Relógio Parado
Descobriu tarde que o amor estava lá desde cedo. No outro dia lhe deu um relógio atrasado de presente.
Enquanto o relógio não marcar zero hora há tempo suficiente para buscar cores no que as horas anteriores quiseram deixar cinza.
O mundo gira em torno de si mesmo, em torno do sol, o tempo passa, os ponteiros do relógio giram e mais uma hora passa. Pensamentos, desejos, metas, você se atrasa, um dia a mais é o bastante para que tudo se desfaça. É mudança contínua, hoje o que é contagiante, amanhã desanima, não se sabe mais o que te fascina. O sorriso da menina ao participar da felicidade, no domingo se toca que o que fez foi desvantagem. São ações, contradições, palavrões, rótulos que saem dos padrões, a sociedade que te julga e não te entende, não sabe o que se passa na mente de um adolescente. Segue em frente, sem saber no que vai dar, mais cedo ou mais tarde essa vida acaba, não tem problema em arriscar.
Eu vi muitas madrugadas entrarem
e junto com o ponteiro do relógio passarem lentamente
enquanto eu mudava os móveis de lugar.
Assisti muitos filmes e seriados me revirando no sofá,
e nos rápidos intervalos, que serviam para esvaziar a geladeira,
eu passei correndo pelo corredor e vi a nossa cama arrumada.
Escutei discografias completas caminhando sozinho pela casa,
e chorei diversas vezes vendo nossas fotos,
finais de filmes de comédia e escrevendo sobre como me sentia vazio.
Eu vi da janela da sala muitas vezes o Sol nascer
e o novo dia chegar sem trazer notícias suas,
e dormi muitas manhãs cansado de tanto pensar e esperar por você.
Estou aqui
Ainda estou aqui
O relógio continua a andar
Mas ainda estou aqui
Os meus passos estão presos
Presos pela condição
…
Já dei volta ao mundo
Mas ainda estou aqui
Já sei como será o fim
Mas ainda não la estive
Da mesma forma que aqui cheguei, ei de partir…
Horas soltas…
Relógio descontrolado…
No chão um porta retrato quebrado.
Sobre a mesa rabiscos amassados…
Versos soltos ao vento.
Sentimento soterrado.
Coração quebrado.
Um desiludido!
O relógio é um indivíduo atrasado, sempre em contradição
A criança tem sonhos de gente, só precisa de um empurrão
O frio que congela o sangue é o mesmo que queima o pulmão
As folhas que caem no outono, se perdem na outra estação.
Atravesso A Porta (bomba relógio)
Todos querem falar um pouco
que eu tenho que me acostumar
Que eu devo deixar pra lá
Aprender a lidar
Mas não,
Eu não sei aprender...
Mas não,
Eu não quero aprender...
Nos outros olhos vejo acelerada
a vida que escapa
Todos fazem tão pouco por si
E quem lhes quer bem sente (chora)
Minha consciência vive
em constante batalha
De tanta guerra sangro por dentro
E quase nunca me permito chorar
Fazem de piadas os meus sonhos
Juntam-se para rir um dos outros
Tão pobres de vida
seguem tão cheios de vazios
Sobre meus ombros carrego suplicas
Atrás dos meus olhos ninguém vê
Mas a cada vez que atravesso a porta
sinto que morro mais um pouco
Meu coração levanta todo dia
a bandeira clamando por paz,
Mas minhas pernas marcham enfrente
e estão cada vez mais cansadas à resistência
Meu íntimo grita pela vida
Não nasci e cresci igual
Me sinto um deslocado
Um barco fora do curso
Queria ser como o cara do filme
Ou o garoto do livro
Mas atravesso a porta
como um carro bomba
Tempo para mim era sinônimo de relógio pelo qual dava vazão aos meus talentos e ele me retribuía. Eu me aplico em profundidade e tenho o que preciso, algumas vezes o que quero e tolerava sua dura cobrança. Mas não é isso... O tempo é um recurso. Assim como o ar que respiramos e a água que bebemos, nos parece infinito até quando entendemos que sua falta significa o mau uso que demos a ele.
O que você faria se hoje fosse seu último dia?
Você fica bem, mas ouve a música e ela te deixa preso naquela memória, no dia em que o relógio travou em uma certa hora, o céu deixou um certo tempo, o beijo foi curto e as palavras não emitiram som.
O Relógio
Não há como se livrar
Não existe alforria
Quem poderá nos salvar
Das horas dos dias
Já nascemos escravos
Um único ser humano
Aprisionou todo o resto
Tornou o tempo “concreto”
Neste momento nos condenou
A prisão perpétua decretou
Com sua simples invenção
Aprisionou geração a geração
Agora vivemos a mercê desse instrumento
Dominados pela “máquina do tempo”
Será que conseguirei terminar estes versos
Antes que o “tic - tac” da meia noite se acabe?
"O Relógio não para de correr, então não perca mais tempo, tome coragem e siga em frente, pois a prosperidade o espera"
Somos cobrados todos os dias pelo tempo, faça o que tiver que fazer antes que a pilha do seu relógio acabe
