Quando Sorrimos
Quando olho você dormindo, percebo o quanto és frágil, dócil, "inofensivelmente" humano! Dá vontade de não mais lhe acordar! Mas ora, se o que realmente quero é isso, que despertes das grosserias que permeiam seu ser, amarguras de seus gestos, e ofensividade de suas palavras!
Olhar justificado
Sempre que há nessa aula Mirela,
obedeço a uma ordem,
pois no quando de sua chamada
o que escuto: “Mire ela”.
Minha Amada
Você era muito calada
Desacostumada, envergonhada
Mas quando tinha a dádiva de sua voz ouvir
Em meus pensamentos a via fluir.
Queria que fosse minha amada
Humanizada, personificada
Como a amava
Meu coração disparava.
Em seus braços queria me envolver
E em meu coração a queria ter!
Os olhos são os melhores amigos dos nossos lábios. Mesmo quando eles se entristecem, os olhos conseguem o inimaginável. Fazê-los mostrar para o mundo o que eles tem de mais bonito, que está por dentro e escondido. A sinceridade de um belo sorriso.
E quando as pessoas falam do amor, eu involuntariamente vasculho minha mente inteira, vasculho todos os meus registros, procuro por todas as vezes em que sorri e chorei ao mesmo tempo. Então eu acho você… Acho você e aquele seu sorriso estupido que insiste em me conquistar instantaneamente, aquele sorriso que só aparece para anestesiar a minha raiva de você e me fazer querer-te cada vez mais. Cada vez com mais intensidade, com mais amor, com mais raiva, com mais vigor… Com toda as sensações juntas. Com todos os sentimentos sentidos de uma vez só. E sabe…. Me vem uma vontade enorme de falar de você, de tocar no seu nome e dizer todas aquelas suas características que um dia me impressionaram. Que um dia me fizeram amar-te. Mas eu tenho medo de que as pessoas se impressionem também, tenho medo de que elas te amem, assim como eu. Mas quer saber o meu maior medo? É de que alguma delas te conquiste, te fisgue e te roube. De que alguma delas consiga o que eu sempre tentei e continuo tentando. O seu amor, meu bem
Hoje chorei de saudade. Chorei quando te vi passeando pela rua desta vez sem mim… Desta vez seguravas a mão de outra que nem fiz questão de ver quem era… Chorei quando senti teu cheiro. Aquele de sempre, que ficava na minha blusa, no meu travesseiro, na minha mente… Aquele que nunca esqueci, nem quando eu quis esquecer. Já tentei encontrar ele em outros, mas esse cheiro só a ti pertence, não é mesmo? Já o procurei em tantos lugares, em cada esquina, em cada bar, em qualquer boate que eu frequentava por aí, mas não o encontrei. Pelo contrário, percebi que ele esta a milhas distantes de mim. Percebi que a cada dia que passa o cheiro vai se perdendo no ar, mas só cheiro, pois o meu amor por ti não se perde, pelo contrário eu o encontro todos os dias. O encontro em cada sorriso e cada choro. O encontro no cinema ou em uma mesa de bar. O encontro nos livros, nos versos, nas flores ou nas nuvens. O encontro no sereno da noite, quanto ele molha o vidro dos carros e eu rabisco a minha inicial e a sua na esperança de que volte para mim.
Realmente o tempo passa e passa rápido. Lembro-me de quando eu ainda te tinha comigo e de como era bom estar contigo, mas o tempo passou. As coisas não são mais as mesmas. O outono chegou. As flores murcharam e caíram ao chão. Hoje busco tuas partes por aí. Pelas ruas, pelos bares e boates. Procuro tudo que se relaciona a ti e ao seu gosto esplendido e dissemelhante. Nada acho. Perco-me em meus pensamentos melancólicos e em minhas lágrimas frias.
Quebra-cabeça nunca foi meu forte. Aliás, tudo que me fazia pensar excessivamente nunca foi meu forte. Sempre fui muito explosiva. Achar suas partes está sendo muito difícil para mim. Você não sabe quantas vezes pensei em desistir e rasgar esse quebra-cabeça.
Mas eu ainda preciso de ti. Preciso ter você completo. Preciso lembrar-me de todas as coisas que vivemos. Todas as discussões que tivemos… De todos os beijos e abraços que trocamos. Preciso te ter de volta nem que seja decifrado em palavras e guardado nesse pequeno caderno com folhas manchadas pelo seu café favorito. […] Abri meu cofre que se encontrava ao lado da minha cama; em cima do criado mudo de cor desbotada. Nele guardava teu cheiro. Derramei-o no caderno. Seria mais uma parte de ti. Teu cheiro e todas as lembranças que ele me traz.
Embriaguei-me com teu cheiro a noite inteira, até não ter mais controle sobre mim. Recusei-me a abrir os olhos, tentando evitar uma saída para as lágrimas. Mas elas foram mais astúcias que eu. Escorreram pelos cantos dos olhos e mancharam a minha caligrafia torta. Não me importei. Teu cheiro estava impregnado em mim e em meu quebra-cabeça. Eu estava chorando, mas estava feliz. Estava menos vazia e mais completa, estava com uma parte de ti.
