Poeta

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⁠As bem novinhas, ficavam maravilhadas vendo-a, não a comparavam com um conto de fadas, pois princesas não eram largadas daquele jeito, mas neste instante percebiam que não precisavam, nem precisariam pertencer ao reino da fantasia, notavam que também poderiam ser normais, indo de encontro ao desconhecido nível da tosca beleza.

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⁠E sem nenhum atributo aparentemente amável, chamariam de uma forma ou de outra a incansável e disputada atenção.

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⁠ Tosca Beleza

Algumas situações são inexplicáveis, outras situações simplesmente não precisam de explicação, ela não precisava, eu precisava dela.

Aquele lugar inteiro estava em uma imundice só, uma baderna infernal; lixo, sujeira, pilhas de tranqueiras trancando a passagem, um piso encardido, ambientes encardidos, móveis encardidos.

Ela acordou depois das 10h, deveria ter saído às 9h30; uma cara amassada pelo sono profundo da madrugada, um rosto belíssimo. Dizer que vê-la naquele estado matinal era encantador seria pouco, vestindo um pijama completamente esgarceado, desbotado e terrivelmente sensual, ela era toda errada e comum.

Na maioria absoluta das vezes dispensava qualquer formalidade e etiqueta, era anti-etiquetas, fossem sociais ou em vestimentas informais, era informada, era formada e briguenta.

Seu relaxo era charme, a negligência consigo mesma, forjava sua singularidade. Empurrou o portão, saiu. Na rua, na realidade mundana, era o centro, o centro de convergência, centralizava a atração.

Os homens mais velhos pérvidos, em suas mentes podres tinham fantasias nojentas, instantaneamente, enquanto ela cruzava de uma ponta a outra das esquinas.

Os garotos jovens, alimentavam sonhos inocentes (ou nem tanto), a respeito de terem consigo uma garota como aquela, marcando presença, imponência onde estivesse.

As mulheres mais velhas, recordavam a juventude de quando foram atraentes; outras que nunca foram atraentes, recordavam quando quiseram ter sido.

As mais novas odiavam-na, por seu desleixo, que ainda assim e talvez graças a isso, hipnotizava os machos civilizados, queriam matá-la e o faziam em suas mentes invejosas, queriam ser ela.

As bem novinhas, ficavam maravilhadas vendo-a, não a comparavam com um conto de fadas, pois princesas não eram largadas daquele jeito, mas neste instante percebiam que não precisavam, nem precisariam pertencer ao reino da fantasia, notavam que também poderiam ser normais, indo de encontro ao desconhecido nível da tosca beleza.

E sem nenhum atributo aparentemente amável, chamariam de uma forma ou de outra a incansável e disputada atenção.

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⁠En)XaQueCa(

AsMinaPira
AsPiraMina
AsPiRiNa

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⁠Leprechaun

Nenhum pote de ouro pode comprar, a estonteante beleza do Arco-íris.

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⁠As 24 horas vividas de um Verme

00h00 – Nascimento para uma existência imperceptível

01h00 – Descoberta dos primeiros sentidos (dolorosos)

02h00 – Engatinha emitindo sons pouco compreensíveis

03h00 – Inicia-se o adestramento de insignificância

04h00 – Aprende a armazenar desapontamentos

05h00 – Forçosamente é inserido à colônia parasítica

06h00 – Sofre os maus tratos que traçarão sua deformidade

07h00 – Perde qualquer doçura que jamais teve

08h00 – Segue-se o adestramento de insignificância (nível intermediário)

09h00 – Realiza cursos complementares de sadomasoquismo e submissão

10h00 – Conhece a larva que viverá ao seu lado pelos segundos que lhe restam

11h00 – Conclui o adestramento de insignificância (nível superior)

12h00 – Horário reservado para a única refeição que fará

13h00 – Forçosamente é inserido à colônia parasítica profissional

14h00 – Procria com o desígnio de dar continuidade ao sistema vigente

15h00 – Festa das quinze horas vividas de um verme (se for abastado)

16h00 – Desenvolve-se em sua abreviada e meteórica carreira parasítica

17h00 – Destrói a abreviada existência imperceptível de outros vermes (ônus)

18h00 – Recebe o retorno frutífero por 240 minutos de dedicação (bônus)

19h00 – Forçosamente é extraído da colônia parasítica profissional

20h00 – Reflete sobre os danos, prejuízos, lesões, estragos e avarias sofridas

21h00 – Aprende artesanato (devaneio que deslumbrava na fase juvenil)

22h00 – Adoece sem amparo do estado maior ou seguro previdenciário

23h00 – Morre desejando nunca ter existido

24h00 – Obtém sua Redenção (ato ou efeito de se redimir)

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⁠Precisamos amar descontroladamente, o máximo possível, sem nem ao menos pestanejar, afinal, não ficaremos muito tempo por aqui.

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⁠Numa segunda-feira fresca de agosto,
Novidades repetidas soavam no rádio.
Asami despertou, com o assovio Angelical dos rouxinóis.

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⁠Lavou seu rosto na bacia,
Escovou os dentes,
Arrumou seus lençóis,
Calçou os sapatos de feltro,
Após colocar as meias de algodão,

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⁠Seus tornozelos doloridos,
Um repuxão, devido à queda do balanço.
Mas surgia um novo dia,
Ela enrolou seu lenço no pescoço,

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⁠Mostraria àquele parquinho,
Quem era a menina das acrobacias,
Desceu as escadarias, ligeira;
Na mesa comida típica,

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⁠Um desjejum de algumas delícias.
Mamãe abotoou a gola de linho,
Penteou seus cabelos, fez carícias,
Regou as plantas com carinho.

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⁠Colheu um ramo de cerejeira,
Organizou a estante, os bibelôs
E as porcelanas na penteadeira;
Encostou as tramelas dos vitrôs.

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⁠A esta altura estava atrasada,
Asami ficou sem carona,
O ônibus passou na estrada,
Teria ela uma maratona.

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⁠Uma milha a pé caminhou,
Pelo bosque sacro andou,
Uma árvore de Ipê avistou,
Cruzando a praça e a venda.

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⁠Comeu algumas guloseimas,
Ao colégio chegou pra merenda.

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⁠Ás 15 pras 8 em Hiroshima,
Asami despertou, com o assovio
Angelical dos rouxinóis.

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⁠Enquanto isso, no extremo
Oposto do planeta,
Magnatas despertaram
Obstinados a uma ordem.

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⁠Nunca viram seu rosto,
Não sentiram o gosto do café,
Esqueceram que existe pureza, Tornaram-se escória, ralé.

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⁠Num abismo ruiu o humanismo,
Perpetuou-se o sacrilégio,
Entre o maligno e a bondade,
Um eterno conflito cego.

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