Quanto mais me Conheco Fernando Pessoa
De tantas ruas quanto atravessei
Quantas mãos eu segurei
Creio sejam tantas quantas me largaram
Quantas delas, ao longo do caminho
A gente pode confiar, não sei
Creio sejam tantas quantas
Hoje eu vejo aqui por perto
Estando assim, sozinho
Quantas pressas eu vivi
Nenhuma dessas eu guardei
Ficaram todas tão perdidas e esquecidas
Quanto os pés que alcançam
O outro lado
Das ruas que a vida atravessa
Cada esquina fria
Cada olhar atrás se esconde
Onde estão tantas cortinas
Vãos, desvãos, janelas e retinas
Todo olhar que nos espia e vê
Cada rotina
Nossas mãos perdidas
Esquecidas e vazias
Quase tão vazias quanto as nossas vidas.
Edson Ricardo Paiva.
Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante durou
O tempo que a vida leva
Qual fosse um novelo de lã
Num castelo de cordas que se transforma
Um menino amarelo que amanhecia
Pra depois anoitecer mil vezes
Era o cravo, era a treva
Vento leve, uma brisa
Que sopra a verdade em seus ouvidos
Tempestade chega de repente
Semente de tempo que a vida leva
Sonhei que a vida era coisa singela
Era um doce com calda de caramelo
Que se vê na infância e não se prova
Não se esquece, que renasce como nova, todo dia
Porque o viu numa fotografia amarelada
Sonhei com a simplicidade
Que de simples que era
Passa a vida inteira e não se alcança
Desiste de esperar e de querer
Como quem não quer nada
Mas a alma
De seu jeito teimosa ela era
E ainda a espera calmamente
Porque
Sonho e vida são coisas que não se junta
E tudo se torna muito
Muito diferente, quando a gente acorda
Pode ser que eu só tenha sonhado
Que essas coisas todas não tivessem
Esse lado esquisito
Essa forma torta como a coisa é dividida
Onde há o feio e o bonito
O lado de cima, o outro lado
O disforme e o quadrado
O errado e o quase certo
Porque sempre que uma vez desperto
Tudo fica complicado
A verdade e a realidade
Contrastando outra vez com a pureza
Da simplicidade que eu sonhava
Onde tudo era caro ou barato
Era claro ou escuro
Mas não tinha passado
E nem futuro.
Edson Ricardo Paiva.
A noite clara a sombra ilumina
A lua se eleva, numa leve claridade
Tão breve quanto a verdade
As sombras se aclaram por uns instantes
Verdades de mentira, a mente as cria
A noite escura tira a luz, que à sombra iluminava
E então, nesse momento, minh'alma repara
Que os olhos, quando bem fechados
São capazes de olhar pra si mesmos
Pode ser que melhor do que antes
As noites sem luares são assim
Iguais a você, iguais a mim
Pode ser que elas peçam canções ao vento também
Sobre claro e escuridão
Canções sobre o mar e as estrelas do céu
Se a gente pudesse pisar lá no chão das estrelas
Se desse pra se ver de lá
Talvez então soubéssemos
O quão longe estamos de nós mesmos.
Edson Ricardo Paiva.
O quanto eu desconheço o amanhã.
O que ontem
A serena silhueta da janela
Pensava saber
Hoje, a olhando assim, de longe
Aparenta ter certeza que não sabe
O tempo trouxe uma surpresa
Mas ainda não mostrou como se desembrulha
De longe, apenas vejo
A sereninade, que antes não havia
Hoje, apesar de cair com mais facilidade
Tende a demonstrar mais equilíbrio
e menos pressa
Aparenta ter mais fé
e menos crença nas promessas
Chega mesmo a transmitir-me
Uma certa impressão
De que hoje ela até pense, antes de agir
Mas não sou de me deixar levar por impressões
Eu só conheço o tempo, pois conheço o ontem
Eu conheço o tempo e reconheço
O quanto eu desconheço o amanhã
No mais, tudo são só divagações
Que hoje, olho de longe
Eu só conheço o tempo e as coisas que ele faz
As folhas caem, as folhas secam
O tempo trouxe uma surpresa, uma fagulha
O que ainda não se sabe
Somente o tempo sabe o jeito certo
Que se desembrulha
Tudo mais é chama.
Edson Ricardo Paiva.
Eu sou a solidão
Filho da noite e do silêncio
Amante das estrelas
Vazio quanto a lua
Sem luz
Sem reflexo
Sem rastro
Sou a minha própria sombra.
Os capitalistas selvagens elitistas, calculam meticulosamente quanto será o seu lucro, mesmo que suas operações custem vidas inocentes.
Nenhum espírito,
sendo ele quem for, está em atraso
quanto a sua missão no universo;
uma vez que tudo é soma;
tudo se desdobra e prospera amparado
por breves e consistentes registros...
Portanto, te apliques em apenas
desatar o que se apresente
diante de ti!
A prova determinante
quanto a obtenção e supremacia
de nossa estimada liberdade
encontra-se bem menos naquilo
que livres podemos fazer...
E bem mais naquilo que
somos livres para
não fazer!
Sem as incômodas
quanto inesperadas marés
da contrariedade,
nem mesmo o real tamanho
do nosso determinismo
e coragem,
conheceríamos!
Tanto os excessos
quanto os inexplicáveis
desperdícios, são lesões morais
presentes naqueles que
desprezam e mesmo ignoram
o necessário à vida...
E como desastroso resultado
faltará ao outro!
... espontâneas
e sobretudo marcantes mudanças
no 'eu', atestam o quanto já
crescemos... E nosso ego
como um felizbeneficiário
nessas cíclicastrocas
de pele!
... para o espírito
todo recomeço: tanto no
remediar, quanto no descortinar
novos valores, evidencia um necessário e inequívoco respiro...
Um benefício que o oportuniza,
lhe garante o dia
seguinte!
... tão complexo
quanto aprender a doar-se,
seria aprender a receber - lembrando
que tanto a espontaneidade em doar quanto uma sensata postura ao receber
são influxos indissociáveis compondo
a mais audaciosa das leis:
a reciprocidade!
... você pode até fugir,
ir tão longe quanto seja capaz;
sem que isso, de alguma forma, possa
proteger-te das incômodas incertezas,
um já habitual cansaço - porém, saiba que
para o espíritotudo é movidopor causas
esoluções; por um significativo despertar,
a idealização de um universo sucinto,
único, que a ele, espírito, cumpre
edificar em si; descortinando
certezas e respostas...
Aprimore-se!
Tanto lá, quanto cá,
tudo é um esclarecedor processo de descobertase ajustes contínuos!
Cabendo a cada espírito aplicar-se não só
aquilo que já compreende e vive;
mas sobretudo,
ao que solícito, dedicado, melhor
compreenderá!
... tanto eu quanto você
já superamos fracassos, imposturas,
traumas,alguns hematomas;
e não poucas vezes, levados a
reconhecer esse lado bom da saudade,
que muito mais do que superar
qualquer ausência, ela existe
para nos livrar do esquecimento!
Logo, tanto eu quanto você,
não temos mais motivos para duvidar
que somos capazes - cada um a sua
maneira -de lidar com qualquer
coisa!
"As pessoas não gostam de errar, muitos temem admitir um erro, se soubessem o quanto isso faz crescer, errariam apenas para poder aprender, então chegamos a devida conclusão: Continuem a temer, não errem nunca"
