Renascer Carlos Drummon de Andrade
Retrovisor
Que o passado é passado, isso é fato! Porém, o passado é futuro quando visto pelo retrovisor. É o futuro iminente na perspectiva de passado.
Veja suas dificuldades como apenas mais um obstáculo, pois grandes Homens não superam adversários mas sim a si próprio!
"Você é a minha estrela no céu escuro, a minha luz no túnel sem fim. A distância pode separar nossos corpos, mas nunca nossos corações. Cada batida do meu coração é um grito silencioso de amor por você. A saudade é um peso que eu carrego com orgulho, pois sei que é o preço de amar alguém tão incrível. Mas é nos momentos mais difíceis que sinto sua presença ao meu lado, como um sussurro suave que me diz 'eu estou aqui'. Eu te amo mais do que palavras podem dizer, mais do que qualquer poema pode cantar. Você é a minha vida, a minha razão de ser. Sem você, tudo seria vazio e sem sentido. Com você, tudo é possível, tudo é lindo." 💕💫
Fazer o bem é mais que devoção, é missão. Deus nos dá forças para espalhar compaixão. Mesmo sem reconhecimento, não se esvaneça, mantenha firme o propósito,
sem hesitação, sem fraqueza.
Livro: O Respiro da Inspiração
"Respeito é a base. Amor sem respeito é fingimento barato. Cada um na sua, com liberdade para ser o que é — juntos e misturados, mas sem grude. Viver e deixar viver: essa é a única ordem real."
— Marcelo Carlos Rodrigues
Cinzas
Talvez o verão tenha queimado os frutos.
As mãos, ressequidas, apenas recolhem restos.
Cinzas, ardores, ossos.
Havia ali,
não se lembra?,
um rumor de desejo,
que nenhuma palavra salva:
todo poema é póstumo.
Botei a boca no mundo,
não gostei do sabor. Ostras e versos
se retraem
ao toque ácido das coisas tardias.
Na sombra insone do meu quarto,
o vazio vigia, na espreita do que não há:
por aqui passaram
pássaros que não pousaram. Fui traído
por ciganas, arlequins e cataclismos.
De nada me valeram
guardar relâmpagos no bolso,
agarrar nas águas as garrafas náufragas.
Linha de fundo
Assim meio jogado pra escanteio,
volto ao poema, este local do crime.
Mas é o desprezo que melhor exprime
aquilo que no verso eu trapaceio.
Se pouco do que digo me redime,
cópia pirata de um desejo alheio,
revelo a ti, leitor, o que eu anseio:
um abutre no cadáver do sublime.
A matéria é talvez muito indigesta,
me obriga a convocar um mutirão
para acabar com toda aquela festa
de pétalas e plumas de plantão.
Memória derrubada pelo vento,
quero aqui só lembrar o esquecimento.
Autorretrato
A Flávia Ampan
Um poeta nunca sabe
onde sua voz termina,
se é dele de fato a voz
que no seu nome se assina.
Nem sabe se a vida alheia
é seu pasto de rapina,
ou se o outro é que lhe invade,
numa voragem assassina.
Nenhum poeta conhece
esse motor que maquina
a explosão da coisa escrita
contra a crosta da rotina.
Entender inteiro o poeta
é bem malsinada sina:
quando o supomos em cena,
já vai sumindo na esquina,
entrando na contramão
do que o bom senso lhe ensina.
Por sob a zona da sombra,
navega em meio à neblina.
Sabe que nasce do escuro
a poesia que o ilumina.
