Poeta
O AMOR, NA VOZ DA POESIA
De repente, não se sabe quando, o amor
Cheio de voz, de poesia, onde há magia
Carnaval que flama o sentimento, ardor
Num olhar em chama, sedutora energia
Dos seus versos aquela paixão derrama
Tem prosa, emoção, caricia em sinfonia
Em cada estrofe um fascínio sem drama
Em toada com terna harmonia e euforia
E na poética serenata, o som da aurora
Compondo gestos, beijos, a grata hora
O abraço que consola, o marcante teor
Assim, projetando no horizonte do viver
Criando sentido, enredos, de um querer
O amor na voz da poesia é em tom maior
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06 abril, 2023, 14'02" – Araguari, MG
SONETO DO PERDÃO
O teu não, vergasta a minha fé
Dá-me o perdão como veredito
És a quimera de que necessito
Refreai-me da cilada do mundé
Do coração, o dito não é escrito
O teu fascínio embarga-me até
Eu sou só pra ti e ti pra mim, é
Vou além. Tu me levas ao infinito
E nesta de alma perdida, sofrida
Rasga-me o peito a tua partida
Se, só queria alegria e não dor
Então, aqui na sobra repartida
Lágrimas da saudade escorrida
Murcham com mágoas, o amor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril de 2017 - cerrado goiano
“Delictum”
No princípio era o homem nu, descansado
O mundo em consoante soberana sinfonia
Sem rudeza, tristura ou quesito desafinado
O céu em perfeita e tão melodiosa poesia
Então veio a presença de amor enamorado
Tudo era luz, e assim, todo o prazer sentia
E no fulgor do sol se tinha o agrado ao lado
E o clarão do luar deu asas à doce fantasia
Deus tudo criou em seis dias, e repousou
Santificou este dia e seguiu no tom maior
O espinho, a flor, a terra, fogo, ar... gerou
E o homem em tentação, coiso, indeciso
Pecou... transgredindo o Verbo Criador...
Perdendo no delito o destinado Paraíso!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08 abril, 2023, 20’12” – Araguari, MG
Apenas uma poesia
Não tenhas receio, leia
É apenas uma poesia
E não uma teia...
De enganos, porfia
Aqui tem viço
Nas rimas, melodia
Compromisso
De encanto, valia
Pode levá-lo, isso!
Ora-lo na sua solidão
Pois, ele é inteiriço
Aos olhos do coração
Aqui se fala de amor
Trás a certeza da paixão
E, nestas rimas sem dor
Terás prazer e emoção
Na certeza de ter alegria
Memorize está inspiração
De afeto, é só uma poesia
De paz e bem, em oração...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril de 2016 - cerrado goiano
REDENÇÃO
Depois que passou, só depois, desta dita fadada
Notei que a sensação e o quesito não têm preço
O melhor agrado, aquela leve emoção encantada
Brota n’alma, se há sentimento igual, desconheço
Aquele gesto manso e casto, ao silêncio confesso
O repouso, a calma, aquele sossego e mais nada
Tudo é poesia, cuja a poética é singular endereço
Hoje vejo quão a intensão não é mais enamorada
Depois que passou e, só depois, desta redenção
Me tive novamente vivente, cercado de aventura
É que o pensamento tem satisfação na libertação
Dei-te o meu eu, com intensão, o exato, e forjavas
Condição que não sentia. Uma desafinada mistura
Pois, nesta gorjeta rala, as tuas restas me davas! ...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril 2023, 11, 10’23” – Araguari, MG
A incompreensão deve ser uma janela aberta para o esclarecimento,
jamais deve ser um muro construído pelo ódio da falta de paciência.
O homem comum não sabe lidar com o poder que pensa que tem,
já o homem transformado reconhece-se na humildade.
Não passeies pelo mundo de onde vieste pois reviver lembranças nem sempre traz felicidade. O que traz felicidade é você ter consciência de que não deve voltar atrás.
Amor
Sofremos! Se de amor for, que seja!
Viver no coração amado de paixão
Quero no afeto estar sem peleja:
- choro, riso, que venha emoção.
Que assim, então, sejamos vigor
Amemos! Na mais doce razão
E no suave desejo, ofertar: - flor
Olhar com beijos, e satisfação...
Pois, o que vale é ser amador
E, no elevo da sede absoluta
Quero afago, quero o dispor
Onde a alma fique na escuta
Com seus suspiros e o ardor
De cada um deste momento
Quero,
- morrer nos braços do amor!
© Luciano Spagnol -poeta do cerrado
17 de julho de 2020, Triângulo Mineiro
Se no início de sua caminhada estiveres com medo e não dominá-lo, o seu trabalho será vencido pelo sentimento. Você viverá de lamentações e não morará no céu de estrelas.
PASSOS SOBRE ESPAÇO
( Poética Nilo Deyson )
Não, Não sou eu quem escrevo.
Eu sou a tela oculta da mão que
colora alguém em mim.
O meu princípio floresceu em fim.
Que importa a congruência da alma que
vela como os sonhados pálidos de cetim?
Disperso... Minha alma é um arco tendo ao fundo o mar, no horizonte um outro universo.
O que faz de mim ser o que sou é gostar de ir por onde ninguém for, abrindo as asas sobre renovar, a erma sombra do vôo começando pestaneja no campo abandonado...
Narrai-me à sombra e não me ache sentido algum, hoje sei-me o deserto onde Deus teve outrora, houve planícies de céu baixo e neve nalguma cousa da alma do que é meu.
Sou do meu universo e meu universo é meu...
Nilo Deyson Monteiro Pessanha
ENTRE SEM FAZER BARULHO
( Poeticamente vidas )
Entre paredes frias de uma casa isolada,
ficar calado no silêncio da angústia é deliciosamente amargo no processo do progresso que acontece dentro do propósito
da existência que se faz necessário.
O mundo é indiferente, não me chama em
nada a atenção, me isolo em meu imenso universo, me divirto na solidão do vazio.
Com as paredes frias faço minhas confidências, canto, danço, e nessas andanças dos pensamentos, meu mundo está fechado para visitação, sou só eu e meu universo.
Coisas que eu sei, são apenas coisas...
Entre paredes frias ouço um grito, um eco forte, nada além daquilo que eu sei, são gemidos...
Dentro dessas paredes não há desabafos, apenas um silêncio ensurdecedor de um universo numa inquietação que se mantém em controle mesmo dentro do furacão das emoções, ainda que exista dualidade entre a fraqueza e a força, entre paredes frias, enfim, sabe como é, o universo há de mover-se em direção do próprio propósito destinado à essa e aquela existência.
Nilo Deyson Monteiro Pessanha
POÇO (soneto)
Dizem que a saudade é a dor profunda
Que no peito nem o suspirar a estanca
Todos querem tirar, mas pouco arranca
E se mais a cava, tanto mais se afunda
Contudo, padece sempre, ó prava tunda!
Que nessa sofrência mina e desbarranca
E vai dando aflição, tão velhaca retranca
Que desalenta e de insatisfação inunda
Quanto vazio, e noite que não encerra
Dando ao olhar um gemido que berra
Té que o silêncio a prostração convida
E então, nesta lavra tão árida e tão nua
Que na lembrança só se tem a falta tua
Sufoca, estrangula e empobrece a vida!
© Luciano Spagnol -poeta do cerrado
20/07/2020, 09’46” - Triângulo Mineiro
FLOR DO IPÊ (soneto)
Pra o Ipê florar tal uma poesia, não basta
A poética e encantos dos seus segundos
Sua beleza acesa, são cânticos profundos
Que invadem o olhar na amplidão vasta
Do cerrado. Flor igual em todo mundo
Não há; tua delicadeza tão bela e casta
Declama graça que pelo pasmo arrasta
Ornando o sertão, no seu chão sitibundo
Mais terna, e pura, frágil, fina e à mercê
Do matiz: rosa, amarelo e branco, airoso
São essências vibrantes das pétalas do ipê
Hei de exaltar está flor além da sedução
Porque o meu fascínio, ao vê-la, é ditoso
Onde o poeta inspira a emotiva emoção.
© Luciano Spagnol -poeta do cerrado
20/07/2020, 18’48” - Triângulo Mineiro
AME O TEU AMOR (soneto)
Ame o teu amor, enquanto tens e enquanto
O teu afeto é o aconchego no amável olhar
Assim, quem no singular amor te ame tanto
Porque nunca cortejarás outro pra tal lugar
Que nunca o deixe solitário, no vão vagar
Lembra-te sempre, no convívio, o quanto
É bom poder com o outro contar e confiar
E no teu abraço encontrar o teu real canto
Ame-o, este amor, e sentirás, por certo
Cada ausência, a falta, ó suspiro agudo
Se a saudade no peito for impulso incerto
Então, ame! Clame por tê-lo por perto
Ao alcance do coração, da vida, de tudo
Pois, assim, pulsarás na emoção o acerto...
© Luciano Spagnol -poeta do cerrado
21/07/2020, 10’31” - Triângulo Mineiro
Leve meu sorriso em cada toque da vontade de viver, sou como o céu que passa do amanhecer ao anoitecer e minha alma sempre brilha vontade de viver.
