Redenção
se a música devora alma em redenção,
tudo pode ser especial quando o amor
é derradeiro num mundo que até existe,
mas, ninguém compreende a verdade...
torna-se parte de uma história desconectada,
versos ganham momentos num distante...
desejo que eterniza no algoz e mais que fel,
voraz o ador que se dilui sem noção...
para o paradoxo de sua vida mil palavras
traduzem em uma escala que viola.
V I D A !!
Seres egressos dos mais tenebrosos abismos em sua última oportunidade de
redenção, estão à solta na Terra! Vindos pelos braços de amorosas mães, mulheres endividadas, que lhes permitem a passagem, para por sua vez, expiarem seus débitos ! Antes deles, vieram os representantes dos líderes umbralinos, infiltrados no papel de advogados, policiais, e políticos corruptos a mudarem a lei, para facilitar-lhes as nefastas ações que presenciamos hoje ! Por sua vez, endividados do passado, liquidam suas dividas ao tombarem nas mãos desses cobradores robotizados, que por não conhecerem o perdão, também não conhecem a palavra do Divino Peregrino, que uma vez disse, ser "o escândalo necessário, mas ai daquele que promover o escândalo"! E lá vão esses seres, a cavar sua expulsão desse planeta, para serem dispersos num mundo em construção, onde "haverá choro e ranger de dentes"," expulsos para as "trevas exteriores", onde no muito sofrer, abrirão seus olhos para a realidade da Eternidade, extensão do Eterno Doador que espera de Suas criaturas o crescimento no amor !
odair flores
Eu sou um pobre diabo em busca de redenção
mas que ironia !
acredito que a redenção esta em um olhar doce,
num sorriso sincero,
e em lábios divinos de uma mulher
A dor e a redenção são caminhos que andam muito próximos e só quem tem a ousadia de caminhar no meio deles é que tem intensidade para viver.
Haverá sempre redenção
Para quem fadado à sublimação da dor,
Teimosamente,
Transformar paixão em amor.
AMOR AO PRÓXIMO
Os Espíritas Chamam de Redenção!
O Sistema chamam de assistência!
Os Religiosos chamam de obra social!
Os Filhos chamam de Justiça do Reino!
Jesus
Redenção, bondade, simplicidade, alcance da felicidade através do serviço (servir) e do amor ao próximo, sem julgamentos ou distinção. Individualidade, personalidade da alma e vida eterna.
Que sempre tenhamos fé na luz divina e na humanidade.
Que a esperança seja nossa companheira mais fiel.
Que nunca falte caridade em nossos corações.
Que saibamos valorizar toda vida.
Os atos de redenção de Deus para com a humanidade dão testemunho da sua graça. Noé, Abraão, reis, profetas e Cristo, são evidências da Sua misericórdia.
REDENÇÃO
Depois que passou, só depois, desta dita fadada
Notei que a sensação e o quesito não têm preço
O melhor agrado, aquela leve emoção encantada
Brota n’alma, se há sentimento igual, desconheço
Aquele gesto manso e casto, ao silêncio confesso
O repouso, a calma, aquele sossego e mais nada
Tudo é poesia, cuja a poética é singular endereço
Hoje vejo quão a intensão não é mais enamorada
Depois que passou e, só depois, desta redenção
Me tive novamente vivente, cercado de aventura
É que o pensamento tem satisfação na libertação
Dei-te o meu eu, com intensão, o exato, e forjavas
Condição que não sentia. Uma desafinada mistura
Pois, nesta gorjeta rala, as tuas restas me davas! ...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril 2023, 11, 10’23” – Araguari, MG
Perdido em meio à escuridão.
Sem encontrar a luz da redenção.
Tentei encontrar amor e amizade.
Mas a solidão me acompanha, sem piedade
O mundo está caótico, sem sentido.
E eu, cansado de seguir fingindo.
Os sonhos já não me trazem alegria.
E eu, sozinho, partirei nesse novo dia.
Somos todos hipócritas em busca de redenção, pois não creio que não haja aquele que nunca tenha feito alguma coisa da qual já discordou. Discordar de um processo e consumir o produto final não seria hipocrisia?
E você quer esquecer, e você quer que vá embora, e você quer redenção, mas você deita na cama e espera amanhecer.
O Cadafalso
No cadafalso, eu sorriria amargo
não por redenção, mas por desprezo.
Mergulharia no frio da paz sem rosto,
onde ao menos a dor não mente.
Deixaria pra trás os escombros de promessas podres,
palavras doces que apodreceram na boca de quem jurei confiar.
Fui traído com o silêncio, com o toque vazio,
com olhares que já não sabiam o meu nome.
E os amores…
tão rasos, tão covardes
que até a queda me pareceu mais leal
do que quem dizia me amar.
Na linguagem de Redenção: a Reconciliação precisa ser compreendida pelo homem que por sua vez deve responder positivamente para que ela se realize.
“De Profundis”, de Oscar Wilde: A estética do sofrimento e a redenção da alma
Por Andre R. Costa Oliveira
Introdução
Poucas obras na literatura ocidental expressam com tanta intensidade a transfiguração da dor quanto De Profundis, carta que Oscar Wilde escreveu na prisão de Reading entre janeiro e março de 1897. O título latino — retirado do Salmo 130: “De profundis clamavi ad te, Domine” (“Das profundezas clamei a Ti, Senhor”) — anuncia o tom confessional e quase litúrgico da obra. Mas este não é um salmo apenas de penitência; é também de revelação. Em De Profundis, Wilde não busca expiação pública: ele tenta compreender, com lucidez e ternura, o percurso de sua queda e o sentido de sua dor.
1. Contexto histórico e biográfico
Oscar Wilde, um dos escritores mais célebres do final do século XIX, foi condenado a dois anos de trabalhos forçados em 1895 por “indecência grave”, isto é, por manter relações homossexuais — então consideradas crime na Inglaterra vitoriana. O processo judicial, movido pelo Marquês de Queensberry (pai de Lord Alfred Douglas, seu amante), tornou-se um escândalo nacional. Até então, Wilde era conhecido por sua elegância, inteligência fulminante e ironia social; sua ascensão literária incluía peças de teatro aclamadas, como A Importância de Ser Prudente, e o romance O Retrato de Dorian Gray.
A prisão marcou uma ruptura radical com sua vida anterior. Privado de liberdade, status e conforto, Wilde mergulhou em uma crise existencial e espiritual. De Profundis nasce desse abismo.
2. Forma e estrutura: a carta como confissão
Formalmente, De Profundis é uma longa carta dirigida a Lord Alfred Douglas, escrita sob autorização limitada do sistema penitenciário, em cadernos supervisionados pelo diretor da prisão. Mas o que começa como um desabafo pessoal rapidamente se transforma em um tratado lírico sobre o sofrimento, o amor, o egoísmo, a compaixão e a salvação interior. A carta não foi enviada a Bosie diretamente. Após a libertação de Wilde, ela foi copiada e guardada por seu amigo Robert Ross, e publicada postumamente em 1905.
A linguagem é precisa, muitas vezes bíblica, quase mística. Não há ali o dândi de frases espirituosas, mas sim o homem nu, quebrado, buscando sentido no próprio fracasso.
3. A dor como iniciação espiritual
A experiência do cárcere é, para Wilde, uma espécie de rito iniciático. A dor deixa de ser um infortúnio e passa a ser uma via de conhecimento. Como escreveu mais tarde em O Balão de Papel, “quando se está sofrendo, se aprende”. Em De Profundis, isso ganha corpo:
“Agora vejo que a tragédia da vida não é que os homens sejam maus, mas que eles são insensíveis.”
A sensibilidade que ele desenvolve na prisão não é a da estética refinada, mas a da empatia profunda. O sofrimento desmascara sua vaidade, seus caprichos, sua vida construída sobre aparências. E, paradoxalmente, é o que o aproxima de sua própria alma:
“Aonde quer que haja sofrimento, há solo sagrado.”
Wilde se aproxima aqui de uma espiritualidade quase franciscana: o valor do sofrimento não está em sua crueldade, mas na possibilidade de tornar-se mais humano.
4. Amor, desilusão e perdão
Grande parte da carta é dedicada à análise de sua relação com Lord Alfred Douglas — marcada por paixões intensas, manipulações, vaidade e egoísmo. Wilde acusa Bosie de ingratidão, arrogância e destruição. Mas mesmo nas passagens mais duras, não se permite ceder ao ódio. Pelo contrário, sua meta é compreender o outro, não destruí-lo:
“Eu não posso viver de ódio. É pela compaixão que vivi.”
O gesto final de Wilde é de reconciliação interior. Ao invés de um ataque ou revanche, a carta é um gesto de superação moral. O perdão, aqui, é inseparável da dignidade.
5. Cristo como símbolo estético e ético
Um dos momentos mais belos e polêmicos da obra é a interpretação de Jesus Cristo como uma figura estética e radicalmente humana. Longe do Cristo institucionalizado, Wilde vê em Jesus o artista supremo da alma, aquele que viveu a compaixão como arte:
“Cristo é a suprema personalidade do romantismo. Ele não apenas não condena os pecadores, mas considera a alma de cada pecador como algo belo.”
Essa leitura é profundamente influenciada por seu espírito artístico: Wilde vê no perdão, na humildade e na entrega não sinais de fraqueza, mas expressões da mais alta sensibilidade criativa. Ele abandona o sarcasmo e a máscara social e se vê como discípulo não do moralismo, mas do amor encarnado.
6. O artista depois da queda
A queda pública e o fracasso social permitiram a Wilde uma visão radicalmente nova da arte e da vida. Ele abandona o cinismo aristocrático, a adoração do sucesso e da forma, e abraça a ética da vulnerabilidade.
“Tudo o que é verdadeiro na vida vem através do sofrimento.”
Neste ponto, Wilde se aproxima de autores como Dostoiévski e Pascal — para quem o sofrimento tem um valor epistemológico: ele revela. A dor, quando acolhida, não paralisa; ela ensina. De Profundis é, nesse sentido, o oposto do niilismo: é um hino à reconstrução da alma.
Conclusão: A profundidade como medida da beleza
De Profundis é mais do que uma carta de amor amargo. É uma elegia sobre a condição humana, escrita no limiar entre desespero e transfiguração. Oscar Wilde, o dândi escandaloso da sociedade vitoriana, se despede do mundo das aparências e se reconcilia com o essencial: a dignidade do sofrimento, o poder do perdão e a beleza silenciosa da alma que caiu e se levantou.
Essa obra, escrita nas profundezas da dor, permanece viva porque fala de algo que todos vivemos em algum grau: o fracasso, a perda, o desejo de ser compreendido. E talvez por isso, como ele mesmo disse:
“Há um único tipo de pessoa que me interessa agora: aquela que sofreu.”
