Quando a Gente Cresce
"A gente não cresce simplesmente.
A gente vai mudando de pele a cada estação!"
Haredita Angel
14.11.14
A gente nasce, cresce, aprende com os erros e acertos. E finalmente, quando damos conta de que a vida acaba, essa parte se torna triste — e a gente fica com medo de não ter existido, mas apenas vivido.
Existe uma solidão que não nasce da ausência de gente. Ela cresce no intervalo entre o que sinto e aquilo que consigo transformar em palavras. É como viver preso a um idioma que ninguém ao redor entende. E, nesse desencontro, vou me traduzindo em silêncio para não desaparecer.
Um dia a gente cresce, cria gosto por outros gostos... Cria manias que deixam as manias de lado. Vive em silêncio todas as veze que sentimos vontade de gritar, aprendemos a observar, a cuidar do nosso e só do nosso. Um dia a gente cresce e cria o medo por coisas de gente grande, deixa os sonhos de lado, inventa novos sonhos... Um dia a gente aprende que nem todo verso vem em poesia e nem toda vida é historia da boa.
A gente cresce e percebe que certas coisas
E pessoas não nos fazem tanta falta,
A gente se completa de outras formas,
A gente se sente bem com outros sorrisos.
Quando a gente é criança tudo é fácil, costumamos vê verdade em tudo, o problema é que quando crescemos mudamos nossos olhos dando de cara com a dura realidade.
Mas quando a gente cresce, a gente aprende a dar valor a quem está perto
Eu vim dizer
Que eu voltei
Pro meu lugar
Não vou deixar que alguém
Conquiste o impossível por mim, eu não vou deixar que alguém
Conquiste o impossível por mim, ah eu não vou deixar que alguém
Eu descobri que não é impossível ser feliz quando a gente cresce. Só que fica um pouco mais difícil.
Chorão.
A gente nasce, cresce, alguns se desenvolvem, todos ficamos velhos e muitos nunca vivem plenamente a vida.
Todos morreremos.
Assunto tão grande dá até medo de abordar, porque a gente certamente vai se perder nas muitíssimas discussões do que realmente é importante na vida.
Não consegui deixar passar a morte do Chorão como eu gostaria,vendo seus milhares, talvez milhões de fãs chorando sua perda e eu quieto no meu canto ouvindo a Amy Winehouse.
Mais do que o valor das suas letras e certamente das músicas, o que devem estar chorando é a perda de um ser humano com carisma incrível.
Incrível para mim, na acepção da palavra, acostumado a ouvir Frank Sinatra, Nat King Cole, Chico Buarque de Holanda e outros cantores, cantoras e intérpretes da boa música, das melodias que encantaram e ainda encantam milhares de milhões de pessoas.
Confesso nunca ter dado uma chance de que o Chorão cantasse e eu ouvisse, nem um pedacinho das suas letras, nas músicas que segundo os críticos são só batuques, acompanhados de outros sons estridentes, de instrumentos elétrico, eletrônicos, que atrapalham qualquer som que não seja uma gritaria insana.
Chorão nasceu, cresceu em ambiente desfavorável para uma vida saudável, não foi feliz, não aproveitou o que a vida tem de bom e finalmente deixou todo mundo triste com a sua morte.
Foi uma droga!
Não é que a gente muda, é que a gente cresce. A gente enxerga o que antes não via. E, a gente dá valor pra tudo aquilo que merece. A gente fica leve. Sabe?
