Quase Morto
Pensando bem, a perfeição não existe e a quase perfeição também quase não existe. Refletindo sobre isso, percebo que a perfeição é um conceito ilusório, e a quase perfeição também é difícil de ser alcançada. Será que o quase perfeito é apenas uma forma de imperfeição? Logo, a perfeição pode ser vista como a imperfeição que existe entre eu e você.
O ser humano me lê como uma pessoa quase normal, mas nem tanto forte.
Uma leitura didática, porém analógica.
No entanto, se mergulharem em mim, descobrirão o quanto de poder tento esconder, o quanto de filtros utilizo para não me reconhecer por completo.
Faço isso para me proteger, até porque a exposição trinca e dizima o ser humano.
É um vírus letal — mortal e imoral.
Quase tudo!
O dinheiro compra quase tudo: justiça, amigos, status, mentiras, silêncio e tantas outras coisas. Mas há algo que ele ainda não pode comprar — a morte. Pelo menos, por enquanto.
Especial é você
Você é especial, e você sabe disso.
São momentos únicos e quase viciantes. Mesmo sem querer, as lágrimas vêm, como juízas de um ato importante.
Além das rimas
Certa vez, perguntaram-me por que eu quase não usava rimas em minha escrita. Então, pensei em uma resposta plausível:
A vida é linda, amiga. Mas, se você não tem a essência de enxergá-la, mesmo quando ela não se apresenta de forma explícita no agora, então me desculpe, querida… você ainda não chegou lá.
Sobre sucesso, silêncio e o que realmente incomoda...
Existe um tipo de desconforto que quase ninguém admite, mas que aparece o tempo todo.
Ele não faz barulho alto.
Não vem em forma de confronto direto.
Mas está ali, nos olhares, nas perguntas, nos comentários atravessados.
Acontece quando alguém cresce.
Não quando alguém ostenta de forma vazia, mas quando melhora de vida de verdade. Quando muda de ambiente, de rotina, de mentalidade.
Curiosamente, isso nem sempre é recebido com admiração.
Às vezes vem uma dúvida disfarçada de curiosidade.
Outras vezes, um julgamento escondido em tom de brincadeira.
E, em alguns casos, um incômodo silencioso, difícil até de explicar.
Não é sobre o carro que alguém comprou.
Nem sobre a casa onde alguém está.
Nem sobre o lugar que alguém passou a frequentar.
É sobre o que aquilo representa.
Porque quando alguém próximo evolui, inevitavelmente surge uma comparação. E nem todo mundo está disposto a lidar com isso.
Alguns se inspiram.
Outros questionam.
E há aqueles que tentam encontrar algum defeito, algum atalho, alguma justificativa que torne aquele crescimento “menos legítimo”.
Como se fosse mais confortável acreditar que não foi mérito.
Isso não é exclusivo do Brasil, mas aqui ganha uma intensidade particular.
Talvez pela proximidade entre as pessoas.
Talvez pela desigualdade.
Talvez pela cultura de aparência que se mistura com a necessidade de validação.
O fato é que muitas vezes o sucesso não é visto como um caminho possível, mas como uma exceção desconfortável.
E quando isso acontece, surgem perguntas que não buscam respostas. Buscam confirmação.
“Será que trabalha com coisa certa?”
“Como conseguiu isso?”
“Desde quando ficou assim?”
Não são perguntas sobre o outro.
São dúvidas internas sendo projetadas.
Em outros lugares, como os Estados Unidos, a reação costuma ser diferente. O sucesso tende a ser associado à conquista. Existe uma narrativa forte de que crescer é resultado de esforço.
Já em contextos mais tradicionais, como em Portugal, o destaque pode ser recebido com mais cautela, às vezes até com certo desconforto silencioso.
Em países como a Suécia, por exemplo, existe uma cultura forte de igualdade social, onde o destaque excessivo pode gerar desconforto, não exatamente por inveja direta, mas por uma pressão coletiva por equilíbrio.
Ou seja, esse comportamento existe em diferentes lugares. O que muda é a forma como ele aparece.
Mas existe um outro caminho. E ele é menos visível.
É o caminho de quem não se preocupa em explicar o próprio crescimento.
De quem não sente necessidade de provar nada.
De quem entende que cada escolha traz consequências diferentes.
Crescer muda ambientes.
Muda hábitos.
Muda prioridades.
E isso nem sempre será compreendido por todos.
Alguns vão chamar de mudança de postura.
Outros vão chamar de distância.
E alguns, sem perceber, vão interpretar como arrogância aquilo que, na verdade, é apenas foco.
Existe também um equívoco comum.
A ideia de que evoluir deveria manter tudo igual.
Mesmas conversas.
Mesmos lugares.
Mesmos comportamentos.
Mas crescimento de verdade não funciona assim.
Ele seleciona.
Refina.
E, inevitavelmente, cria distância de tudo que já não faz sentido.
Enquanto isso, existem dois tipos de movimento acontecendo ao mesmo tempo.
Pessoas que constroem.
E pessoas que observam.
Pessoas que trabalham em silêncio.
E pessoas que comentam de fora.
Pessoas que evoluem pelo processo.
E pessoas que querem o resultado sem atravessar o caminho.
E talvez seja exatamente por isso que o silêncio começa a fazer tanto sentido.
Porque no silêncio não existe comparação constante.
Não existe necessidade de validação.
Não existe disputa disfarçada de convivência.
Existe espaço.
Espaço para viver sem precisar explicar.
Espaço para crescer sem precisar justificar.
Espaço para ser, sem precisar parecer.
No fim, não se trata de rejeitar pessoas, lugares ou culturas.
Trata-se de escolher melhor o ambiente emocional em que se vive.
Porque crescer não deveria incomodar.
Mas quando incomoda, revela mais sobre quem observa do que sobre quem evolui.
Já deve fazer quase 2 anos que não tenho nenhum amigo ou pessoa para contar, uma grande solidão aperta meu peito.
No lugar onde eu moro, tenho quase de tudo, inclusive, ninho de passarinhos na porta de casa. Uma bênção de Deus.
É feroz
e quase desumano,
é dor
que desatina
tudo que creio;
Sem rodeio
o coração
bate no peito,
num tic tac desordenado;
Minha sede
seca a boca
como palavras
que não se encaixam
ao teu vasto
cotidiano.
As adversidades da minha vida
Quase não deu pra suportar
Mas foi curando as feridas
Que que vi um novo sol brilhar.
Seria quase um sonho terminar o dia assim… nas suas mãos, que parecem saber onde o cansaço mora, no seu cheiro que me encontra antes mesmo de eu me explicar.
Deitar no seu peito… ouvir seu coração e o ritmo da sua respiração, como se o mundo inteiro, por um instante, resolvesse desacelerar comigo.
E então… adormecer no seu abraço. Não por exaustão, mas por entrega.
Como quem, finalmente, não precisa vigiar nada, nem sustentar força, e tampouco "segurar o dia nas mãos".
Adormecer ali, sentindo seu corpo presente, firme, quente… como um lugar seguro onde eu posso simplesmente existir.
Talvez nem seja sobre a massagem... talvez seja sobre encontrar em você um lugar onde eu possa descansar de mim.
Mas hoje eu só vou dar uma volta e aproveitar um pouco de silêncio.
Mesmo assim… ficou em mim essa vontade simples:
de um abraço sem pressa,
de um colo que acalma,
de alguém que, baixinho, me diga que vai ficar tudo bem."
... coisas sobre Ela e Ele.
É quase uma regra: quando estamos na pior, somos mais humanos; logo que melhoramos, o egocentrismo emana.
A GRAVIDADE DO SILÊNCIO INTERIOR.
Existem momentos em que a vida se recolhe em um estado quase espectral, como se tudo ao redor perdesse a densidade e restasse apenas o peso da própria consciência. Não é o mundo que se torna vazio, mas o olhar que, fatigado, já não encontra repouso nas superfícies. É nesse território silencioso que se revelam as mais profundas batalhas, aquelas que não se travam contra circunstâncias externas, mas contra a própria erosão do sentido.
A existência impõe ao espírito uma travessia que não se anuncia com clareza. Caminha-se entre expectativas desfeitas, afetos incompletos e sonhos que, por vezes, se dissipam antes mesmo de se consolidarem. E ainda assim, há algo que insiste em permanecer. Uma centelha discreta, quase imperceptível, que não se deixa extinguir, mesmo sob o peso das desilusões mais densas.
Há uma dignidade austera em continuar quando tudo sugere o abandono. Não se trata de esperança ingênua, mas de uma resistência lúcida. Permanecer não porque se ignora a dor, mas porque se compreende que ela não é a totalidade da realidade. A alma que suporta, que observa, que silencia e segue, desenvolve uma profundidade que nenhuma facilidade poderia conceder.
O sofrimento, quando não embrutece, refina. Ele desnuda ilusões, separa o essencial do supérfluo e revela a verdadeira estrutura do ser. Aqueles que atravessam esse vale sombrio e não se perdem, retornam com uma consciência ampliada, ainda que marcada por uma melancolia serena. Não é tristeza estéril, mas uma forma elevada de compreensão.
E assim, mesmo quando tudo parece suspenso em um tempo sem direção, há um movimento invisível acontecendo. Cada instante suportado, cada pensamento reorganizado, cada emoção que se aquieta, constitui uma vitória que não se anuncia, mas que edifica silenciosamente a própria existência.
"Mensagem final"
Ainda que teus olhos se acostumem à penumbra, não te esqueças de que és tu quem sustenta a chama que não se apaga. Já atravessaste abismos que pareciam definitivos e, no entanto, permaneces. Há uma força em ti que não depende de aplausos nem de certezas. Continua. Pois é na persistência silenciosa que se revela a verdadeira estatura do espírito.
Chuva, preciso de ti,
sou natureza, quase sequei,
até agora aos trancos, sobrevivi,
mas do amanhã já não sei...
