Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra
A tua alma é o teu alicerce, profundo e seguro...se permaneceres muito tempo pelo telhado, corres todos os riscos, se entrares bem fundo, estarás seguro e em paz.
O homem que sempre sonhou chegar à lua, primeiro subiu no telhado para tentar alcançar as estrelas
Não é necessário subir no telhado para se alcançar as estrelas, mas deve-se amar sem distinção para se chegar ao coração
FELINO
Subo no telhado as vezes
Só pra não esquecer que sou gato,
Mio lembranças
Só pra não esquecer que sou criança
Mio meus medos
Mas não conto meus segredos
Tomo banho de lua e de estrelas
Porque tê-las, porque contê-las
É a amplitude de um felino
Mas essa tristeza, essa perda,
Esse desatino é o meu destino
Alguma coisa entre nós aconteceu
Mesmo que não tenha acontecido coisa alguma
Alguma coisa se perdeu nessa lacuna
Reviro telhas, essa centelha ainda periga um incêndio
Não sei de tudo não sou compêndio
Sou só um bicho no teto olhando uma ave no castelo
Contemplando em silencio
O que não é bonito só por ser belo,
É ansioso não por ser aflito,
É sereno e suave não por ser passivo
É perene não por ser perpétuo
Mas por ser completo e extenso
O que é que está acontecendo comigo
o gato que eu era em cima do telhado
de repente soltou seu miado
e sardinha, a piranha que dormia na calha
se espreguiçara indiferente
o meu olhar quarenta e tres
só vale dez por cento dos dez por cento que valia
Aceb, o mulçumano,
não entendia eu te amo
como eu entendia Aceb e sua filosofia...
o que acontece comigo
não olho mais o por do sol como eu olhara um dia
não arquiteto o teto sob estrelas
e tê-la, somente tê-la é minha obsessão,
só resta-me uma vida, só uma vida, das sete que se presumira
a brisa que leva seu perfume, leva a minha existência
e o felino que habitava este coração
caminha silencioso sob o firmamento riscado por meteoros buscando entender o que acontece...
A telha do vizinho pode ser igual à sua,
mas nunca sentirá os ventos que sopram sobre o seu telhado.
Houve um tempo em minha vida
Que havia monstros no telhado
Fantasmas atrás da porta
Esqueletos embaixo da cama
Mas alguém
sempre me chamava pra jantar
Hoje ninguém me chama
Agora ninguém se importa
Hoje o monstro sou eu
Aquele tempo já passou
O outro mostro morreu
E eu ando tão cansado
Que nem posso mais subir
Em nenhum telhado
E eu olho pras crianças
Um tanto assustado
Elas também ficam um tanto ressabiadas
Mas depois a gente brinca
e dá boas risadas
Sempre que existem
Esses encontros
Eu me lembro do passado
E sinto muita saudade
dos meus monstros.
O Vento soprava
E a folha caiu
lá do alto da galha
Parou num telhado
Enroscado numa telha
No resto da Ilha
O povo trabalha
Máquina debulha milho
O Rastelo ajunta a palha
Que o vento espalhava
Estudam as filhas
Malhava o martelo
a folha farfalha
Voa um pouco
Entope a calha
Atrapalha o escoamento
de toda produção nacional
E as coisas fogem ao normal
Agora, há de faltar feijão
Açafrão, limão, manjericão
doce de mamão e trigo pro pão
O comércio falha
O povo olha as prateleiras
Vê que as coisas
Sairam dos trilhos
Não tem pilha
Toalha de banho
Comida pros filhos
Colírio pros olhos
Coalhada pros velhos
Faltaram até
As migalhas pras gralhas
Que vão vasculhar
Justamente na calha
e palmilham a folha
Escoa o entulho
E tudo volta aos trilhos
Prossegue a batalha.
Não existe casa
Se não houver telhado
Pra bem ou pra mal
Andar pra frente ou pra trás
é uma questão de escolha nossa
e das coisas que se faça
Não existe aquela opção
do "tanto faz"
Pois
Depois de feito
Aí não tem mais jeito.
Até as folhas mortas
escolhem o vento que as carregue
e as portas onde irão se acumular
Peça a Deus
Converse com o Universo
deseje o impossível e o infinito
E constate
Como é incrível
e também muito bonito
Aquilo tudo que acontece depois disso
Tenha sempre um compromisso
Com tudo que veio fazer aqui
entre as coisas que parecem impossíveis
Encontra-se a faculdade
de poder intuir
Como as coisas acontecem
Lembre-se
A sua mente é uma mente integrada
a bilhões de outras consciências
E se a gente não fizer a nossa parte
Toda ciência acumulada
Não vai nos servir pra nada
Nisto consiste a arte da vida
E não existe uma idade certa
Pra gente saber ou não
Simplesmente viver
E ser aquilo que quer
A cada momento
Pense no exemplo
da folha e do vento
É tudo uma questão de escolha.
Edson Ricardo Paiva.
Fiques com alguém que não tenha medo de gritar que te ame de cima do telhado. Não aceites migalhas. Merecemos o amor por inteiro.
Ouvi um barulho e encontrei
um bonito Caburé-Acanelado
em cima do telhado,
Com o coração é preciso
tomar sempre cuidado,
Por isso preciso esperar
por quem realmente me quer
com amor e paixão ao nosso lado.
Quem nunca perde de vista o inimigo está defendido da necessidade de descobrir fragilidades e fraquezas que se manifestam no seu próprio campo.
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