Porque você Mentiu pra Mim
Hoje eu fiz café
E desfiz a amizade
da saudade que eu sentia
de mim mesmo
Parece a semana passada
Mas faz muito tempo...
Eu sentia um perfume
Que até hoje eu não sei ao certo
A vida não era
Um caminho de estrelas
A vida era o nada
Onde a trilha era delas
Meus pés vão pisando outro chão
Onde o brilho são vagalumes
Hoje eu fiz café só pra mim
Hoje eu vi que tinha
Borboletas coloridas
Bordadas
Na única xícara que não quebrou
A vida ilude
Mas não faz feliz
Acordo outra vez
Agora não sou mais
Um menino de giz
Desenhado num muro
Novamente me vi de pé
Transbordando o café na pia
Acordo de novo
Dessa vez
No mesmo dia
Percebo que nunca mais
Quero estar perdido
O poema de hoje
Ainda nem foi escrito
O dia de ontem
Escurece no esquecimento
Borboleta que pousa na minha mão
Minha única xícara
Linda... e última vida.
Edson Ricardo Paiva.
Não é o que eu digo sobre mim
Que importa
Porque todo mundo, em algum momento
Sempre vai mentir a respeito de si mesmo
Não é a quantidade de obrigações que eu cumpri
Que vai revelar o meu caráter
Mas a quantidade de coisas boas
Que se faz por querer fazer
Sem se importar se tem alguém olhando
Também não são as coisas que eu escrevo
Não preciso dizer nada sobre a minha vida
Talvez o mais importante
Não seja a gente desejar bom dia
Nem lembrar do aniversário
Tudo isso vai no tempo
E se a gente observar o reflexo da Lua no mar
Percebe que quando a Lua se vai
Não fica nenhuma marca lá, da Lua refletida
E o reflexo do céu, vai ficar logo em seguida
Mas mesmo que estando invisível
Ela ainda influencia nas marés
O importante não é a gente ter a presença marcante
As marcas que deixamos
Não precisam ser vistas e alardeadas
Se é que marcas deixarmos
Essas, tem que ser sentidas
A saudade que deixamos é que faz saber
Da importância que quem tem saudade da gente
Tem também nas nossas vidas
Mesmo quando a gente vai se ver mais tarde
Dizer ao mundo que eu sou uma pessoa boa
Não faz de mim uma pessoa boa
Querer ser, não é ser
É preciso ser.
Edson Ricardo Paiva.
No dia em que eu houver
De deixar ao mundo algo de mim
Pretendo deixar meu pior.
Desatar meus liames
Esquecer-me
De tantas mágoas e tristezas
E tudo que houver de nefasto
E tudo que houve de nefando
O melhor do lado ruim da vida
A tudo eu hei de abandonar aqui
Quando, enfim, eu tiver que partir
Pois é pra isso que serve a vida
Ela existe, pra que a gente viva aqui
A toda essa carga negativa
Que encaramos, que enfrentamos
Enquanto gente viva
Convivendo com gente assim
A carga é bastante pesada
Pra no fim, não levar-se nada
Eu rogo ao infinito que leve
O que houver de leve em mim
Pois o mundo empenhou-se tanto
Em tirar-me tudo
Eu deixo ao mundo meu pranto
Que é tudo que eu tinha
O que havia de bom
Não foi de interesse
No mais, minha alma é bem leve
E de nada ela serve pro mundo.
Edson Ricardo Paiva.
Minha casa
São asas que saem de mim
Que me cabem nos bolsos
Mesmo que bolsos não tenha
São brasas que aquecem
Ventos frios que arrefecem
Minha casa é palavra guardada
Das coisas vazias que eu ouço
Meio termo, meio-dia
Meio morna
Fria totalmente
Não importa exatamente a forma
É tudo aquilo que eu sou
Mesmo
Que jamais eu tenha sido tudo
Pois eu tenho tudo isso em mente
Minha moradia é uma semente
Um nada, um pé na estrada escura
É uma luz acesa que me ilumina
E mesmo assim, não tendo nada
Minha casa é meu abrigo
Que sou só eu mesmo que vejo
Porque sou só eu mesmo que sei
Que o endereço dela é em mim
E tem sido assim desde o começo
Pra poder um dia levá-la comigo
Por mais longo que seja o dia
Há sempre o momento
Em que o dia termina
Edson Ricardo Paiva.
Falta quinze
Para as sete da manhã
Tá tudo bem
Tá tudo cinza
Fica assim
Por mim, não falta nada
Espero
Embora a cabeça cansada
Ainda possa pensar
Agora eu não quero mais
Eu quero a paz que vem
No ar
Que não me vem
Peço aos olhos que guardem
A medida desse espaço
Existente e escondido
Entre o início dessa vida
Até que ela chegasse
A esse fim de tarde
Enquanto a vida me esquece
E eu sei que o Sol se curva lá no alto
e desce lá no céu
Oculto sob as nuvens sem chuva
Doutra tarde cinza
Cujo novo invento
É alguma espécie
de brisa que anuncia o vento
Peço aos meus ouvidos
Que guardem esse ruído
A sussurrar
Por entre os dentes dessa noite
Quente e fria, sem fazer alarde
É tarde, é prece, é cinza
Falta quinze para as sete
Mas na vida é madrugada, ainda
Madrigal, tão linda
Não falta nada
É o fim da vida
Esquece...não faz mal!
Edson Ricardo Paiva.
O que quero pra mim amanhã
Não importa, pois eu quero agora
Já passei por coisas demais nesta vida
Pra viver de planos e ilusão
Pois se ontem alguém perguntasse
Onde é que eu estaria hoje
Não sei o que teria respondido
Pois eu ontem não era eu
A vida me ensinou
Que não somos donos dos nossos destinos
Aprendi a querer a vida pra hoje
E se a vida responder de outra forma
É a norma da vida
Eu vou seguir fazendo sempre o meu melhor
Viver à minha maneira
Indiferente a opiniões e perguntas
Devia ter feito isso a vida inteira
Amanhã pode ser outro dia
Amanhã pode não ser dia nenhum
Não sei nada sobre a poesia que não escrevi
Então só posso responder sobre o que fiz até agora
Não me envergonho de nada
E se houve erros
Esses não me pertencem
Eles apenas estavam lá
Surgiram de escolhas alheias
Eu os contornei da melhor maneira que pude
E essa vai continuar
Sendo a minha atitude hoje
Perante a vida
Quando a vida te convida a chorar
Aceite o convite e chore
Pode ser que melhore
E depois que melhorar
Ria
Talvez amanhã seja outro dia
Talvez não
De vez em quando as coisas não são assim, tão boas
Mas foram assim...tão frequentes
Que percebi o quanto era desgastante chorar à toa
Ainda há tempo, acorda!
E escreve teu dia-a-dia
Sem nunca esperar glória ou alegria
Se ontem alguém me perguntasse sobre a vida alheia
Eu, com certeza, não saberia uma linha
A vida ensinou-me a viver
E ao menos hoje
Eu já sei muito sobre a minha.
Edson Ricardo Paiva.
O Tempo está Correndo.
Daqui onde estou
Eu vou olhando a vida
Rindo pra mim de mim também
Não cabe a ninguém me compreender
Muita coisa, atrás do muro, sob o céu
Só sabemos sobre ele
Depois de muito imaginá-lo
Por detrás de escuro véu
Um dia, a vida te convida a compreender
Que a sorte te vem nas escolhas
Caminhos, verdes folhas
A graça da vida, escondida
Não em tudo que ela traz
A alma é algo limitado
E pode transbordar
Daqui onde estou
Eu vou olhando a vida
Sorrindo pra mim apenas
Porque vejo nas coisas pequenas
Veleidades, orgulho, a vaidade
O tempo que evapora
A graça que a vida nos tira
Quando a hora era de rir
Deixar que caíssem as folhas
Manterem-se as poses
Lustrarem-se as máscaras
Renovarem-se as mentiras
A vida era só brincadeira
Mas não era
Não existe sorte nas escolhas
Só escolhas
A alma é algo que transborda um dia
Pode ser que, de tristeza ou de alegria
Não existe talvez
Uma vez escolhida.
Aqui, de onde estou
Vou sorrindo pra vida
Amanhã pode chover
Há de ser um lindo dia!
Edson Ricardo Paiva.
Tenho por hábito
contradizer a mim mesmo;
revendo ideias, pontos de vista;
refazendo argumentos
e intenções...
Pois o que se mostra vasto
em mim, jamais se
satisfaz!
Viver,
ao menos para mim,
tornou-se o mais extraordinário
e alentador dos improvisos...
Um impetuoso e ininterrupto desabrochar, até onde
me seja possível; até onde
me seja permitido!
"O Infinito mundo particular"
De: Tatyane Nicklas
Eis o melhor e o pior de mim
( Não para todos)
O meu termômetro, o meu quilate
(Sou quente ou extremamente fria)
Vem, cara, me retrate
(Suplique se for o caso)
Não é impossível
(Nada é impossível comigo)
Eu não sou difícil de ler
(Apenas Ilegível)
Faça sua parte
(Não me deixe em partes)
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
(Na verdade, ando sem casa. Não pertenço a Lugar algum)
Vem, cara, me repara
(Ou troque os óculos)
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
(Eu decido minha vida)
Só não se perca ao entrar
(Eu tenho apenas uma entrada, e varias portas de saída)
No meu infinito particular
(Muitos querem, poucos podem, ninguém consegue)
Em alguns instantes
(O relógio pode parar)
Sou pequenina e também gigante
(Sou do tamanho necessário)
Vem, cara, se declara
(Continue aumentando o grau)
O mundo é portátil
(E muitas pessoas são espaçosas)
Pra quem não tem nada a esconder
(Eu apenas escondo o que não quero mostrar)
Olha a minha cara
(Totalmente indesvendável)
É só mistério, não tem segredo
(Um pouco de charme)
Vem cá, não tenha medo
(Viver com medo é viver pela metade)
A água é potável
(Depende do copo em que se bebe)
Daqui você pode beber
(Se eu oferecer, beba sem medo)
Só não se perca ao entrar
(Por favor, não erre a porta)
No meu infinito particular
(No meu infinito ato em ser...Tatyane Nicklas)
Tatyane Nicklas
( Eu amo tanto a inteligência dessa cantora, respeito-a em todos os sentidos e eu sempre tentei decifrar essa letra, as palavras se misturam em torno de tanta "sentimentalidade", enigmático ato em não deixar totalmente claro, e por este ato em comum, eu decidi responder a letra, mera apologia sentimental)
Marisa Monte
"Tentei manter você perto de mim"
Às vezes fazemos de tudo para mantermos quem amamos por perto, quase que num ato implorável, rogamos para não ser findável o fato tão simples em estar-se por perto, difícil é manter-se longe de um coração que mesmo partido, se parte em partes, ao lembrar-se de quem passou.
Sim, a vida se intrometeu, deixamos de ser você e eu, e nos tornamos...
"Memórias de um passado adormecido, mas que jamais poderá ser esquecido".
Por ora eu acho que ela me odeia, faz de tudo para provar que não quer saber de mim, se engana mas não me engana, ela tem de tudo para mudar o mundo, o seu mundo mas... Diante de tanta falta de coragem, acaba se perdendo em partes do seu olhar, sim, sei que sou lembrada, e o melhor... Eu sou a única pessoa do mundo que escreve para ela e ela ainda não se deu conta disso? - Apoplética!
No fundo, eu sou tudo o que ela pediu ou talvez eu seja convencida ao extremo para dizer que eu sou tudo o que ela um dia já quis. União perfeita se não fosse o expressivo ato de dizer "não".
Eu tenho um enorme respeito por aqueles que eu sei que tem sentimento amoroso por mim, pois eu também tenho sentimentos por quem sente o mesmo que eu sinto por essas pessoas, e infelizmente tavez eu não tenha o mesmo respeito
Se esta ruim para você, imagina para mim, que tenho que deixar a sobrancelha igual da Frida Kahlo para poder arrumar.
Eu não tenho mais idade para correr atrás de quem já não demonstra o mesmo por mim, a sede eu deixo para os jovens e que dela eles reinventem o seu novo pote.
Eu perdi metade de mim, no dia em que soube da doença da minha mãe, eu perdi metade dos meus sonhos e por esse momento nem sei se ainda os tenho, estou sem chão... dor do cão, que não me deixa ver vida na felicidade que não me encontro.
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