Preto
Ao despertar
Louvei a Deus em oração
Não é um dia como outros tantos
Que vão passando em preto e branco
Sem deixar marcas no coração
Até o canto dos passarinhos
Que há tanto tempo tão acanhado
Surpreende-me tão apurado
De júbilo apinhado
Hoje é seu dia
Que seu esmero pela palavra
Seja o seu legado
Da luz que dela irradia
Seus passos sejam guiados
Meu amigo agora está preto e branco, cego e mudo (ou as vezes só monossilábico).
"Aonde foi que eu errei?"
A saudade consegue me fazer acordar mais cedo que o usual. Mal tomo um café preto sem acompanhamento nenhum e corro a tomar um banho gostoso e a escovar os dentes como se estivesse entregando meus sapatos aos cuidados de um engraxate. Uso pouquíssima maquiagem, mas me perfumo com meu perfume mais caro na medida certa. E caro aqui quis dizer em preço e apreço. Faço isso na ingênua crença de que assim deixarei um pouco de mim com você até o nosso próximo encontro.
RESPINGOS
Pinga a chuva, preguiçosa, lá fora,
escorre no vidro qual lágrima fria,
céu preto, névoa clara, fotografia,
Pérsio Mendonça
RESPINGOS
Pinga a chuva, preguiçosa, lá fora,
escorre no vidro qual lágrima fria,
céu preto, névoa clara, fotografia,
pinga tinta de minha pena, apenas...
Verto em gota triste pela menina,
dos olhos, perda que me devora,
nuances da felicidade, de outrora,
pinga meu verso silente, nascente...
Despeja salgada, na pele olvidada
a marca indelével da dor inaudível,
que um dia julguei seria impossível
pinga goteira em tímida, cachoeira...
Ritmado compasso ocupa o espaço
crescendo em flor na forma de dor,
aponta para um outro sol seu calor.
pinga tinta de minha pena, apenas...
pinga tinta de minha pena, apenas...
Amor, a vida é colorida, você é preto e branco e eu sou uma tela sem vida, faça de mim sua obra-prima, serei os seus 50 tons de cinza e seu azul vivo ao mesmo tempo, amor.
Compartilhe a sua dor, porque menos insuportável ela será para você. Conte a sua história... O preto é um sinal que eu quero te ajudar.
77. Reflexões Chá da Vida
Um. café para começar bem o dia!
Eu preciso sempre...
Um cafezinho Preto... aromático!
Apenas um. cafezinho. Preto....
na simplicidade de minha cozinha! Revigorante!
Ajuda a colocar as ideias em dia...
Ajuda a me sentir VIVA!
Bom dia pra você que chegou. aqui agora!
Toma um café comigo?
edite lima / Setembro 2016
As vezes a noite eu vejo ela com um vestido preto em frente ao cemitério. Será que se eu chamar ela para cometer um suicídio junto comigo. Ela Aceitaria?
Não uso branco
tampouco preto
fui vestido desde tempos antigos
com a tonalidade vermelha
talvez miscigenado,
vagando entre os termos
mas sem nunca me definir
se branco ou preto,
sou apenas a cor solitária
que anda sozinha na noite
deturpando virgindades
e a infância das moças,
sem uma alma gêmea,
residente de outra dimensão
onde amores são unos
e vagam como eu
nestes termos indefinidos,
acatando assim a solidão
vermelha dos dias.
são 04h, muito frio. há tempos não sabia o que era isso em Ribeirão Preto.
não há gemidos nos apartamentos vizinhos, todos dormem e o silêncio reina. lá fora chuva e um pedido de socorro, rompe com a paz reinante.
uma voz feminina suplica que a deixe; que ela não quer ir, quer ficar ali. em outros momentos, quer ir. mas só! sem a companhia, que nada fala — presumo só acompanhar ao largo, de um lado a outro da calçada.
nenhum carro na rua, nem sons a interromper o capítulo dessa novela. ela chora e ri num desafino descompasso, lembrando talvez mais dos drinks de que a música que a embalou no início da festa, que sabe-se lá como terminou, ou não!
penso em deixar a cama, abrir a Frisa e ir acompanhar o desfecho do romance "frozen in the rain". as cobertas que me acompanham não permitem e me abraçam mais forte de encontro à cama. tento com esse trio aquecer-me para o final da madrugada e colo mais um travesseiro ao ouvido — ajuda também a esquentar —, mas a voz feminina, lá fora teima em reinar. não é um Romeo, Romeo... nem tampouco tomate cru que ela procura na feira — por sinal distante daqui — . e, ela continua a berrar, algumas palavras que se parecem com isto.
milésimos de segundos se passa e seus sapatos começam a dividir com o som da chuva a quebra do silêncio que antes reinava, na pista. uma dança sem música, no asfalto molhado. ele, enfim berra e pede para que ela volte. é então que eu noto a companhia, é um homem.
abri a Frisa, quem sabe para ajudá-la, quem sabe para me devolver o sonho e, aquecer o corpo. vejo que ela não resistiu, preferiu o Romeo. ela aceitou-o e foram em busca dos tomates.
agora sim, o tempo vai esquentar e logo, logo, o sol é quem vem reinar!
