Quanto mais me Conheco Fernando Pessoa

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O Reflexo mais verdadeiro é o seu espelho.

Talvez amanhã,
ou depois de amanhã,
mais tarde,
qualquer dia,
daqui a dois ou três anos,
nós nos veremos de novo.
Nós amaremos novamente,
seremos dois loucos lutando contra o mundo, o tempo, a vida, a realidade seca e as palavras que fazem doer.


Talvez hoje eu chore, sinta saudades, sinta remorso e arrependimento por ter soltado sua mão, dito que não te amava, que não te esperava, por causa de míseras palavras bobas que saíram da sua boca.


Reconheço meu erro. Reconheço que éramos dois, éramos um, e agora só restou uma história linda que acabou no começo — no começo de um “oi”,
de um “tô do seu lado”, que pulou para um “eu te amo” e acabou em um “enfim”.


E acabou em uma madrugada de quarta-feira, sem muita cerimônia, sem muitas palavras. Só um toque soberbo, uma palavra e um adeus.


Adeus...

⁠Por mais que os reacionários tentem impedir o avanço da roda da história, a revolução acontecerá mais cedo ou mais tarde e certamente triunfará.

Mao Tse-Tung

Nota: Trecho de discurso dado em Moscou, em 6 de novembro de 1957.

E no instante em que tudo for bom, algo não se fará mais presente dentro do ser!

Ela deixa ir.

E talvez seja isso a coisa mais próxima de liberdade que existe: não confundir queda com morte. Não confundir mudança com derrota.

As folhas caem e ninguém pede desculpa.

O tronco continua.

E de algum jeito que ninguém explica direito, isso ainda é vida.

A MALA INVISÍVEL - Era outra noite interminável no velho bar de sempre, onde a cerveja era mais honesta que a maioria das pessoas. A freguesia fazia o ritual habitual: gargalhadas altas para esconder vidas pequenas. Todo mundo representando um personagem barato, como se um diploma na parede, um relógio caro ou um carro financiado fossem provas suficientes de que valia a pena continuar respirando.
Foi quando a porta se abriu.
Ela entrou arrastando uma mala antiga. Caminhava devagar, como quem não carregava quilos, mas anos. A roda encontrou uma cadeira. A cadeira tombou. A mala se abriu.
As gargalhadas cessaram por um instante. Logo voltaram, mais altas. Não porque houvesse algo engraçado. A desgraça alheia sempre oferece alguns segundos de descanso para quem vive em guerra consigo mesmo.
Ela caiu de joelhos e começou a recolher tudo enquanto botas e sapatos passavam a centímetros de suas mãos, indiferentes. Ninguém ajudou. A pressa sempre encontra uma boa desculpa para se parecer com a crueldade.
Eu olhei esperando ver roupas espalhadas, maquiagem, documentos, contas atrasadas... essas quinquilharias que o mundo chama de patrimônio.
Mas a verdade é que, dali do meu canto no balcão, a mala parecia aberta do lado errado da realidade.
Não vi tecidos.
Não vi objetos.
Vi um domingo de infância que ainda cheirava a bolo saindo do forno. Um cachorro enterrado no quintal de uma casa que talvez nem existisse mais. A mão do pai segurando a dela pela última vez. O primeiro beijo dado com a ingenuidade de quem ainda acreditava que o amor podia durar mais do que as promessas. Vi a mãe penteando seus cabelos antes da escola. Vi uma fotografia amarelada de pessoas que o tempo apagou dos álbuns, mas nunca conseguiu expulsar da memória.
Vi derrotas cuidadosamente dobradas, como quem guarda cartas antigas. Vi noites em que ela acreditou que não suportaria amanhecer e, ainda assim, amanheceu. Vi portas fechadas sem explicação. Vi despedidas que chegaram antes da hora. Vi o abandono sentado numa plataforma de estação, fumando o último cigarro da esperança enquanto observava todos os trens partirem sem ela.
Também havia pequenas alegrias. As únicas que realmente importam. O cheiro da chuva entrando pela janela. O café dividido numa manhã qualquer. Uma música que salvou uma noite inteira. O riso inesperado de uma criança. Um abraço recebido justamente no dia em que ela tinha decidido desistir do mundo. Eram instantes tão pequenos que quase ninguém lhes daria valor. Mas eram eles que mantinham aquela mulher de pé.
Então compreendi que aquela mala nunca carregou bens.
Carregava uma vida.
Cada lembrança era uma cicatriz transformada em bússola. Cada perda apontava para um caminho que ela jamais pisaria outra vez. Cada amor desfeito ensinava onde não procurar abrigo. Até a dor tinha sua utilidade. Ela não servia para fazer sofrer; servia para lembrar quem ela havia sido antes de sobreviver.
As pessoas vivem convencidas de que seus maiores tesouros estão guardados em cofres, escrituras, contas bancárias ou joias. Pobres diabos. Basta um incêndio, um assalto, uma crise financeira ou um advogado competente para tudo desaparecer.
Os verdadeiros tesouros vivem em outro lugar.
Vivem naquilo que ninguém consegue tocar.
Nas lembranças que nos ensinaram a amar. Nas derrotas que nos obrigaram a crescer. Nos fracassos que impediram nossa arrogância. Nos desamores que nos ensinaram a reconhecer um afeto verdadeiro quando ele finalmente aparece. Até o abandono, por mais cruel que seja, deixa uma marca capaz de indicar o caminho de volta para nós mesmos.
Sem essas histórias, continuamos respirando, mas apenas isso. Trabalhamos, pagamos contas, sorrimos nas fotografias, fazemos planos para férias que talvez nunca aconteçam. Funcionamos como máquinas muito bem conservadas, mas sem direção.
A memória é o nosso norte. É ela que impede que caminhemos em círculos acreditando que estamos avançando. Não somos feitos de carne apenas. Somos feitos daquilo que lembramos, daquilo que perdemos e, principalmente, daquilo que decidimos não abandonar dentro de nós.
Enquanto a mulher terminava de guardar, com cuidado, seu invisível patrimônio, o bar voltou ao seu barulho habitual. As conversas retomaram a banalidade de sempre. Os copos voltaram a brindar o vazio. A vida continuou fingindo que só existe aquilo que pesa na mão.
Eu terminei meu copo e pensei que talvez todos nós arrastemos uma mala parecida. A diferença é que alguns passam a vida tentando enchê-la de coisas que podem comprar.
Outros passam a existência inteira tentando não perder aquilo que dinheiro nenhum jamais será capaz de devolver. E são justamente esses, quase sempre silenciosos e anônimos, que carregam o único patrimônio que realmente vale a pena salvar quando tudo o mais desaba.

Estamos On-line?

Mais um dia no escritório. A mesma mesa engolida por papéis amarelados. Um computador que parece saber mais sobre mim do que qualquer confissão que eu já fiz em voz alta. Um telefone que grita quando o mundo não deveria ter voz. E uma fila de gente com o olhar gasto, esperando.

Esperando uma solução.

É quase cruel como ainda chamamos isso de solução. Quase sempre é só mais um protocolo frio, mais um formulário que não sangra, mais uma senha esquecida, mais um número que ninguém sabe decifrar. Um labirinto de papel e código onde a dor entra viva e sai desidratada.

As pessoas chegam com problemas mais viscerais, reais até o osso, e recebem respostas virtuais, sem carne, sem cheiro, sem peso. Querem resolver a vida pela tela como quem tenta estancar uma hemorragia com papel. O mundo aprendeu a transformar qualquer desgraça em número de protocolo — e isso, de algum jeito, nos parece normal.

Eu observo.

Estamos todos on-line.

Pelo menos é o que dizem.

Há gente conectada ao banco, ao trabalho, ao aplicativo, ao governo, ao médico, ao amante, ao ex-amante, ao desconhecido que nunca viu seu rosto e ainda assim opina sobre sua vida. Sabemos quem comeu o quê, quem viajou para onde, quem morreu sozinho, quem traiu sem piscar, quem enriqueceu e quem perdeu a própria dignidade no processo.

Sabemos de tudo.

Menos de nós.

O computador continua aceso.

Uma luz pálida, quase doente, tremendo na minha frente.

Talvez seja isso que chamamos de vida agora: uma luz insistente dizendo que ainda estamos disponíveis, como mercadoria em prateleira.

Mas disponíveis para quê?

A fila cresce como um organismo vivo, respirando devagar, pesado, impaciente.

Cada pessoa carrega uma pequena tragédia particular, escondida mal e mal sob a pele: uma aposentadoria que nunca chega, uma dívida que morde por dentro, um benefício negado, um documento perdido, uma doença que não espera, uma separação que ainda sangra, um filho que depende de um sistema que não sente nada, um pedido que depende de outro pedido, que depende de uma assinatura que depende de alguém que não está.

A humanidade inventou a burocracia para domesticar o caos.

Depois inventou a internet para acelerar o colapso.

Talvez seja por isso que essa palavra — conexão — me soa cada vez mais como uma piada mal contada.

Estamos conectados a tudo.

E desconectados de quase tudo que ainda pulsa.

Falamos em nuvem como se ela tivesse consciência, como se guardasse algo além de dados frios. Mas talvez ela só armazene nossos rastros: fotos sorrindo enquanto por dentro tudo desaba, conversas vazias, promessas digitais, e uma quantidade obscena de ruído disfarçado de vida.

A nuvem não sabe quem somos.

E, às vezes, suspeito que nós também não.

Existe uma espécie de wi-fi interno. Não sei se é alma, instinto ou só um nome bonito para o que foi sendo abafado aos poucos.

Alguma coisa dentro da gente deveria ainda captar sinais.

Um desconforto no peito.

Um arrepio sem motivo.

Um silêncio que pesa.

Um aviso bruto, quase animal, dizendo: pare.

Mas o dia inteiro somos atravessados por notificações.

O celular vibra como um nervo exposto.

O computador pisca como um olho doente.

O telefone cospe vozes.

Alguém chama.

Alguém exige.

Alguém cobra.

Alguém vende.

Alguém promete salvação em três cliques.

E depois nos perguntamos por que estamos exaustos, como se a resposta não estivesse gritando o tempo todo.

Talvez nossos neurorreceptores não estejam quebrados.

Talvez estejam apenas afogados.

É difícil ouvir qualquer coisa pequena quando o mundo inteiro decidiu gritar dentro da sua cabeça.

A sociedade aprendeu a ocupar cada fresta do silêncio. Música forçada no elevador. Tela acesa na sala. Podcast enchendo o carro. Vídeo mastigando o almoço. Mensagem invadindo a conversa. Notificação mordendo o sono.

Nunca estamos sozinhos.

E, ainda assim, nunca estivemos tão abandonados por dentro.

Fico encarando a tela.

E me vem aquela pergunta antiga, quase primitiva, que ninguém aguenta sustentar por muito tempo: de onde diabos vem tudo isso?

A vida.

A consciência.

Esse impulso cego de continuar mesmo quando nada faz sentido.

Aquela coisa estranha que empurra alguém a acordar numa terça-feira qualquer, vestir a própria pele como se fosse uniforme, pegar um ônibus lotado, engolir trânsito, entrar numa fila e passar o dia tentando consertar problemas que já nasceram condenados a serem substituídos por outros.

Talvez exista mesmo uma inteligência maior.

Talvez exista uma nuvem original, viva, pulsante, indiferente.

Talvez sejamos só fragmentos dela, esquecidos de si mesmos.

Ou talvez não exista absolutamente nada.

Um vazio elegante, sem explicação, sem propósito, sem testemunha.

E isso, de algum modo, também parece plausível.

A diferença é que ninguém recebeu o manual.

Entramos aqui sem instruções, sem mapa, sem legenda.

Passamos anos tentando decifrar o painel de controle da própria existência, apertando botões aleatórios, esperando que algo acenda.

Depois alguém nos chama de velhos.

E o sistema começa a falhar de verdade.

Memória falha.

Joelhos rangem.

Dentes cedem.

Sono vira fuga.

E então aparece a mensagem final, sem emoção, sem piedade:

encerrando sessão.

Sem atualização.

Sem suporte.

Sem segunda tentativa.

A fila continua.

O telefone grita outra vez.

O computador exige uma senha como se ainda houvesse controle.

Uma pessoa pergunta se falta muito.

Eu olho sem saber o que responder.

Nunca sei.

Talvez seja essa a única honestidade que ainda não foi censurada dentro de nós.

Não sabemos por que estamos aqui.

Não sabemos o que somos quando ninguém está olhando.

Não sabemos para onde isso tudo está nos levando.

Mas seguimos on-line.

Sempre on-line.

Publicando fragmentos de felicidade para provar que ainda existimos.

Dando opiniões como quem tenta convencer a si mesmo de que pensa.

Acumulando contatos para fingir que não estamos afundando sozinhos.

Comprando coisas para simular vitória.

E encarando uma tela brilhante enquanto alguma coisa dentro de nós, em silêncio absoluto, tenta desesperadamente estabelecer uma conexão que nunca chega.

Talvez o problema nunca tenha sido o sinal.

Talvez o problema seja que desaprendemos a escutar o que ainda está vivo por dentro.

A fila finalmente se move.

Um corpo se levanta.

Outro ocupa o lugar como se nada tivesse acontecido.

O telefone volta a tocar.

Eu encaro a tela do computador.

E, por alguns segundos, não faço absolutamente nada.

Só isso.

E penso que talvez estar realmente conectado seja exatamente isso:

aguentar alguns segundos sem ser invadido por nada.

Só você.

Sua cabeça.

Seu silêncio.

E aquela pergunta incômoda, crua, quase sangrando por dentro, que nenhum aplicativo jamais vai conseguir responder:

quem diabos está usando você enquanto você acredita estar vivendo?

“No atacado, tem gente que pesa mais na cadeira do que no trabalho.”

O passado não se lamenta, se usa. Nada mais posso fazer para mudar o que foi, mas se não posso agir pelo meu 'eu' de ontem, posso criar pelo meu 'eu' de amanhã. Sou, inevitavelmente, o passado de alguém que está por vir. Que o meu 'eu' do futuro olhe para o dia de hoje e encontre em mim o conteúdo para a sua felicidade."

A Fé, precede a razão!
A mística é mais antiga
que a Ciência.
O cientista, nasceu primeiro
que a Ciência.
_Então,tenha compromisso
com a mudança de consciência.

E agora ele voa,
Sem olhar pra trás.
A dor foi a mola
Que o fez ser capaz.
Ninguém mais o para,
Ninguém diz que não.
Seguiu a própria direção.

O Céu se emociona e vem O Sonho Lúcido com A Tua Chegada

O dia está bastante chuvoso e mais uma vez o céu está emocionado. Agora, seria muito oportuno para que a tua presença viesse ao meu encontro, ainda que fosse apenas na minha mente, nos meus pensamentos mais profundos.

Desfrutaria, então, de um sonho lúcido em um ambiente nublado, com as chamas do nosso desejo se destacando; os nossos sentidos aguçados, os nossos instinto libertos e o tempo gentilmente parado para não apressar o nosso momento.

Ficaria mais honrado se eu soubesse que, do outro lado, tu estarias sonhando junto comigo; assim, a distância física que nos afasta seria ignorada facilmente pelo nível alto de realismo e de sabor diante dos nossos olhos e no fulgor dos nossos espíritos.

⁠Os homens que o povo… admira mais extravagantemente são os mentirosos mais ousados; os homens que o povo detesta mais violentamente são aqueles que tentam dizer a verdade.

H. L. Mencken
The Smart Set: The Aristocrat Among Magazines, Nova York, v. 68, n. 4, ago. 1922.

A religião é a arma mais perigosa que existe, quando é usada para substituir a consciência individual pela obediência cega, transformando fé em submissão e espiritualidade em controle.

"Não há fato mais miserável do que o ser que não tem brilho ou sombra própria e precisa eclipsar o brilho do outro. Ter uma sombra exige profundidade. Quem só sabe copiar é tão oco que nem sombra consegue projetar sozinho — precisa da luz alheia até para existir."

- Leandra Pinheiro

A violência pergunta quem é mais forte; o Direito pergunta qual força pode ser legitimamente exercida sobre alguém.

Às vezes, é mais prudente suportar os problemas que já conhecemos do que procurar novos caminhos que nos conduzam a problemas ainda desconhecidos.
Daniel Perato Furucuto

Os EUA afirmam que CV e PCC são “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”. Deixaram de fora o Congresso e o PL!

QUEM PARARÁ O IMPÉRIO DA MORTE?
Os EUA, de forma criminosa e covarde, explodem mais uma embarcação!

⁠Leva mais coragem cavar fundo nos cantos escuros da sua própria alma e nos becos da sua sociedade do que um soldado precisa para lutar no campo de batalha.