Quase

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Mergulhei fundo no mar do amor,
Perdi o ar, quase me afoguei.
Lutei até a superfície
E lá estava você,
No raso,
Com medo de se molhar.

Nossos sonhos
Parecem ser tão distantes
E irreais.
Desejamos quase o impossível.
A vida bate
De todos os lados.
As dificuldades chegam
Fazendo fila à porta
Dos nossos lares.
É uma loucura
Que, diante de tudo isso,
Acreditamos justamente
Naquilo que parece impossível,
Contrariando tudo e todos,
Indo na contramão.
E nossa coragem e fé
Nos levam
A alcançar o inalcançável
E atingir o inatingível,
Fazendo do possível o impossível.

Não queime a largada como a lebre, o sucesso quase sempre andará a passos de tartaruga.

Quase sempre as borboletas presentes no estômago estão com fome de amor.

Em quase toda foto de família feliz há um pote de margarina endurecido no congelador.

Quase todos continuam a dieta depois de passar pela porta estreita.

Quase sempre são degenerados, os sonhos, daqueles que não procuram realizar seus desejos

Prefiro a saudade de um "quase" do que a mentira de fingir que nossos corações nunca se tocaram.

Noite quase morta


Da noite quase morta
Surgem sombras quase vivas...
Povoam a noite...
Sempre há tanto escondido nas sombras da noite.
Tic... tac tic... tac
O tempo passa...
Noite noturna, soturna... melancólica e perfeita.
O escuro tenebroso, denso, se afasta.
Tic...tac tic... tac
Num clarão, a noite é desfeita.
Morre a noite...
Noite, tua escuridão não mais importa.
“O córrego chora.”... Vela, a noite morta!


Rosangela Calza

Todos ganham, em algum momento.
Até lá, todos perdem em quase todo tempo.

"A noite que satanás tentou roubar minhas memórias em pesadelos quase infinitos!

Acabei de chegar de uma entrevista de emprego.
Antes disso, dormi um pouco por pelo menos uns 20 minutos.
Nesse intervalo entre o sono e a entrevista em seguida, tive um sonho muito louco, mas bem difícil de acreditar que foi tudo real.
Bom, primeiro sonhei com uma super lua, mas não era simplesmente uma super lua, como vemos nos jornais, com um tamanho praticamente normal.
No céu, aparecia uma lua gigantesca que era como se ela tocasse o chão e o céu ao mesmo tempo.
Seu tamanho era indecifrável.
Vi nela uns triângulos, em forma de pirâmide. Na cor branca.
De repente o sol começa a tocar nela e tudo se transforma em fogo.
Todos que estavam a admirar aquela raridade ficaram perplexos, mas, não amedrontados.
Meio que ficaram maravilhados.
E, comigo não foi diferente, amei aquilo tudo.
Começa um dançar de fogo na lua.
Com todas aquelas cores vibrantes, nossa!
Passava no telejornal em tempo real, que aquela lua, só seria vista novamente após 150 anos.
E que se todos pudessem vê - la, seria uma imagem incrível, guardada pelo resto de suas vidas.
E admirei até tudo terminar.
Aquele fenômeno estava sendo visto mundialmente, por bilhões de pessoas.
Realmente era um fenômeno incrível, lindo e maravilhoso.
Em seguida, comecei a sonhar com eu e meu esposo, no mesmo ambiente em que moramos.
Estávamos olhando nossas fotos das viagens que já fizemos, no celular.
De repente, algumas fotos começam a ficar desfocadas.
Meu esposo em um banco na praça, e o seu rosto ficava embaçado, como se tivesse um ser tomando o seu lugar.
O mais louco mesmo, é que essas fotos do meu sonho ou pesadelo, sei lá, do que posso chamar.
Todas existem.
Então, passamos foto por foto. Pudemos observar que todas elas, é como se tivesse a presença de um ser além de nós.
Começamos a discutir a questão, porquê elas eram perfeitas.
Porém, estavam assim por quê?
Desconfiamos do óbvio.
Começamos a passar novamente as fotos, quando de repente surge eu, em um cemitério em pé.
Mas, não era uma foto, era um vídeo!
O plano de fundo era um cemitério. E aquela seria eu? A mesma roupa, o mesmo cabelo.
Quem teria me filmado?
Na verdade, eu nunca estive naquele lugar.
O meu olhar começou a mudar, os olhos ficaram turvos e de repente a figura que era eu, começou a me encarar de uma forma macabra.
Eu entendi na mesma hora, que aquilo ali era um ser transformado em mim, em tempo real.
Fiquei atordoada, e eu comecei a falar com meu esposo, tem alguma coisa errada.
Foi quando a gente começou a perceber que os vídeos estavam passando sozinhos.
E de repente vi meus sonhos anteriores naquele primeiro vídeo.
Vi meus irmãos, minha tia... Tudo o que eu havia sonhado nas noites anteriores.
Entendi que realmente havia ali uma força maligna, tentando se apossar de mim, e me mostrando tudo o que é de mais importante pra mim.
Percebi que meus sonhos foram roubados de minha memória.
O interessante é que nesse terrível pesadelo, eu sabia que aquilo tudo era real, porquê realmente foi os sonhos que eu tive semana passada, que estavam ali, na minha frente transformados em vários vídeos.
Eu e meu esposo, no mesmo quarto que estamos, começamos a repreender todo o mal.
Foi quando, a gente percebeu que na tela do celular, começou a aparecer um vídeo com um ser bem estranho.
E ele ria muito, e ao mesmo tempo, parecia estar com raiva.
Ele era alto, e tinha uma voz, e um sorriso medonho.
Com uma capa preta por fora, e por dentro dela tinha uma cor avermelhada.
Orei tão alto, e com tanta fé, que aquele ser de repente começou a falar.
"Então, já que você pediu pra que nós te deixemos em paz, adeus."
E saiu pulando e sorrindo, com gargalhadas altamente sombrias.
Ele desapareceu em um lugar de montanhas e arbustos, era um lugar bonito, mas, bem sombrio e estranho.
Só sei que acordei sabendo que tudo aquilo foi real. De uma maneira diferente.
Era como se satanás tivesse tão zangado pelas coisas começarem a dar certo por aqui, que resolveu roubar meus sonhos, pra tentar me fazer parar pelo medo.
Mas, ele nunca vai conseguir.
Minha vida e minha família é de Deus.
E é ele que controla e domina a nossa vida.
Começamos ir a igreja.
Começamos a fazer o curso de design gráfico.
E agora estou recebendo várias propostas de trabalho.
Deve ser por isso, que satanás está tão interessado em me fazer parar.
Porquê ele sabe, que quando a gente segue a Deus.
A gente consegue ser muito, mais muito feliz.
Tudo começa a dar certo.
E a vida se torna muito melhor de ser vivida.
Então, siga a Deus e nunca deixe que forças malignas tentem te parar.
27/11/2019 23:38"

Quase todos os sonhos, te revelam coisas ocultas que você não consegue perceber, quando está acordado, acredite nos sinais dos seus sonhos.


Eles são como recados do além, de forma enigmática, trazidos para a sua vida.

Por que quase todos os religiosos, acham que quem não é religioso, são todos ateístas?
Há pessoas que não seguem nenhuma doutrina religiosa, mas ama mais à Deus e o conhece, mais do que muitos que julgam e se dizem cristãos.


A religião, é um sistema doutrinário.


Quem conhece Deus de verdade, não precisa dela.


A bíblia é livre!! Todos somos livres.


Deus, não é religião, parem com isso.

Tem dias em que eu olho para trás e penso numa coisa meio curiosa, quase irônica, dessas que a gente conta rindo no café da tarde enquanto mexe o açúcar devagarinho. Desde pequena a vida parecia uma arena gigante, como se cada fase viesse com um teste novo, um daqueles que não dá para devolver para o professor dizendo que caiu conteúdo que ninguém explicou. E mesmo assim eu fui atravessando tudo com uma cara tranquila, quase elegante, como quem diz para o mundo que está tudo sob controle, quando na verdade por dentro existia um turbilhão inteiro discutindo filosofia com a própria sobrevivência.

Nunca contei quase nada. Não porque não existisse história, muito pelo contrário. Era tanto capítulo que dava para montar uma biblioteca inteira, daquelas silenciosas, onde só eu conheço o catálogo. E reclamar nunca foi muito meu estilo, não por heroísmo, mas porque as pessoas criaram uma versão de mim que parece feita de aço temperado. A tal mulher forte. Aquela que resolve. Aquela que aguenta. Aquela que sempre volta. E quando o mundo decide que você é forte, pronto, está oficialmente proibida de fraquejar em público, como se fosse uma regra invisível assinada numa reunião secreta da humanidade.

O curioso é que eu mesma comecei a acreditar nessa história. Não que eu nunca tenha cansado, claro que cansei. Só que eu aprendi a conversar comigo mesma como quem acende uma luz interna no meio de um apagão. Houve uma vez, só uma, que pensei em dividir o peso, abrir a caixa preta da minha história, mostrar as evidências, os fragmentos, os acontecimentos. E a resposta foi aquele silêncio estranho, ou pior, aquela frase que parece pequena mas faz eco dentro da gente por muito tempo. Não acreditam em evidências. E eu pensei, então está bem, talvez a minha prova não seja para convencer ninguém, talvez seja apenas para me manter de pé.

Engraçado como a gente descobre forças que não estavam no manual de instruções da vida. Eu fui percebendo que existe uma musculatura invisível dentro da alma. Uma espécie de academia espiritual onde cada queda vira um exercício novo. E ali, sem plateia, eu fui ficando mais resistente, não porque o mundo exigiu, mas porque alguma coisa maior sempre esteve comigo. Aquela presença silenciosa que não precisa de explicação, que aparece nos momentos mais absurdos da existência e sussurra, calma, continua.

Então eu continuo. Não enlouquecida, como alguns poderiam imaginar quando veem a quantidade de batalhas acumuladas desde a infância, mas curiosamente lúcida. Como quem atravessou tempestades suficientes para reconhecer o som da própria paz quando ela aparece. E tem uma coisa engraçada nisso tudo, quase uma ironia elegante da vida. As pessoas pensam que eu nunca precisei de ajuda. Mas na verdade eu sempre tive ajuda, só que veio de um lugar que não depende de aplauso, de aprovação ou de testemunha.

No fim das contas, eu sigo com essa mistura de força interior e fé silenciosa que me acompanhou o tempo inteiro. Como se eu estivesse caminhando por um mundo barulhento com uma bússola dentro do peito. E olha, posso te dizer uma coisa com aquela tranquilidade de quem já atravessou muita coisa. Quando a gente aprende a confiar nessa força que mora dentro da gente, o caos até tenta fazer barulho, mas já não manda mais na história. Porque a história, no fim, continua sendo minha. E eu ainda estou escrevendo.

No fim das contas, a gente passa tanto tempo tentando parecer forte que esquece o básico, quase infantil, quase óbvio, mas ainda assim tão difícil: abrir a boca e dizer. Dizer o que incomoda, o que pesa, o que lateja baixinho no peito como quem pede socorro sem fazer barulho. Porque tem dores que não gritam, elas sussurram. E são justamente essas que mais machucam quando a gente decide ignorar.


Eu fico pensando que amar, de verdade, não tem nada a ver com esse teatro bonito onde ninguém erra, ninguém sente, ninguém reclama. Amar é meio bagunçado mesmo, meio torto, meio cheio de pausas estranhas no meio de uma conversa que deveria fluir melhor. Amar é ter coragem de olhar pra quem está do nosso lado e dizer com uma sinceridade quase constrangedora: olha, isso aqui me doeu. Não foi grande coisa pra você, eu sei. Mas aqui dentro fez barulho.


Porque quando a gente não fala, a gente cria. E a mente, ah, ela é uma roteirista dramática. Ela inventa histórias, aumenta detalhes, distorce intenções. O que era só um incômodo pequeno vira uma novela inteira dentro da cabeça. E aí a gente começa a se corroer por dentro, como se estivesse sendo consumida por algo que poderia ter sido resolvido em uma conversa simples, dessas de fim de tarde, com um café morno e um pouco de coragem.


Tem gente que acha que amar é aguentar calada. Que é nobre engolir o choro, fingir que não viu, que não sentiu, que não doeu. Mas isso não é amor, isso é acúmulo. E tudo que acumula uma hora transborda. Não como uma poesia bonita, mas como uma ferida aberta, daquelas que já poderiam ter sido tratadas lá no começo, quando ainda era só um arranhão.


Amar, no fim, é quase um exercício diário de manutenção emocional. É perceber o pequeno antes que ele vire gigante. É ajustar o que está fora do lugar antes que a casa inteira desmorone. É escolher conversar mesmo quando dá vontade de se fechar. Porque se fechar parece proteção, mas muitas vezes é só isolamento disfarçado.


E eu digo isso como quem já ficou em silêncio quando deveria ter falado. Como quem já criou mil histórias na cabeça por falta de uma frase dita no tempo certo. A verdade é que não existe amor que sobreviva bem ao silêncio constante. O silêncio até acolhe, às vezes, mas quando vira regra, ele distancia.


Então, talvez o que realmente importe seja isso mesmo: sentar, respirar e dizer. Sem ataque, sem defesa, sem roteiro pronto. Só dizer. Porque amar não é fingir que nada dói. É ter coragem de mostrar onde dói, enquanto ainda é possível cuidar.


E se tem uma coisa que a vida ensina, meio sem pedir licença, é que sentimentos ignorados não desaparecem. Eles só mudam de forma. E nem sempre a nova forma é gentil.


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“O velho Carvalho” não era só uma árvore, era quase um abrigo emocional improvisado, um tipo de terapia gratuita feita de histórias, risos e aquela sensação rara de pertencimento. Porque quando o lar vira campo de batalha, qualquer pedaço de sombra vira lar.

Escolher ficar hoje em dia é quase um ato revolucionário digno de documentário que ninguém pediu, mas todo mundo deveria assistir. Porque enquanto o mundo grita “próximo!”, eu estou ali, sentada emocionalmente no mesmo lugar, olhando pra mesma criatura com as mesmas manias irritantes de sempre e pensando, curiosamente em paz, é… ainda é aqui.


Não porque é perfeito, longe disso. Se fosse perfeito, eu desconfiava. Coisa perfeita demais ou é filtro ou é golpe. Mas é porque eu já conheço os defeitos, já sei onde pisa errado, já decorei até os silêncios inconvenientes. E tem algo estranhamente confortável nisso. É tipo aquele sofá velho que já afundou no formato do meu corpo. Não é bonito, não impressiona visita, mas me entende profundamente.


Porque começar do zero parece lindo até você lembrar que o zero vem com manual de instruções oculto. A pessoa nova pode vir embalada em promessas e boas intenções, mas também traz defeitos inéditos, surpresas desagradáveis e aquele clássico momento em que você pensa, meu Deus, troquei seis por meia dúzia gourmet. Pelo menos aqui, o caos já é conhecido, quase íntimo, quase doméstico.


E não, isso não é sobre se contentar com pouco. É sobre entender que muito não é ausência de problema, é presença de disposição. Relação não é porcelana de vitrine que quebra na primeira queda e vira tragédia grega. Relação é concreto. Pesado, bruto, às vezes feio, mas resistente. Racha, sim. E vai rachar mesmo. Só que também dá pra reforçar, remendar, reconstruir. Dá trabalho? Dá. Mas desde quando o que vale a pena vem pronto e fácil?


A grande ironia é que o mundo vende intensidade como se fosse amor. Aquela coisa de arrepiar, de acelerar, de perder o fôlego. Mas isso até café forte resolve, minha filha. Amor mesmo é quando o café esfria, o dia pesa, a paciência acaba, e ainda assim você olha pra pessoa e pensa, tá, vamos continuar. Não porque não existe opção melhor no mercado, mas porque existe escolha.


E escolher, convenhamos, é muito mais difícil do que sentir. Sentir é automático, impulsivo, quase irresponsável. Escolher é consciente, é teimoso, é um pequeno pacto diário que ninguém vê. Não tem aplauso, não tem plateia, não tem trilha sonora. Só tem dois seres humanos imperfeitos tentando não desistir no primeiro sinal de desconforto.


No fim, o extraordinário nunca foi o começo cheio de fogos de artifício. Isso aí é marketing emocional. O extraordinário é quando os fogos acabam, a fumaça baixa, a realidade aparece sem maquiagem e, mesmo assim, eu fico. Fico porque quero, porque escolho, porque entendi que construir é mais raro do que substituir.


E olha… num mundo que troca tudo o tempo inteiro, ser alguém que permanece já é quase um luxo. Um luxo silencioso, discreto, que não viraliza, mas sustenta histórias inteiras. E talvez, só talvez, seja exatamente isso que ainda salva alguma coisa nesse caos bonito que a gente insiste em chamar de amor.

Porque substituir dá menos trabalho. É quase um reflexo condicionado da modernidade. Travou? Troca. Cansou? Troca. Não brilhou hoje? Troca também, porque aparentemente tudo precisa performar como se fosse final de campeonato todo santo dia. E eu fico olhando isso com um certo espanto, meio rindo, meio cansada, pensando em quando foi que a gente começou a tratar pessoas como se fossem aplicativos com bug.


Construir, por outro lado, é um negócio meio antipático à pressa. Construir exige tempo, exige silêncio, exige aquele desconforto chato de ter que conversar quando o orgulho queria fazer greve. Construir é olhar pra alguém num dia completamente sem graça e ainda assim escolher ficar. E vamos combinar, dias sem graça são a maioria. A vida não é feita de trilha sonora emocionante, é mais aquele barulho de panela, notificação e boleto vencendo.


Substituir virou hábito porque dá a falsa sensação de controle. A gente acredita que, escolhendo outra pessoa, vai finalmente encontrar a versão sem defeitos, sem falhas, sem dias ruins. Spoiler que ninguém gosta de ouvir, mas eu falo mesmo assim: não vai. Você só muda o roteiro, mas o gênero do filme continua o mesmo. Sempre vai ter conflito, sempre vai ter frustração, sempre vai ter aquele momento em que você pensa “será que era melhor ter ficado sozinha vendo série?”. E às vezes era mesmo, mas isso não invalida o resto.


Construir é quase um ato de teimosia elegante. É tipo dizer “eu sei que seria mais fácil sair correndo, mas eu vou ficar aqui mais um pouco e ver no que dá”. E não, isso não tem nada a ver com aceitar qualquer coisa. Tem a ver com entender que profundidade não nasce de facilidade. Relações rasas são muito educadas, muito leves, muito fáceis de abandonar. Relações profundas dão trabalho, mas também dão raiz. E raiz, minha querida, segura até quando o vento resolve testar sua sanidade emocional.


A gente desaprendeu a permanecer porque permanecer não dá like imediato. Não rende história bonita todo dia. Não tem aquele brilho instantâneo que faz o coração disparar e a dopamina fazer festa. Mas tem uma coisa que o instantâneo nunca vai ter: consistência. E consistência é silenciosa, quase invisível, mas é ela que sustenta tudo quando o encanto dá uma cochilada.


Eu olho pra esse mundo que troca tudo o tempo inteiro e penso que talvez o verdadeiro luxo hoje seja ficar. Ficar com consciência, ficar com vontade, ficar sabendo exatamente onde está pisando. Não é sobre insistir no que machuca, é sobre não fugir na primeira rachadura. Porque se você sai toda vez que algo quebra, você nunca descobre o que poderia ser reconstruído.


No fim das contas, substituir é rápido, mas construir é o que fica. E eu, sinceramente, ando preferindo o que fica. Mesmo que dê trabalho. Principalmente porque dá trabalho.


Agora me conta, você é do time que troca ou do time que constrói?

Porque beijo sem presença é quase um cumprimento educado… e você não é alguém pra ser cumprimentada, você é alguém pra ser sentida.

Tem uma liberdade quase escandalosa em perceber que eu não preciso ter mais nada pra finalmente ser alguma coisa. É estranho no começo, confesso. Porque a gente cresce acreditando que a vida é uma espécie de checklist infinito: quando eu tiver isso, eu viro aquilo. Quando eu conquistar aquilo outro, aí sim eu me torno alguém. E assim a gente vai adiando a própria existência, como se fosse uma estreia que nunca chega.

Eu já vivi muito tempo assim. Era sempre o próximo passo, o próximo objetivo, o próximo reconhecimento. Como se eu fosse uma obra eternamente em reforma, cercada de tapumes emocionais, esperando o dia em que alguém finalmente diria: pronto, agora sim, você está pronta pra ser você. Spoiler da vida real: ninguém vem com esse carimbo.

E um belo dia, sem fogos de artifício, sem trilha sonora épica, eu percebi uma coisa quase desconcertante: eu já sou. Do jeito que está. Com as minhas contradições, com as minhas partes meio bagunçadas, com as minhas versões que nem sempre conversam entre si. Eu já sou suficiente pra mim.

Isso não significa que eu parei de querer crescer. Eu ainda quero. Ainda tenho sonhos, metas, vontades que me puxam pra frente. Mas agora é diferente. Eu não quero ter para ser. Eu quero ter porque já sou. E isso muda tudo. Porque deixa de ser uma corrida desesperada por validação e vira um movimento mais leve, mais consciente, quase um gesto de expansão, não de compensação.

Antes, cada conquista vinha com um peso estranho, como se eu estivesse tentando provar alguma coisa pra alguém, ou pior, pra mim mesma. Agora não. Agora, se vem, é bem-vindo. Se não vem, eu continuo inteira. Olha que conceito revolucionário: eu não me desfaço na ausência.

E tem algo profundamente elegante nisso. Porque quando eu paro de me medir pelo que eu tenho, eu começo a me reconhecer pelo que eu sou. E isso ninguém tira, ninguém compra, ninguém invalida. Não depende de aplauso, de número, de status, de comparação silenciosa com a vida dos outros. É um tipo de riqueza que não aparece, mas sustenta.

O mundo vai continuar tentando vender a ideia de que falta alguma coisa. Sempre falta, segundo ele. Sempre tem um degrau a mais, uma versão melhor, uma meta mais alta. Mas eu aprendi a desconfiar dessa urgência toda. Porque, no fundo, muita gente está correndo não porque quer chegar, mas porque tem medo de parar e se encarar.

E eu parei. E me encarei. E, surpreendentemente, eu gostei do que vi.

Hoje, eu não quero acumular pra preencher. Eu não quero conquistar pra existir. Eu não quero provar pra validar. Eu só quero ser… e a partir daí, viver tudo que vier como um extra, não como uma necessidade.