Quanto mais me Conheco Fernando Pessoa
Deus não fala alto.
Ele entra quando você já não aguenta mais
se ouvir.
Quando tudo em você quebra,
quando o caos perde a força.
— Helaine Machado
não existe mais original.
Tudo é cópia — mal feita, mal intencionada, mal disfarçada.
A verdade foi falsificada
e vendida no mercado negro da conveniência.
Antes, pirataria era gambiarra do pobre,
um jeito de sobreviver sem acesso.
Hoje é sistema.
É método.
É regra não escrita.
Nada é confiável.
Nada é limpo.
Nada é inteiro.
Helaine Machado
Gosto de ser sua mulher, porque você me faz sentir a mais especial do mundo.
Mesmo quando meu corpo mostra imperfeições — por eu ser gorda e não ter seios —, você me enxerga de um jeito único.
Todos os dias, você me conquista novamente.
Me traz café na cama, me deseja como se fosse a primeira vez, como lá no começo, há 28 anos atrás.
Você, Osmar, é o homem que me faz sentir amada, desejada e completa.
Ao seu lado, eu me sinto, de verdade, a mulher perfeita.
Helaine machado
Verdade à Venda
Não se esconde a verdade…
ela só aprende a sussurrar mais baixo
quando o barulho das promessas
tenta calar o que é fato.
Em tempos de escolha,
tudo vira moeda, tudo vira voz,
e até a verdade… tão nua…
negocia o preço de existir entre nós.
Mas eu não negocio o que sinto,
nem vendo o que é real em mim,
porque há verdades que queimam por dentro…
e não se dobram por nenhum fim.
Helaine machado
Chega
Chega de feminicídios.
Não dá mais pra fingir que é normal.
Ser mulher não pode ser
um risco diário,
um medo constante,
um silêncio imposto.
Quantas vozes ainda vão ser caladas
antes que o mundo escute?
Quantas histórias interrompidas,
quantos sonhos arrancados
no meio do caminho?
Não, não é “só mais um caso”.
É uma vida.
É uma ausência que nunca se preenche.
Ser mulher deveria ser liberdade —
não sentença.
Chega de medo.
Chega de dor.
Chega de perder mulheres
para uma violência que já passou do limite.
Porque existir
não pode custar a vida
Helaine machado
Não adianta esconder.
A vida sempre traz à tona
aquilo que mais tememos enfrentar.
O tempo pode até silenciar verdades,
mas nunca consegue sepultá-las para sempre.
Uma hora, a máscara cai,
o coração transborda,
e a alma revela o que os olhos tentavam negar.
Porque fugir de si mesmo
é carregar um labirinto dentro do peito.
E por mais distante que alguém corra,
a verdade sempre encontra caminho para voltar.
Talvez o segredo não seja esconder as feridas,
mas aprender a encará-las
antes que elas nos consumam em silêncio.
Helaine Machado
Nunca mais aceitei gaiolas,
porque aprendi que liberdade
não se pede — se conquista.
Descobriu que algumas mulheres
carregam fogo nos olhos
e tempestades no coração,
não nasceram para esperar resgate
nem viver à sombra de alguém.
Vieram ao mundo para romper correntes,
atravessar os próprios abismos
e transformar cicatrizes em coroas.
Mulheres assim não imploram amor,
não diminuem sua intensidade,
não silenciam sua verdade
para caber em mãos pequenas.
Helaine machado
Rap – Não Existe Mais Time Pequeno
Helaine Machado
Quem pensou que Senegal era só mais um timinho, tá mostrando sua força, construindo seu caminho. Na França e nos Estados Unidos tá dando lição, provando que futebol se ganha com dedicação.
O Brasil que se cuide, o recado já chegou, o mundo evoluiu e ninguém mais se acomodou. Não existe mais bobo correndo pelo gramado, cada seleção sonha em ser campeã do outro lado.
Refrão
Não existe mais time pequeno, escuta o que eu vou dizer, quem entra de salto alto pode se arrepender. A taça não escolhe nome, fama ou tradição, ela escolhe quem luta com raça e coração.
Helaine machado
eleição, o povo vai carregando mais uma decepção. Na Copa ou na política, a cobrança vem depois, quando a esperança se perde e a realidade corrói.
Promessa sem resultado não enche a mesa de pão, não leva remédio ao posto nem melhora a situação. Quem sofre é quem espera por alguma solução, e continua enfrentando a mesma condição.
Verso 10
Tem hospital sem médico, remédio em falta também, e o povo se pergunta: "até quando vai ser assim?" A campanha passa rápido, a cobrança fica no ar, porque quem recebeu confiança tem que trabalhar.
Não basta fazer discurso nem aparecer na televisão, é preciso compromisso com a população. Pois quem sente o peso da dificuldade no chão, sabe que promessa vazia não traz transformação.
Refrão
Na Copa e na política existe uma lição: não basta só promessa, tem que ter realização. O povo quer respeito, trabalho e dedicação, porque esperança sem resposta vira frustração.
Helaine Machado 🎤🏙️⚽🗳️🔥
Olha aí, minha gente, não dá mais pra confiar,
todo dia aparece um escândalo no ar,
deputado investigado, esquema sem parar,
e o povo se pergunta em quem acreditar.
Temos que votar, escolher alguém pra representar,
mas muitos dos que chegam acabam por decepcionar,
prometem mudança antes de se eleger,
depois esquecem o povo que os ajudou a vencer.
Além da política tem o dinheiro em circulação,
bancos, interesses, acordos na contramão,
uma teia complicada pra população,
que muitas vezes fica sem explicação.
Deputado indo pra cadeia de montão,
vereador, prefeito entrando na investigação,
e ainda tem gente buscando posição,
como se o poder fosse prêmio e não obrigação.
Helaine machado
O futuro do país tá cada vez mais comprometido,
Na eleição, promessas, depois tudo é esquecido.
O povo sofre, paga a conta da inflação,
Enquanto escândalos estampam a televisão.
O futuro do país tá cada vez mais comprometido,
Na eleição, promessas, depois tudo é esquecido.
O povo sofre, paga a conta da inflação,
Enquanto escândalos estampam a televisão.
Helaine machado
Dois escritores que viraram gigantes… depois que já não estavam mais aqui para dar nem um “obrigada”.
Franz Kafka nasceu em 3 de julho de 1883, em Praga (na época parte do Império Austro-Húngaro). Era de uma família judaica de classe média e estudou Direito, trabalhando boa parte da vida em seguradoras, um emprego que ele detestava, mas que pagava as contas.
Ele escrevia à noite, como quem vive uma segunda vida escondida. Sua obra gira em torno de temas como angústia, alienação, culpa e burocracias absurdas, criando aquele clima estranho que hoje chamamos de “kafkiano”.
Durante a vida, publicou muito pouco. Suas obras mais famosas, como O Processo e O Castelo, só vieram a público depois da sua morte em 1924, vítima de tuberculose. E aqui vem o plot twist mais irônico: ele pediu para que seus escritos fossem queimados… e o amigo dele simplesmente ignorou.
Resultado: virou um dos maiores escritores do século XX… sem nunca saber disso.
Emily Dickinson nasceu em 10 de dezembro de 1830, em Amherst, nos Estados Unidos. Viveu uma vida extremamente reservada, quase isolada, como se estivesse mais interessada no universo interior do que no mundo lá fora.
Ela escreveu cerca de 1.800 poemas, mas apenas uns 10 foram publicados enquanto ela estava viva. Sim, você leu certo. O resto ficou guardado, organizado cuidadosamente em pequenos cadernos.
Sua poesia era ousada para a época: linguagem diferente, pontuação estranha, ideias profundas sobre morte, existência e emoção. Depois que morreu, em 1886, sua obra foi descoberta… e aí o mundo percebeu o tamanho do talento que estava escondido.
Hoje, ela é considerada uma das maiores poetas da literatura mundial.
O detalhe que une os dois
Os dois viveram escrevendo como quem conversa consigo mesmo… sem plateia, sem aplauso, sem hype. E ironicamente, foi só depois do silêncio definitivo que o mundo começou a escutar.
Kafka queria desaparecer. Emily se escondia do mundo. Os dois acabaram eternos.
E isso diz mais sobre a humanidade do que sobre eles.
O QUE VOCÊ ESTÁ ESPERANDO PARA MOSTRAR AO MUNDO O SEU TALENTO?
ESTÁ ESPERANDO VIRAR MEMÓRIAS PÓSTUMAS ESCRITAS?
O mais doloroso disso tudo nem é o bolo, o vestido, ou os docinhos que eu não comi. É a quebra de uma ilusão. Porque a gente aguenta muita coisa, mas descobrir que o carinho não era tão recíproco assim… isso desmonta por dentro.
No fim das contas, aquela árvore foi mais leal do que muita gente ali. Porque ela nunca fingiu ser algo que não era. Já as pessoas… ah, essas fazem teatro melhor que muito artista premiado.
Eu descobri, do jeito mais nada poético possível, que amar alguém por muitos anos é tipo cuidar de uma planta que insiste em quase morrer, mas também insiste em não desistir. Tem dias que eu olho pra gente e penso com toda sinceridade do mundo, meu Deus, quem foi que teve essa ideia genial de continuar aqui? Porque no começo, ah… no começo a gente não sabia nem onde colocar as mãos, quanto mais o coração. Era tudo meio torto, meio desconfiado, meio “será que isso presta?”. E mesmo assim, a gente ficou.
E ficar, eu percebi, é um ato meio revolucionário hoje em dia. Porque o mundo ensina a ir embora na primeira instabilidade, como se amor fosse aplicativo que trava e a gente desinstala sem nem tentar reiniciar. Só que eu e ele somos dessas pessoas teimosas, que atualizam, que insistem, que brigam, que cansam, mas que no final do dia ainda estão ali, se olhando com aquele ar de quem já viu o pior e mesmo assim decidiu ficar para o próximo episódio.
Tem dias em que o nosso amor parece uma construção feita com pressa, cheia de rachaduras, barulho, poeira e um certo risco de desabar. E tem outros dias em que eu olho e penso, isso aqui tá virando uma obra de arte, viu. Porque cada dificuldade foi uma lixa, cada discussão foi um martelo, cada reconciliação foi um polimento. A gente não nasceu pronto, a gente foi se fazendo. E olha, dá um trabalho quase absurdo.
Só que no meio desse caos bonito, eu entendi uma coisa que ninguém conta direito. Amor de verdade não é o que nunca balança. É o que balança, ameaça cair, faz a gente perder a paciência, mas ainda assim encontra um jeito meio torto de se sustentar. É tipo aquele copo lascado que você continua usando porque tem história. E quanto mais história tem, mais difícil é largar.
Hoje, quando eu olho nos olhos dele, eu não vejo perfeição. Vejo caminho. Vejo tudo o que já passamos, tudo o que quase quebrou a gente, e tudo o que, estranhamente, fortaleceu. Nosso amor ainda é instável às vezes, claro que é. Mas também é resistente de um jeito que nem eu sei explicar direito. É como se a gente tivesse construído algo que não é indestrutível, mas é persistente. E no fim das contas, isso vale muito mais.
Porque diamante mesmo não nasce pronto. Ele aguenta pressão, tempo, calor, caos. Igualzinho a gente. E eu sigo aqui, lapidando, sendo lapidada, às vezes reclamando, às vezes rindo, mas sempre ficando. Porque no meio de tanta coisa passageira, o que a gente tem… ficou.
Um belo dia, desses em que a gente abre o Instagram mais por tédio do que por curiosidade, como quem abre a geladeira esperando que um brigadeiro mágico tenha brotado do nada, lá estava ele. Sugerido. Entregue pelo algoritmo como se fosse uma encomenda atrasada do passado. A pessoa que eu mais amei nessa vida, ali, em pixels bem organizados e uma bio que provavelmente nem dizia metade do que um dia eu achei que ele era.
E foi estranho. Não aquele estranho de arrepio ou saudade que aperta o peito, não. Foi um estranho quase burocrático, como reencontrar um conhecido antigo no mercado e perceber que você não tem absolutamente nada para dizer além de um “oi” educado que nem chega a sair. Eu olhei e pensei, com uma calma que teria me assustado anos atrás: eu não o conheço mais. Talvez nunca tenha conhecido.
Porque a verdade, essa senhora inconveniente que chega sem bater, é que a gente ama muito mais a versão que constrói do que a pessoa em si. Eu amei um garoto de 16 anos que despertou em mim um universo inteiro, como se tivesse apertado um botão secreto dentro do meu peito que ninguém antes tinha encontrado. E eu fiquei ali, por muito tempo, vivendo daquele eco, daquela sensação inaugural, como se o primeiro amor fosse um selo de autenticidade na minha história.
Eu queria que ele tivesse crescido ao meu lado. Queria que o tempo tivesse sido gentil o suficiente para nos transformar juntos, como duas xícaras esquecidas no mesmo canto da mesa. Mas a vida não é esse romance organizado que a gente planeja na cabeça. A vida é meio bagunçada, meio irônica, meio debochada. Ela separa com uma naturalidade impressionante aquilo que a gente jura que nasceu para ficar.
E separou.
Só que o mais curioso não foi a separação. Foi o depois.
Depois veio alguém que dizia nunca ter conhecido o amor. E eu, que já tinha um coração com histórico de quedas, cheguei cautelosa, quase com um manual invisível nas mãos. Observando. Testando. Duvidando. Porque amar de novo não é exatamente romântico, é quase um ato de coragem meio inconsequente. É tipo provar uma comida que já te fez passar mal, torcendo para que dessa vez o tempero esteja certo.
Ele era um homem feito, mas com aquele jeitinho de menino que ainda não entendeu algumas coisas básicas da vida. E eu fui, sem perceber, ensinando. Mostrando. Traduzindo sentimentos que às vezes nem eu mesma dominava tão bem assim. E no meio disso tudo, eu me tornei o primeiro amor dele. Olha que ironia bonita. Eu, que carregava um primeiro amor como uma espécie de monumento interno, virei o primeiro amor de alguém.
E eu gostei disso. Não vou mentir. Tem um certo charme em ser o começo de alguém, em ocupar esse lugar inaugural que muda tudo.
Mas não foi fácil. Eu tive medo. Medo de me decepcionar, medo de repetir a história, medo de investir de novo em algo que poderia virar mais uma lembrança guardada numa gaveta meio empoeirada da alma. Só que, diferente da primeira vez, eu não fui no impulso. Eu fui construindo. Lapidando. Questionando. Como quem monta um quebra-cabeça sem a imagem da caixa.
E, aos poucos, fez sentido.
Hoje, tantos anos depois, o amor não é aquele incêndio descontrolado do começo da vida. Ele é mais estável, mais consciente, mais… decidido. A gente se ama com uma escolha diária, quase teimosa. Não é perfeito, longe disso, mas é real. E talvez seja isso que mais importa no fim das contas.
E então, naquele dia, diante da sugestão do Instagram, eu percebi uma coisa simples e libertadora: não fazia mais sentido. Não havia mais curiosidade, nem saudade, nem aquela vontade boba de stalkeada estratégica. Só havia um “X” ali, discreto, quase tímido, esperando para ser clicado.
E eu cliquei.
Sem drama. Sem trilha sonora. Sem discurso interno elaborado. Cliquei como quem fecha uma aba desnecessária no navegador da vida.
Porque, se existe essa ideia bonita de que somos amores de outras vidas tentando nos reencontrar, eu realmente espero que, em algum outro tempo, em alguma outra versão de mim, a gente tenha dado certo. Que a gente tenha se encontrado no momento certo, com a maturidade certa, com a vida menos caótica.
Mas não foi nessa.
E tudo bem.
Porque nessa vida aqui, nessa bagunça organizada que eu aprendi a chamar de lar, eu já tenho o amor que eu quero ter até o fim. Não aquele que me ensinou a sentir pela primeira vez, mas aquele que escolheu ficar quando sentir deixou de ser novidade e virou compromisso.
E olha… entre um amor que marca e um amor que permanece, eu fico com o que fica. Sempre.
Amar, hoje em dia, não tem mais esse glamour todo de novela das nove, com gente correndo na chuva, tropeçando na própria dignidade e chamando isso de intensidade. Eu mesma já fui dessas, dramática profissional, achando que amor de verdade precisava doer um pouquinho, como quem aperta o sapato novo só pra ter certeza que ele é caro. Só que uma hora a gente cansa de sangrar por estilo.
A verdade é que amar virou quase um exercício de resistência emocional, tipo academia, só que sem espelho e sem aplauso. É acordar num dia em que tudo dentro de mim quer silêncio, isolamento e um bom “ninguém me toca”, e ainda assim escolher olhar pro outro e pensar, eu fico. Não porque é fácil. Não porque tá lindo. Mas porque tem algo ali que vale mais do que o conforto de ir embora.
E olha que ir embora, às vezes, parece uma proposta tentadora, quase um convite VIP pra paz imediata. Só que a gente descobre, com o tempo, que paz que vem fácil demais costuma ir embora do mesmo jeito. Permanecer, não. Permanecer é quase uma arte esquecida. É tipo cuidar de planta que insiste em não crescer, mas um dia, do nada, dá flor e você fica ali olhando, meio emocionada, meio besta, pensando, ainda bem que eu não joguei fora.
Amar assim exige uma coragem silenciosa. Não tem plateia, não tem trilha sonora, não tem ninguém dizendo “nossa, que lindo vocês dois resistindo ao tédio de uma terça-feira qualquer”. Mas tem uma coisa muito maior acontecendo ali, escondida no cotidiano. Tem dois seres imperfeitos, cheios de bagagem, traumas, manias irritantes e fases insuportáveis, decidindo não transformar qualquer desconforto em despedida.
E isso, sinceramente, é revolucionário. Num mundo onde tudo é descartável, inclusive gente, escolher ficar virou quase um ato de rebeldia. É tipo dizer pro universo, eu sei que seria mais fácil recomeçar com alguém novo, mais empolgante, mais leve, mas eu escolho construir, mesmo quando dá trabalho, mesmo quando dá vontade de sumir.
Porque no fim das contas, amar não é sobre aquele pico de emoção que faz o coração disparar. Isso aí até café resolve. Amar é sobre constância, sobre presença, sobre aquele gesto meio despretensioso de continuar ali, mesmo quando não tem nada de extraordinário acontecendo.
E talvez seja exatamente isso que torna tudo extraordinário.
Eu acho curioso como a gente vive numa época em que trocar de celular demora mais do que trocar de gente. O celular, coitado, ainda ganha capinha nova, película, limpeza de memória… já as pessoas, não. Travou uma vez, já vem aquele impulso moderno de deslizar pra próxima versão como se fosse atualização de aplicativo. E eu fico olhando isso tudo com uma mistura de riso e leve desespero, tipo quem percebe que o mundo virou um grande teste de paciência… e ninguém quer passar.
Porque ficar hoje em dia virou quase um ato subversivo. É tipo levantar uma bandeira invisível e dizer com toda a calma do mundo, eu não vou embora só porque ficou difícil. E veja bem, não é sobre aguentar qualquer coisa, não é sobre se anular, virar mártir emocional ou protagonista de novela sofrida das seis. É sobre escolher conscientemente continuar. E isso dá um trabalho que ninguém posta nos stories.
Tem dias em que amar parece simples, leve, até meio cinematográfico. Mas tem outros em que amar é quase administrativo. Exige organização emocional, revisão de expectativas, paciência digna de quem já enfrentou fila de banco em dia de pagamento. Porque não tem trilha sonora, não tem vento no cabelo, não tem cena em câmera lenta. Tem só duas pessoas tentando não estragar o que construíram com as próprias mãos.
E o mais engraçado é que a gente foi condicionado a acreditar que amor de verdade é aquele que faz o coração disparar o tempo todo. Sendo que, sinceramente, se for assim o tempo inteiro, talvez seja mais caso de ansiedade do que de romance. Porque amor mesmo, esse que dura, ele se parece mais com um sofá confortável do que com uma montanha-russa. Não impressiona à primeira vista, mas sustenta o corpo quando a vida pesa.
Escolher ficar é isso. É olhar pra mesma pessoa, com os mesmos defeitos já conhecidos, com as mesmas manias que às vezes irritam, e ainda assim pensar, eu prefiro construir aqui do que começar do zero com alguém que ainda nem sei como vai me decepcionar. Porque, convenhamos, todo mundo decepciona em algum momento. A diferença é se você vai embora na primeira rachadura ou se entende que relações não são porcelana, são mais tipo concreto… racham, mas também podem ser reforçadas.
E no meio desse mundo que valoriza o novo, o rápido, o descartável, permanecer virou quase um luxo emocional. Um tipo de coragem silenciosa que não dá curtida, não viraliza, mas sustenta histórias inteiras. Porque no fim, o extraordinário não é o começo cheio de fogos de artifício. O extraordinário é continuar quando os fogos acabam e sobra só a realidade… e mesmo assim, escolher ficar.
Agora me conta… você é do time que insiste ou do time que troca?
Tem uma liberdade quase escandalosa em perceber que eu não preciso ter mais nada pra finalmente ser alguma coisa. É estranho no começo, confesso. Porque a gente cresce acreditando que a vida é uma espécie de checklist infinito: quando eu tiver isso, eu viro aquilo. Quando eu conquistar aquilo outro, aí sim eu me torno alguém. E assim a gente vai adiando a própria existência, como se fosse uma estreia que nunca chega.
Eu já vivi muito tempo assim. Era sempre o próximo passo, o próximo objetivo, o próximo reconhecimento. Como se eu fosse uma obra eternamente em reforma, cercada de tapumes emocionais, esperando o dia em que alguém finalmente diria: pronto, agora sim, você está pronta pra ser você. Spoiler da vida real: ninguém vem com esse carimbo.
E um belo dia, sem fogos de artifício, sem trilha sonora épica, eu percebi uma coisa quase desconcertante: eu já sou. Do jeito que está. Com as minhas contradições, com as minhas partes meio bagunçadas, com as minhas versões que nem sempre conversam entre si. Eu já sou suficiente pra mim.
Isso não significa que eu parei de querer crescer. Eu ainda quero. Ainda tenho sonhos, metas, vontades que me puxam pra frente. Mas agora é diferente. Eu não quero ter para ser. Eu quero ter porque já sou. E isso muda tudo. Porque deixa de ser uma corrida desesperada por validação e vira um movimento mais leve, mais consciente, quase um gesto de expansão, não de compensação.
Antes, cada conquista vinha com um peso estranho, como se eu estivesse tentando provar alguma coisa pra alguém, ou pior, pra mim mesma. Agora não. Agora, se vem, é bem-vindo. Se não vem, eu continuo inteira. Olha que conceito revolucionário: eu não me desfaço na ausência.
E tem algo profundamente elegante nisso. Porque quando eu paro de me medir pelo que eu tenho, eu começo a me reconhecer pelo que eu sou. E isso ninguém tira, ninguém compra, ninguém invalida. Não depende de aplauso, de número, de status, de comparação silenciosa com a vida dos outros. É um tipo de riqueza que não aparece, mas sustenta.
O mundo vai continuar tentando vender a ideia de que falta alguma coisa. Sempre falta, segundo ele. Sempre tem um degrau a mais, uma versão melhor, uma meta mais alta. Mas eu aprendi a desconfiar dessa urgência toda. Porque, no fundo, muita gente está correndo não porque quer chegar, mas porque tem medo de parar e se encarar.
E eu parei. E me encarei. E, surpreendentemente, eu gostei do que vi.
Hoje, eu não quero acumular pra preencher. Eu não quero conquistar pra existir. Eu não quero provar pra validar. Eu só quero ser… e a partir daí, viver tudo que vier como um extra, não como uma necessidade.
Meu pai é pobre lascado, minha mãe sempre foi violentada por ele, até Enlouquecer, mais de 30 anos de abusos... Perdeu a sanidade Mental, passou por hospitais psiquiatricos e tratamentos de choque, nós cuidamos dela, ela ficou melhor, está lá com ele novamente, e diz que ele nunca fez nada com ela e nem conosco... Não tenha pena de gente assim! Eles sofrem por suas próprias escolhas e dependência emocional. Lavei minhas mãos...
Ela sempre nos ameaça, dizendo que a gente que precisa ir preso no lugar dele, só porque a gente fala pra ela deixar ele. Nunca parou de apanhar dele, está enlouquecendo novamente!!
