Frases sobre portas
O Desrespeito é capaz de fechar uma porta, que nenhuma desculpa é capaz de abrir de novo... Pode até tentar, mas nunca mais será a mesma coisa.
Otávio Mariano.
"A morte baterá à sua porta, ao abrir, diga apenas: "Bem-vinda, velha amiga", até porque você sempre soube da existência dela, temia ela, mas, no fundo, ansiava pela sua chegada"
O Visitante II
Depois que a casa aprendeu,
nunca mais abriu a porta
com as duas mãos.
Agora,
quem entra
já encontra o chão gelado,
as luzes apagadas
e uma cadeira vazia
posta no lugar certo:
longe demais
para parecer convite.
Há pessoas tão monótonas
que nem chegam como tempestade.
Chegam como poeira.
Sentam,
falam pouco,
prometem nada,
mas ainda assim
ocupam espaço
como móveis velhos
em cômodos que já pediam fogo.
Eu sempre soube.
Só não dizia alto
porque há verdades
que ficam mais bonitas
quando provadas
pelo próprio desaparecimento
dos outros.
No fim,
ninguém me surpreende.
Apenas confirma.
Uns rareiam.
Outros somem.
Alguns fingem delicadeza
enquanto deixam a lâmina
em cima da mesa.
Mas todos,
absolutamente todos,
partem do mesmo jeito:
fazendo silêncio
como se o silêncio
não tivesse digitais.
Eu vi.
Vi quando a presença
começou a virar intervalo.
Vi quando a palavra
perdeu peso.
Vi quando o cuidado
ficou preguiçoso.
Vi quando o “perfeito”
já vinha vestido
de despedida.
E ainda assim,
não pedi explicação.
Porque pedir clareza
a quem vive de sombra
é oferecer vela
a um túmulo.
A casa não corre mais
atrás de visitante.
Não limpa pegadas.
Não guarda copo.
Não espera retorno.
Deixa a poeira assentar
e aprende o nome
de cada ausência.
Há gente que se acha mistério,
mas é só repetição
com perfume barato.
Há gente que se acha perda,
mas era só tempo
escorrendo pelo ralo.
Há gente que pensa
que deixou saudade,
quando deixou apenas
uma prova:
eu estava certo.
Sempre estive.
E se um dia perguntarem
o que aconteceu,
direi sem raiva,
sem saudade,
sem brilho nos olhos:
nada.
Só mais alguém
entrou numa casa
que não merecia conhecer
e saiu pequeno demais
para virar lembrança.
Porque, no fim,
o que assusta não é perder pessoas.
É perceber
que algumas nunca tiveram altura
para serem chamadas de perda.
A porta pode permanecer fechada por um tempo, mas Deus nunca deixa de ouvir a oração dos que perseveram nele.
União não é caminhar sem conflito; é permanecer lado a lado mesmo quando a guerra bate à porta, escolhendo lutar juntos e não um contra o outro.
Mataram o cavalheirismo acusando-o de machismo. Agora reclamam que os homens não abrem a porta, não pagam a conta e homens que não se comprometem. Igualdade tem custo. Aproveitem o 50/50 e a ausência de proteção. Foi escolha, não surpresa.
Quando se termina um ciclo, com alguém, outra porta se abre, porque o que está pra vir, possa ser o que estava ao seu aguardo, antes desse, que acabou. Basta te fé e acreditar, porque Deus pode tudo.
A Porta da Liberdade — Paulo Fernando | Menino Confuso
Na calada da noite, acordei com alguém batendo na porta. Logo pensei que fosse na minha casa. Quando escutei a vizinha perguntando quem era, uma voz bradou dentro do meu quarto: um “sou eu” que estremeceu tudo o que há dentro de mim.
Levantei-me, andei pela casa, sentei, e logo pensei: poxa, será que nunca vou sair daqui? Será que ninguém vai notar que estou preso? Que preciso ver o sol raiar novamente? Que preciso de um abraço?
Com os olhos fechados, senti uma calmaria dentro de mim, e as lágrimas molhavam o meu rosto. Comecei a lembrar do meu pai, aquele que vem cuidando de mim mesmo eu não merecendo. Senti saudade de falar com ele. Eu tinha tanta coisa para conversar, mas ao mesmo tempo sentia vergonha, pois eu tinha me afastado, mesmo ele estando ao meu lado.
No estado decadente em que eu estava, me humilhei e me prostrei aos seus pés. Pedi perdão, pois compreendi que ele é a minha verdadeira liberdade. Em silêncio, ele estava ali me ajudando, e naquele chão ele começou a dizer o quanto eu era lindo, magnífico, sublime. Ali, matei a saudade do pai.
Quando abri os olhos, olhei para a janela. Me levantei e fiquei observando, esperando forças para poder abri-la. Então fui em direção à luz que ultrapassava pela fresta da janela e a abri.
O céu, a terra, as flores amarelas e azuis… um sol nascendo.
Não consegui segurar as lágrimas e deixei cair.
Precisei sair do meu cômodo para receber o que eu precisava: a minha liberdade. Pois ela já morava dentro de mim.
— Paulo Fernando | Menino Confuso
Desistir nunca foi meu legado, ocupo apenas meu espaço e deixo a porta aberta para quem queira entrar e para quem queira sair.
Você foi embora sem fechar a porta,
e o vento ficou bagunçando tudo em mim.
Tentei arrumar, mas nada se encaixa,
porque você levou a parte que fazia sentido.
DeBrunoParaCarla
Não tenha medo daquelas ideias que parecem chegar antes do tempo.
Algumas não batem à porta para serem realizadas imediatamente.
Elas apenas querem encontrar um lugar seguro para esperar. Então, cuide delas.
Escreva seus nomes, converse com elas. Volte de vez em quando para saber como estão.
Quando a hora certa chegar, elas mesmas pedirão para ganhar o mundo.
E, quando isso acontecer... você vai descobrir que elas nunca estiveram paradas, estavam apenas criando raízes.
Angela Monteiro
Ela chega devagar, como um sopro novo,
fecha a porta do descanso, abre o caminho.
Não é só o início de uma nova jornada,
mas uma página em branco para escrever carinho.
Traz um pouco de cansaço, sim, é verdade,
mas também força que renasce sem parar:
é o empurrão suave da realidade,
convite para recomeçar e brilhar.
Com café quente, passos firmes e esperança,
ela nos ensina a ter pé no chão:
segunda‑feira é a porta da mudança,
o primeiro passo para a realização.
O Enlace que Fica
Vida é apenas o tempo de se encontrar,
uma porta aberta por onde dois passam e se veem.
Podem chegar perto, se aquecer, se tocar,
mas ainda são dois, que o mundo separa e une.
Só quando a existência se apaga e se acalma
é que se faz a união que não tem mais fim;
não há mais entremeio, nem distância, nem limite,
é um ser no outro, inteiro e sem fim.
Enquanto aqui estamos, o corpo só sabe
ter no abraço o seu jeito de se achegar;
ele aperta, ele sente, ele faz o que pode,
mas é na alma que o laço vai se firmar.
Porque o abraço passa, ele é feito de instante,
se desfaz quando os braços se afastam então;
mas o enlace das almas não tem mais barreiras,
ele existe antes mesmo, e vive depois, além do tempo e da condição.
Se um dia eu puder viver sem tecnologia
Quem quiser me ver, vá na minha casa
A porta vai estar aberta, sem senha, sem tela pra travar
O cheiro do café passando na cozinha te chama
E a gente toma um gole quente, sem tirar fotos pra guardar
Conversar sem precisar de curtida,
Sem notificação cortando o riso pela metade
Só o olho no olho, a cadeira na calçada,
O tempo passando devagar, do jeito que é de verdade
Ah, que saudades das calçadas,
Das reuniões sem celular na mesa a atrapalhar
Das histórias contadas de novo, e mesmo assim gargalhar
Do vizinho que gritava “ô de casa” e já entrava pra prosear
Se um dia eu puder viver sem tecnologia
Eu quero de volta o abraço sem pressa
O “fica mais um pouco” dito na despedida
E a saudade boa de quando presença era a única conexão precisa
Porque tem memória que não cabe em nuvem,
Tem afeto que Wi-Fi não alcança
Tem vida que só acontece
Quando a gente desliga a tela… e liga a esperança.
Pseudo-cura...
A campainha da porta toca insistemente por três vezes. Logo depois, silêncio. Silêncio e um salto alto a ecoar pelo corredor com passos inquietos do outro lado. Ele conhecia aquele andar. Ele conhecia aquele toque de campainha. Ele podia sentir a respiração de quem batia à sua porta àquela hora da noite. E, mais uma vez, antes que seu coração acalmasse, um filme completo passou por sua cabeça, fazendo com que por alguns instantes, pensasse em fingir que não estava ali.
Outra vez a campainha toca. Mais três toques desesperados. Ele ainda hesita em abrir. Sente um frio no estômago, um mal súbito. As mãos suam, tremem, entrelaçam e se desentrelaçam, e ele ainda hesita em abrir a porta. Pensa mais um pouco, dá alguns passos em direção à entrada do apartamento, mas outra vez, recua. Ele não estava preparado para aquele encontro. Era melhor ficar quieto. Era melhor cumprir a promessa de que não mais lhe abriria a porta.
- Por favor, eu sei que você está aí...
Ele não resiste.
E lá estava ela, toda linda, com os mesmos olhos vermelhos de sempre. Frágil, carente, magoada, decidida, arrependida, perdida.
Ele sabia exatamente o que aconteceria poucas horas depois, mas, mesmo assim, a abraçou como se aquele momento fosse o único. Como se nada mais existisse além daquele corpo que implorava carinho, apoio, ternura. Quando a tinha nos braços, não importava o depois. Quando a tinha nos braços, o mundo não existia lá fora. E era exatamente ali que ele passaria toda a vida, se ela quisesse.
Estava frio. Ele oferece um chá.
- De camomila...Ela balbucia. Precisava se acalmar...
Ele prepara o chá, coloca na mesma xícara de sempre, e a serve, admirando como ela continuava linda mesmo estando tão brava. E, assim, enquanto o mundo continuasse a não existir lá fora, ele cuidaria dela, exatamente como todas as outras vezes em que ela batera à sua porta, sempre decidida a não mais se sujeitar àquele amor que a aprisionava, que a sufocava, que a machucava tanto.
O telefone toca. No visor, ele sabe muito bem quem é.
Desespera.
Ela atende, chora, briga, diz palavrões, acalma, ouve, entende, sorri de leve, pede desculpas, diz que ama, que ainda quer, que é o homem da vida dela, que volta, claro que volta, que voltaria sempre...
Desconsolado, ele se senta no sofá. Ela se posiciona ao lado dele, e sem entender o quanto seu coração está cortado, toma-lhe as mãos, beija carinhosamente, agradece pelo apoio, e com um brilho nos olhos, o brilho de quem vai voltar para seu amor, se isenta de qualquer culpa por fazê-lo sofrer mais uma vez.
- Ninguém manda no coração. Se eu pudesse, escolheria me apaixonar por você...
O mesmo filme se repete. Ela vai embora. Ele não a leva à porta. Apenas ouve o som de seu salto alto a ecoar pelo corredor agora com direção certa e definida.
E ele fica ali, a esperar a próxima noite em que ela o procuraria, decidida a não mais se sujeitar àquele amor que o machucava tanto.
A campainha da porta toca insistemente por três vezes. Logo depois, silêncio. Silêncio e um salto alto a ecoar pelo corredor com passos inquietos do outro lado. Ele conhecia aquele andar. Ele conhecia aquele toque de campainha. Ele podia sentir a respiração de quem batia à sua porta àquela hora da noite.
Outra vez o mesmo martírio. Outra vez sentiria a dor e a alegria de tê-la nos braços, de fazê-la dormir, e depois vê-la partir com o olhar apaixonado de sempre, apaixonado por alguém que não era ele.
Ele abre a porta.
Ela não está mais com os costumeiros e lindos olhos vermelhos. Um sorriso largo lhe enfeita o rosto. Na face, a avidez de quem tem uma ótima notícia a contar. No chão, uma mala, ao lado de suas pernas tão bem torneadas.
O coração lhe salta à boca. Seus olhos não acreditam no que vêem. Será que era mesmo isso que estava acontecendo? Será que ela finalmente percebera o quanto ele a amava? Ele, que sempre esteve à sua disposição, que cuidava de suas feridas, que a aceitava incondicionalmente, que se machucava com suas indecisões, mas sempre a acolhia, que várias vezes abrira mão do próprio orgulho, que tantas outras fora criticado, apontado, desrespeitado. Será que agora seria para sempre?
E ela continuava ali, agora com o olhar verdadeiramente apaixonado, brilhante, faiscante! Não estava mais carente. Parecia firme como uma rocha. Não trazia mais o ar arrependido e distante de outrora.
Apressado por um novo desfecho, ele segura a mala nas mãos. Carinhosa, ela sobrepõe as suas às dele. Mas fica inerte à porta do apartamento.
Um a um, ele retira os dedos da mala. Uma lágrima lhe desce dos olhos há pouco tão ávidos por viver de verdade aquele romance. Ele não consegue entender. Dessa vez, não sabe o que está por vir. No fundo, preferia os poucos momentos juntos à incerteza daqueles intermináveis segundos.
Ela continua estática.
- Por que não eu? – enfim, ele conseguiu sussurrar.
- Porque eu encontrei alguém que não me ama mais que a si próprio – respondeu ela, isentando-se de qualquer culpa por fazê-lo sofrer para sempre.
No telefone, um novo nome a chama. Ele sabia que ela não mais voltaria a procurá-lo no meio da noite, de olhos vermelhos, frágil, carente, perdida.
Capítulo — Quando a porta se fechou
A chegada da minha filha mais nova deveria ter inaugurado um dos períodos mais felizes da nossa família. Mas, quase ao mesmo tempo em que ela nasceu, o mundo inteiro fechou as portas. A pandemia nos trancou dentro de casa, silenciou as ruas, modificou rotinas e obrigou milhões de pessoas a reaprenderem a viver.
Eu acreditava que estávamos enfrentando apenas mais uma fase difícil.
Não estávamos.
Enquanto o mundo parava, meu casamento também parava — só que de uma forma muito mais silenciosa.
Meu marido já não era mais meu marido.
Ele vinha para casa apenas para jantar e dormir. Nos fins de semana, trabalhava. As conversas desapareceram. Não existiam mais planos, risadas, confidências ou discussões sobre o futuro. Falávamos apenas do que faltava comprar, das contas da casa ou de alguma necessidade imediata das crianças.
Nem sobre os filhos ele perguntava.
É claro que eu percebia que alguma coisa havia mudado. Mas tentei justificar tudo.
Pensei que fosse a pandemia. Pensei que fosse o peso de um bebê recém-nascido. Pensei nas dificuldades financeiras. Pensei na minha própria dor, porque eu ainda não havia aprendido a sobreviver à morte da minha mãe. Havia dias em que a saudade voltava inteira, sem pedir licença, e eu mal conseguia respirar.
Talvez, eu dizia para mim mesma, fosse apenas uma fase.
Talvez estivéssemos todos emocionalmente cansados.
Passei um ano inteiro acreditando nisso.
Mas o amor, quando vai embora, deixa pistas por todos os cantos da casa.
Ele já não pegava nossa filha caçula no colo. Não brincava com ela. Não perguntava como ela estava. Saía cedo, sem sequer dizer bom-dia, e voltava apenas para cumprir uma rotina mecânica de comer e dormir.
O que mais me machucava, porém, era vê-lo perder a paciência com nosso filho do meio. Qualquer motivo era suficiente para uma explosão, e eu sempre precisava me colocar entre os dois para protegê-lo.
A casa já não era um lar.
Era apenas um endereço onde quatro pessoas dividiam o mesmo teto.
Até que chegou um sábado de novembro.
Ele entrou com um lanche nas mãos. Entregou às crianças. Sentou-se. Comeu em silêncio.
Então olhou para mim e disse, sem alterar a voz:
— Vou embora. Não aguento mais.
Foi como ouvir uma sentença.
Perguntei por quê.
Disse que podíamos conversar. Que poderíamos tentar. Afinal, eram treze anos de casamento. Treze anos de histórias, sonhos, dificuldades e conquistas.
Mas ele já havia partido antes mesmo de sair pela porta.
Disse apenas que estava com depressão e que precisava se afastar.
Naquele momento, eu acreditei.
Por mais que meu coração estivesse sendo despedaçado, minha maior preocupação deixou de ser o fim do casamento.
Passei a acreditar que o homem que eu amava estava doente.
E pessoas doentes precisam de cuidado, não de abandono.
Depois que ele saiu, tentei ligar todos os dias.
Mandava mensagens.
Perguntava se estava bem.
Perguntava quando veria as crianças.
Não havia respostas.
Nenhuma.
Nem para saber dos próprios filhos.
Naquela época eu também enfrentava outro medo.
Eu estava desempregada.
Precisava alimentar duas crianças pequenas e reconstruir uma vida inteira.
Foi então que decidi transformar um pequeno espaço da casa numa sala de reforço escolar.
Comecei com apenas dois alunos.
Era pouco.
Mas era um começo.
Em dezembro já atendia quatro crianças. Ainda não resolvia todos os problemas financeiros, mas me devolvia algo que eu havia perdido havia muito tempo: a sensação de que eu podia construir alguma coisa com as minhas próprias mãos.
Foi também em dezembro que ele voltou.
Não porque sentisse saudades.
Nem porque quisesse conversar.
Eu havia mandado uma mensagem dizendo que, se ele não buscasse seus pertences, eu colocaria tudo no lixo.
Ele apareceu.
Entrou em casa como quem nunca tivesse ido embora.
Deu bom-dia.
Sorriu para as crianças.
Brincou com elas.
Riu.
Como se nada tivesse acontecido.
Depois devolveu a chave da casa, pegou suas coisas e foi embora.
Simples assim.
Sem lágrimas.
Sem conversa.
Sem despedida.
Sem qualquer demonstração de emoção.
Parecia alguém visitando parentes distantes durante uma viagem: entra, cumprimenta, pega o que veio buscar e segue seu caminho.
Naquele momento, eu ainda alimentava uma pequena esperança.
O Natal estava chegando.
Treze anos juntos.
Dois filhos.
Talvez ele aparecesse.
Talvez quisesse reconstruir alguma coisa.
As crianças pediram para falar com o pai.
Liguei.
Ele atendeu.
Havia música ao fundo.
Estava arrumado.
Desejou feliz Natal.
Mas disse que não viria.
Naquele instante, algo dentro de mim finalmente acordou.
Ele não estava tentando se curar.
Não estava vivendo um tempo de afastamento.
Ele já estava vivendo outra vida.
E, pela primeira vez desde que tudo começou, compreendi que eu precisava parar de esperar.
Naquela noite, entendi uma verdade dolorosa.
Os filhos eram meus.
A responsabilidade era minha.
A força teria que nascer de mim.
Não porque eu tivesse escolhido isso.
Mas porque a vida havia escolhido por mim.
E, embora eu ainda não soubesse, foi exatamente naquele momento — quando todas as portas pareciam fechadas — que comecei, silenciosamente, a reconstruir a mulher que eu seria dali em diante.
Tem gente que precisa atacar pra se sentir alguém.
Fala bonito, abre a porta, sorri, elogia…
Mas é igual cobra: primeiro abraça, depois enforca.
- Camila Rescaroli
