, despertei do mundo monótono
Sei bem que sou um garoto aos teus olhos,
Que nossas idades divergem
Tão doce aquela que vejo à tela
Apaixonei-me por uma boneca de uma antiga peça
Perdão, recortes foram feitos em minha mente
Pensando nela, logo me apressei para lapidar
Não me neguei em buscar palavras para expressar.
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Ludmila, Ludmila é o nome
Descobri pelo acaso, tropecei em teu caminho
Responda para mim quantos anos tens?
Não me trate como um menino, por favor, não me trate
Sou adulto, não que isso baste, mas, já me tens
Maltrate-me, machuque-me... me abrace.
O QUE ME IRRITA MESMO...
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Há certas coisinhas que acontecem no nosso dia a dia que nos deixam visivelmente irritados: ir ao cinema e ter o azar de sentar ao lado do indivíduo que nos antecipa as principais cenas do filme.
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Ou, então, uma pessoa bem alta senta na poltrona à nossa frente; o mastigado crocante - também no cinema - dos comedores de pipoca ou do ploc-ploc dos chicletes; rangido de porta, nos escritórios, enquanto aguardamos ser atendidos; em casa, apressado para sair, na hora de pôr perfume, a tampa do frasco escorrega, rodopia no chão e vai repousar lá no cantinho embaixo do guarda-roupa ou de outro móvel qualquer; concordar com pessoas que nos pedem opinião, mas que, na verdade, precisam é de apoio moral.
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O que irrita mesmo é subir no ônibus e aguentar, sem poder dizer nada, aquelas pessoas que demoram uma eternidade na roleta pagando a passagem.
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Um dia desses, final de tarde, observei: uma senhora gorda, bem parecida, apresentado sinais visíveis de neurose, aproximou-se da roleta e tentou nervosamente abrir a primeira bolsa.
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Depois dessa, havia aquela bolsinha onde elas guardam moedas. Mexeu, remexeu, e nada de as moedas aparecerem.
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Em cima da gaveta do trocador havia de tudo. Um verdadeiro bazar: amostra de tecidos, grampos enferrujados, pente, botões, sianinhas, carnê do Baú da Felicidade. O que se pudesse imaginar estava ali exposto na mesinha do trocador.
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O tempo foi passando, passando (como é seu costume), e eu me enervando. A essa altura, já me sentia uma bomba. Só faltava explodir. Não demorou muito. Chovia e ainda não me encontrava sequer dentro do ônibus. Muni-me de paciência - qualidade rara hoje em dia - e suportei heroicamente a primeira etapa dessa angustiante maçada.
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A segunda etapa vai do momento em que ela retira a moeda da bolsinha, até o pagamento propriamente dito.
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Não entrarei em minúcias, por questão de brevidade. Bom, depois da longa "lengalenga", pudemos respirar naturalmente. Pensamos nós, passageiros.
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Mas que nada. Aconteceu o inesperado: a bolsa da dita enganchou na roleta e começou o puxa-puxa. Puxa daqui, puxa de lá, e eu sei, gente, que finalmente chegou a minha vez de pagar.
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Meti a mão no bolso para tirar a carteira, tentando ser mais rápido que todo mundo, querendo, com isto, me vingar mentalmente... Não a encontrei. Se não fosse minha timidez congênita, teria feito aquele escândalo.
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Pior do que tudo isso, e já não era pouco, os outros passageiros, saturados pela gorda, não compreenderam meu problema - o roubo da carteira - e começaram a me xingar deliberadamente.
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Essa não! Aí não prestou! Um verdadeiro disparo - de blasfêmias - cruzou no ar, juntamente com bofetes e encontrões. Estava todo mundo ababelado, à mercê do que desse e viesse, quando de repente ouviu-se o disparo de um revólver. Ficamos estáticos, pálidos, mal respirávamos.
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Poucos minutos depois, cada um de nós olhou para a cara do outro, meio sem jeito. Era como se quiséssemos inquirir: - Precisava de tudo isso!? Um pouco mais de calma não teria resolvido a questão? Mas agora é tarde demais.
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O silêncio é rompido pelo autor do disparo, um guarda da Polícia Civil, que falou com aspereza:
- O coletivo está detido e vai agora mesmo para a delegacia!
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Chegamos. O delegado, como sempre, fez perguntas de praxe e no final não deu em nada. Algumas multas, advertências e pronto. Uma história a mais dos propalados transportes coletivos. Fim de linha, fim de conversa!
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1977
Quer ser feliz mas não sabe que a vida não é hidromassagem
No campo das emoções é sem massagem
Não importa se é mulher ou homem
Quem não quer sentir o sabor sente fome
Ostentar o luxo distrai, estamos aqui de passagem
Quem só quer chegar não aprende com a viagem
DESBASTE
Uma certeza anunciada
Independente da moda
Passarela dolorida
Que a tesoura esteja afiada
Pra agilizar essa poda
Da tal árvore da vida
Quando não restar mais nada
Pra fazer girar a roda
Seja suave tua partida
Que não seja prolongada
Ao que aqui já não se amolda
Noutro plano segue a sina
Com a alma acomodada
Pelo exemplo que empolga
Aos que seguem nessa lida!
Uns usam as pedras pra atravessar a correnteza, outros são levados e fatalmente engolidos, há os que insistem com cipós e madeirames até construir a ponte para tão sonhada travessia!
Canção / Samba
100 Anos
100 anos passarão, tudo é vento
Não há feito, que resista ao tempo
Nem cargo, nem salário, hão te lembrar
Nem casa ou vestuário, tudo sobrará
Toda fama é nada depois que se morre
Logo vem o novo e o nome some
Só o que fica é o que se deixa na matéria amor
E em cada canto, assim você importou
Sem fazer o mal, nem prejudicar
Como lindas pedras e rios a enfeitar
Como a paisagem, assim somos nós:
Todos de passagem na vida veloz.
Sem fazer o mal, nem prejudicar
Como lindas flores a enfeitar
Como a paisagem, assim somos nós:
Todos frágeis, todos nós!
A vida e as transformações mundanas não nos pedem licença para prosseguirem. Elas fluem constantemente rumo ao fim de alguns ciclos e recomeço de outros. Tudo o que se ergue, tempos depois, se declina.
Em locais certos, pessoas do bem desfrutam da vida usufruindo de seus merecimentos. Em locais errados, elas esgotam suas vidas apenas merecendo, merecendo, merecendo...
O tempo me ensinou que a vida é tão passageira quanto ele, a única diferença é que a terra consome o corpo e ele brota saudade.
