Punhalada
A pior punhalada é a que não corta e nem sangra..
É a que rasga silenciosamente a nossa alma..
A falsidade.
..
Rebenta a manhã como um punhal
de gritos
na caserna
O arame farpado
que serve de paredes frágeis a este quartel
improvisado
foi cortado durante a noite
Há marcas evidentes do inimigo
e da sua passagem traiçoeira
por aqui
Estremece o sangue nas veias
a raiva corta os pulsos
e o medo apodera-se de todos nós
Não há heróis,
existe apenas
a cruz de guerra entregue ao pai
ou ao filho que o pai não conheceu
e a memória sentida
escrita no mármore da sepultura
In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
Punhal,
O amor é como um punhal
Dilacera a alma, corta a carne em mil pedaços
É egoísta
Não mede esforços para atingir os seus objetivos
Chega de mansinho, se esgueirando como um animal faminto
Observando a sua presa até que possa dominá-la.
E mesmo assim, as pessoas sempre estão a sua procura
Mas quando percebem que viraram mercês
Tentam fugir, mas como?
Como escapar desta força avassaladora que nos domina o corpo e a alma?
Se sentindo vencido o pobre mortal se rende á força potente que o dominou.
Enfim, este é o amor - frio punhal que o acertou!!!!
Sêphora Andaluza
A mentira é uma punhalada que não mata de imediato, mas certeira atinge o peito e rasga silenciosamente a confiança da gente, sangra devagarinho até que não reste dela uma só gota.
SONETO "X"
Como o talho do punhal numa emoção
A perfídia escorre do peito num sofrer
Num fio navalhado dentro do coração
Que no sentimento se põe a morrer
Mora em mim o teu "x", tão mutilação
Que o amor não mais pode entender
Vida e morte em uma una conjunção
Que o meu ser se cansou de ceder
Viver a presença e não a solidão, sorte
Pois o suporte não se acha pelo chão
E tão pouco para paixão é um aporte
Então, domine o teu querer, tua ilusão
Viva a vida, tão breve, com total porte
E tenhas equilíbrio no sôfrego coração
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2017, outubro
Cerrado goiano
“Tempos estranhos
de palavras instantâneas
compromissos liquefeitos
verdades oscilantes
punhaladas sorridentes.”
Meu reino por uma frase que, assim como um punhal forjado em gelo, toque o seu alvo pretendido e logo se converta em líquidos, em vapores, em decantação.
A cada nova punhalada, mais um pouco do sangue se esvai. Então quando apenas ácido sair de alguém, se pergunte quantas punhaladas eu desferiu na pessoa. Aí você terá sua resposta.
"Foi muito além de mim cravadas como um punhal... Palavras proferidas nunca voltam
podem consolar ou destruir!"
É desagradável, antisséptico, quase escatológico. Mas tenho um punhal cravado no meu coração, e estando na mais completa solidão, vou me escusar na minha falta de forças para poder me esvair em sangue, na mais completa paz.
