Retorno
Meu retorno, minha recompensa, meu destino, meu atalho, meu dia, minha meta, minha metade, meu atraso, minha certeza, meu vício, meu desfecho, meu plano, meu engano, minha forma, minha nota, minha rima, meu desconcerto, meu verbo, meu adjetivo, meu som, meu silêncio, minha idéia curta, meu pensamento longo, minha fixação, minha realidade, minha forma errada, meu projeto final, minha canção, minha melodia, meus rascunhos, meus textos, minha manha, meu amanhã ...
vez em quando retorno aos velhos tempos atrás de lembranças que povoam minha mente.E descubro que o presente é realmente uma grande dádiva.
No fim da vida todos estão cansados, imprestáveis e desejosos do retorno ao princípio da matéria, mas ainda há quem diga que tudo vale a pena.
E se me matam eu sempre volto e meu retorno é sempre triunfal, volto mais forte e não temo morrer novamente, voltarei sempre novo e disposto a aprender, seja quanto necessário for até perfeito eu ser...
O único investimento que não tem oscilação e tem o retorno garantido e certo é aquele feito em Conhecimento.
A escuridão não é um lugar seguro de se ficar, pois não vemos nada. Nem o caminho de retorno. Então, quando você se arrepender como vai voltar?
O tempo do teatro é o do eterno retorno, é nietzscheano, é o tempo do amor. (Quando você está na cama com uma pessoa, você não tem "tempo". Você sai do tempo, entra num outro.) É a mesma coisa com a arte. Não tem sentido ficar nesse tempo de agenda. Aí você sai do teatro e não foi modificado, ficou no tempo linear, o do Ocidente, do relógio.
A decepção é inerente à espera do retorno daquilo que se deu. Dê-se sem espera de recompensa, assim evita a decepção.
Retorno à Inocência?
Às vezes, eu viajo no tempo.
Não há máquinas ou naves:
Apenas o meu pensamento.
E estas viagens são suaves.
Sigo as ruas da lembrança.
Basta uma brisa, um sopro,
E, súbito, o ido me alcança.
Então, não sou eu, sou outro.
Muito mais doce, puro e leve.
Exemplo: lembro de um celeiro.
E sinto uma paz quente, breve,
Além da carícia do vento-norte.
Ouço cantigas, até candeeiros.
E percebo: que minha, a sorte...
Não é tristeza, é saudade. É a constante lembrança do que não tem retorno, do quase-morto, do fim, do que não deveria mais ser falado. Mas eu insisto. Eu relembro, eu me mato.
Aquela que habitava em mim, morrerá muito antes do seu retorno. Ficou apagada com suas emoções e suas exigências amororas. Há mulher que habita em mim hoje, associa a ídeia de felicidade a uma só pessoa: A 1ª do singular!
O amor às vezes pede retorno e o que fizeste?
Acataste a decisão sem nem pedir explicação.
Que penso então? Que não há amor em seu coração. (Maio 2011)
