Relógio Parado
Uma porta consegue portar muitas outras, por isto existe porta-fotografia, porta-relógio entre outras.
O relógio preguiçoso, com as pernas cruzadas, sussurrava seu tic-tac incessante, ecoando na vastidão da solidão. Eu me afogava na última dose amarga da cachaça, entregue ao vazio do pensamento, sem desejo de agir.
À meia-noite, o sino distante da igreja no alto da montanha rompeu o silêncio, convocando-me para a realidade. Soube então que era hora de me banhar nas águas do esquecimento e entregar-me ao sono.
Despeço-me, envolto no manto escuro do medo que abraça a noite.
O que você faz hoje pesa amanhã
Não é falta de tempo, é decisão
Relógio corre, não pede perdão
Quem vacila hoje, paga na mão - música hoje pesa amanhã do dj gato amarelo
O Silêncio do relógio:
O medo que eu sentia se desfez no cansaço,
eu já não tenho medo da morte, nem do fim.
Antes eu tinha, mas hoje o tempo é escasso,
e o peso do que carrego já transbordou de mim.
Eu desconto a minha dor nas pessoas, eu sei,
e por isso eu evito me aproximar delas agora.
No silêncio dos muros que eu mesmo levantei,
espero o momento de, enfim, ir embora.
Pois algum dia ficarei off-line para o resto da vida,
uma ausência que o mundo não saberá explicar.
E na alma cansada, uma certeza incontida:
sei que não existe uma cura para a minha doença,
apenas o silêncio que me ensina a parar.
Se o relógio apressa, eu desacelero
Trabalhei demais, agora eu quero
Pé na areia, som tocando, luz do dia
A vida também é pausa e alegria - musica precisando de umas férias
do dj gato amarelo
O relógio é esmagador. Ele tenta enganar os olhos do tempo. Tempo esse tão rápido, preciso e inquietante. Armaguras soltas decidem pintar a tela branca da vida, que num piscar de olhos, chega no fim.
O tempo não nos espera, mas convida-nos a florescer. Não tentes parar o relógio; aprende a caminhar com o vento, pois quem se demora na dor, esquece-se de que a vida é um eterno agora.
Uso relógio apenas como acessório, depois que a tecnologia chegou. Hoje, o tempo pisca nas telas e some no coração.
O Eco do Tempo
“O tempo não se mede no relógio, mede-se no que sentimos.
Há dias que duram segundos, e segundos que carregam uma vida inteira.
Por isso, ame sem pressa, abrace sem medo, viva sem reservas…
Antes que o tempo siga seu caminho e nos deixe apenas com o eco daquilo que não ousamos viver.”
Naldha Alves
A natureza é o meu relógio biológico, e as suas criaturas são os meus alarmes.
Sei exatamente a hora em que cada pássaro canta e quando cada bicho se manifesta. O meu maior medo não é o barulho da selva, mas o silêncio repentino. Quando a mata se cala, o meu coração dispara. O silêncio dos animais é o aviso de que um corpo estranho — uma sombra que não pertence a este reino — caminha entre as árvores.
Nesses momentos, seguro a arma, mas é a vossa lembrança que me segura an alma. Estou aqui, no meio do nada, a ler o segredo dos ventos e dos bichos, apenas para que a paz que vocês sentem ao deitar nunca seja interrompida.
Estou longe, mas nunca estive tão presente na defesa do vosso sorriso.
O Soneto da Hora
A hora passa,
A vida em massa,
O tempo voa,
A alma à toa.
O relógio bate,
O peito late,
No silêncio,
Do momento.
A sombra cresce,
O dia esquece,
De quem ficou.
Na escuridão,
Só o coração,
Que não parou.
"O verdadeiro trabalho trilionário não é escravo do relógio, mas sim fruto de uma visão que escala e liberta as pessoas para crescerem juntas."
O Labirinto das 4:30
O relógio é um carrasco de vidro e metal,
4:30 da manhã, o silêncio é visceral.
Meus olhos ardem, mas o sono não vem,
Sou prisioneiro de um vazio que ninguém contém.
O peito acelera, um motor em descompasso,
A mente é um ruído, cada pensamento um estilhaço.
As lágrimas descem sem pedir licença ou perdão,
Enquanto a alma naufraga nessa imensa solidão.
O que será de mim?
Sem o calor de um amor, sem um norte, sem fim.
Olho para a mesa, o alívio frio ali deitado:
O frasco, o metal, o fim de tudo o que foi errado.
Um duelo entre o "agora" e o "nunca mais",
Nesse labirinto escuro onde não encontro a paz.
Para o mundo, sou piada, um verso mal lido,
Um resto de gente que se sente perdido.
Minha humanidade escorre entre os dedos,
Sou feito de restos, de sombras e medos.
Onde está o brilho que o sorriso trazia?
Hoje só resta o vácuo e a agonia.
No espelho, o reflexo é um estranho, um réu,
Um fantasma do que fui, sob um cinzento céu.
Eu só queria o descanso, um dia de trégua, de luz,
Mas a vida é esse peso, essa maldita cruz.
Há noites como essa
Em que a tristeza bate e a solidão aperta
O tempo não passa, o relógio para
E a angústia no peito jamais se cala
Pensamentos perdidos dentro da mente
Não dá pra medir esse vazio presente
Sono vem, o cansaço é extremo
Mas com a mente a mil eu não adormeço
Coração chora, sangro sem corte
É como sentir aos poucos
Minha alma indo à morte
Dia após dia travo essa batalha
Dia após dia vejo cair as lágrimas
Caio e levanto ciente de que
Amanhã talvez não seja diferente
Mas serei como um leão
Talvez não o mais rápido ou mais forte
Nem o maior em sabedoria e porte
Mas serei aquele que encara a guerra
E jamais dela foge
O que mesmo ferido continua de pé
O que cai, sangra e segue na fé
Venço essa guerra...
Ou sigo lutando até a morte que me espera...
(ÁG)
O tempo de quem vem de longe parece não coincidir com o relógio dos que aqui já criaram raízes; a amizade é um fruto que, nesta terra, teima em não amadurecer.
O relógio mostra o tempo, o tempo mostra as pessoas. Às vezes corremos tanto e esquecemos os motivos da nossa correria.
É tarde, mas o tempo me permitiu olhar o relógio: a hora é essa.
Olho ao redor e vejo aquela luz no seu olhar. Sim, preciso retribuir e compreender que a luz pura nasce a cada dia para nos ensinar a sorrir.
No entanto, mudanças são necessárias, até porque a vida precisa se tornar um hábito, para que aprender a ser feliz não se transforme em algo penoso.
Veja o relógio, não tem piedade,
marca as horas com precisão,
vai rodando ponteiros em sobriedade
arrastando consigo o meu coração
Tempo malvado, que tão célere corre !
empurrando a vida para depois,
atropelando momentos, induzindo à saudade
do que nem ainda vivemos, nós dois
Neusa Marilda Mucci
